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Meio ambiente

Pulmões cheios

Poluição atmosférica reduz vidas, afeta saúde mental, amplia desigualdades e segue protegida por um sistema que poupa poluidores e sacrifica a população.

Pedro Valls Feu Rosa

Pedro Valls Feu Rosa

9/12/2025 9:00

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A Organização Mundial de Saúde estima que a poluição atmosférica mata sete milhões de semelhantes nossos a cada ano. Isto dá umas 13 mortes por minuto - ou uma a cada cinco segundos. Faça uma experiência e conte até cinco: um, dois, três, quatro e cinco. Pronto! Morreu outra!

Esqueça as guerras. Os homicídios. A tuberculose. A malária. A AIDS. A poluição atmosférica, sozinha, mata mais que todos estes flagelos combinados. Vamos a outro número que choca: uma criança nascida hoje viverá, em média, 20 meses menos por conta da poluição do ar.

Não se esqueça, neste quadro, da saúde mental. Recentemente pesquisadores compararam dados de saúde e exposição à poluição atmosférica relativos a 151 milhões de habitantes dos EUA e da Dinamarca. Descobriram, chocados, que as crianças mais expostas tiveram, quando adultos, índices de esquizofrenia duas vezes maiores, assim como taxas mais altas de transtorno de personalidade, depressão e bipolaridade.

Poluição atmosférica reduz vidas, afeta saúde mental, amplia desigualdades e segue protegida por um sistema que poupa poluidores e sacrifica a população.

Poluição atmosférica reduz vidas, afeta saúde mental, amplia desigualdades e segue protegida por um sistema que poupa poluidores e sacrifica a população.Freepik

Estes resultados não discrepam de outros constatados no Reino Unido. Verificou-se, por exemplo, haver uma clara relação entre o desempenho dos alunos e os níveis de poluição do ar - assim como a produtividade nos ambientes de trabalho.

Mas talvez a demonstração mais eloquente seja aquela referente à criminalidade. Veja só: nos idos de 2018 concluiu-se uma pesquisa realizada ao longo de dois anos sobre nada menos que 600 áreas de Londres. Descobriu-se que quanto mais alta a poluição do ar maiores os índices de criminalidade - não importa se nas áreas mais ricas ou mais pobres da cidade. Idênticos resultados foram obtidos em outras duas pesquisas realizadas nos EUA - a primeira pelo respeitado MIT e a segunda por uma universidade da California.

Vista a poluição, lance agora um olhar aos poluidores. Veja-os abençoados pelas instituições. Homenageados e cumprimentados com subserviência nos mais refinados salões. Usufruindo de uma impunidade inversamente proporcional à dos miseráveis que enchem nossas masmorras.

Agora levante-se. Vá à janela. Contemple, enquanto ser humano, o mundo que temos construído - ou destruído - com suas nuvens de produtos químicos, resíduos, pó preto etc. Em seguida, encha seus pulmões - mas com coragem apenas, não com dignidade, pois que limpas nossas mãos apenas estão por conta da Bacia de Pilatos.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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