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Violência de gênero

As rigorosas lentes da sociedade sobre as mulheres

Do corpo ao discurso, mulheres seguem julgadas pela aparência, não pelo que dizem ou fazem.

Adriana Vasconcelos

Adriana Vasconcelos

12/1/2026 10:00

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Verão, praias brasileiras superlotadas de norte a sul do país, corpos em evidência. Algo natural em "um país tropical e bonito por natureza", como eternizou em versos um dos mestres da música nacional, Jorge BenJor. Para as mulheres, porém, uma estação que costuma intensificar a pressão pelo corpo perfeito, que nunca atingirá de verdade essa perfeição sob as rigorosas lentes da sociedade sobre qualquer mulher.

Seja jovem ou idosa, magra ou gorda, bonita ou feia, bem-sucedida ou não. Basta acompanhar as polêmicas diárias produzidas e estimuladas nas redes sociais. Paolla Oliveira, Xuxa, Angélica, Ivete Sangalo e Bruna Marquezine que o digam.

São apenas alguns exemplos de mulheres famosas que mobilizam atenção e, muitas vezes, comentários hostis de internautas cada vez mais à vontade para criticar sem dó nem piedade — e as mulheres costumam ser as vítimas preferenciais.

Para sermos sinceras, isso não se limita às redes. Em diferentes ambientes — dentro de casa, na rua ou no trabalho — o modus operandi se repete: vai de comentários inconvenientes sobre a aparência a tentativas, nem sempre sutis, de nos calar.

Exemplos desse tipo de constrangimento enfrentado por mulheres não faltam, infelizmente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um dos que, em 2025, incorreu nesse padrão ao exaltar a beleza — e não a capacidade de articulação política — da petista Gleisi Hoffmann, ao anunciar sua nomeação para o comando da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República.

Não por acaso, o ambiente político segue entre os mais hostis às mulheres. Trata-se de um território ainda majoritariamente ocupado e comandado por homens. Se as mulheres já são a maioria da população e das responsáveis financeiras pelas famílias brasileiras, nos Três Poderes da República elas ainda são minoria.

No Congresso Nacional, ocupam cerca de 18% das cadeiras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal — percentual inferior ao que se esperaria diante da cota mínima de candidaturas femininas prevista na legislação eleitoral há três décadas.

A cobrança estética e a violência política afastam mulheres dos espaços de decisão.

A cobrança estética e a violência política afastam mulheres dos espaços de decisão.Freepik

Se alcançar espaços de poder é difícil, permanecer neles pode ser ainda mais complexo. A violência política de gênero é frequentemente apontada como fator relevante para o afastamento de mulheres da vida pública.

Em meio às eleições municipais de 2024, 60,4% de prefeitas e vice-prefeitas brasileiras afirmaram ter sofrido algum tipo de violência política de gênero durante a campanha ou no exercício do mandato, segundo levantamento encomendado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) em parceria com o Movimento Mulheres Municipalistas (MMM).

No ambiente digital, o problema ganha escala. O MonitorA, observatório de violência política e eleitoral contra candidatas(os) nas redes sociais, desenvolvido pelo Instituto AzMina e pela InternetLab, constatou ao longo dos últimos três períodos eleitorais que as redes sociais têm sido espaço recorrente de manifestação de violência política.

Ao analisar comentários deixados em vídeos de debates eleitorais para prefeituras transmitidos no YouTube, o MonitorA observou que grande parte das interações se concentrou na aparência e na desenvoltura das candidaturas, mais do que em argumentos, propostas ou domínio dos temas em debate. Nesse contexto, as mulheres receberam atenção negativa de modo desproporcional.

Embora representassem 44,4% das candidaturas analisadas, elas foram alvo de 51,1% dos comentários ofensivos. Em algumas capitais, os percentuais chamaram ainda mais atenção, como Belo Horizonte (91,7%), Natal (91,3%) e Porto Alegre (85,9%).

Com o novo ciclo eleitoral se aproximando, torna-se ainda mais urgente reconhecer que a violência política de gênero — especialmente quando amplificada pelas redes sociais — não é um "efeito colateral" do debate público, mas um mecanismo de exclusão que compromete a qualidade da democracia e dificulta a redução do déficit histórico de representação feminina.

Enfrentar esse quadro exige respostas institucionais e coletivas, incluindo medidas de prevenção, denúncia e responsabilização; fortalecimento de mecanismos de apoio às vítimas; e compromisso de partidos, instituições eleitorais, plataformas digitais e sociedade civil com a construção de um espaço público menos tolerante à violência e mais orientado à disputa política baseada em propostas, evidências e respeito.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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