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Violência de gênero

8 de março: a necessidade urgente no combate ao feminicídio

O país registrou 1.568 feminicídios em 2025. Enfrentar essa tragédia exige políticas públicas, autonomia econômica e rede de proteção às mulheres.

Chico Vigilante

Chico Vigilante

8/3/2026 10:00

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A celebração deste 8 de março não representa apenas o Dia Internacional da Mulher, mas um dia de luta. Como parlamentar que trilhou a vida na defesa dos direitos humanos, vejo com profunda indignação que o feminicídio continue a se alastrar nos dias de hoje. Ele é o desfecho trágico de um projeto político e econômico que se alimenta da desigualdade e do desprezo pela dignidade das mulheres e precisa ser combatido com urgência.

Os dados recentes evidenciam que a violência de gênero no Brasil atingiu patamares alarmantes, com o país registrando um recorde histórico em 2025: foram 1.568 mulheres assassinadas apenas por sua condição de gênero, o que representa uma média cruel de mais de quatro vítimas por dia.

Segundo o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado neste mês de março, esse número reflete um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, consolidando uma tendência de alta que já soma mais de 13.700 mortes desde a tipificação da Lei do Feminicídio em 2015. O perfil das vítimas reforça o recorte de vulnerabilidade social, com 62,6% de mulheres negras e a maioria dos crimes ocorrendo dentro da própria residência, cometidos por parceiros ou ex-parceiros.

No Distrito Federal e no Brasil, o aumento da violência doméstica está intrinsecamente ligado ao desmonte das políticas públicas de proteção social. Quando o Estado se retira, quando o orçamento para o combate à violência contra a mulher é negligenciado ou quando programas habitacionais e de autonomia financeira são estrangulados, o agressor se sente empoderado. A desigualdade de gênero, que a direita tenta reduzir a uma "questão de costumes", é, na verdade, a base de um sistema que explora e oprime.

Recorde de assassinatos de mulheres expõe falhas na proteção social e na rede de acolhimento às vítimas de violência doméstica.

Recorde de assassinatos de mulheres expõe falhas na proteção social e na rede de acolhimento às vítimas de violência doméstica.Freepik

O feminicídio é a expressão máxima do patriarcado, mas ele ganha força em um cenário de precarização. Uma mulher sem emprego, sem creche para os filhos e sem uma rede de apoio estatal eficiente torna-se refém do medo dentro da própria casa. Não basta endurecer penas se não atacarmos a raiz do problema: a dependência econômica e a falta de uma rede de acolhimento que funcione 24 horas por dia. A segurança pública não pode ser resumida a viaturas. Ela começa também com justiça social.

É preciso dizer com clareza: o projeto de extrema-direita, que flerta com o armamento da população e com o discurso de ódio, é combustível para essa tragédia. Ao incentivar a cultura do "homem de bem" armado, o que se produz é um aumento assustador de crimes passionais e feminicídios por armas de fogo. O Estado, sob essa ótica conservadora, prefere investir na bala do que no psicólogo, no abrigo ou na educação emancipatória nas escolas.

Minha atuação na Câmara Legislativa tem sido pautada pela fiscalização rigorosa desses recursos. É inadmissível que o GDF ou o Governo Federal permitam que o dinheiro destinado à proteção das mulheres fique parado por incompetência ou ideologia. O combate ao feminicídio exige orçamento vivo e execução direta. Precisamos de Centros de Atendimento à Mulher em cada região administrativa, com assistência jurídica e psicológica gratuita e de qualidade.

A luta das mulheres é a luta de todos nós, militantes de esquerda e defensores dos direitos humanos. Não aceito que o Brasil continue ostentando índices vergonhosos de assassinatos de mulheres apenas por sua condição de gênero. A cada companheira que tomba, é um pedaço da nossa democracia que morre. O feminicídio é o retrato de uma sociedade doente, onde o machismo estrutural é validado pelo silêncio das instituições e pela negligência do poder público.

Neste março, reafirmamos: enfrentar o feminicídio é enfrentar o projeto neoliberal de desigualdade. É exigir que a economia sirva à vida, e não o contrário. Queremos mulheres vivas, autônomas, seguras e ocupando todos os espaços de poder. A nossa indignação precisa ser transformada em políticas públicas reais e duradouras, que garantam que o lar seja um lugar de afeto, e não um cenário de crime.

Seguiremos vigilantes, denunciando cada retrocesso e cobrando que o Estado cumpra o seu papel constitucional de proteger a vida. Não descansaremos enquanto o sangue de nossas mulheres continuar manchando a história do nosso país por falta de ação política. Pela vida das mulheres, pelo fim do patriarcado e por um Brasil verdadeiramente igualitário.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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