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Proteção animal

Tortura não é entretenimento: o Brasil precisa reagir aos crimes cometidos nas plataformas digitais

Casos investigados em São Paulo expõem redes online que transformam crueldade em entretenimento e revelam falhas graves de fiscalização digital.

Luísa Mell

Luísa Mell

15/5/2026 11:04

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O que aconteceu recentemente em São Paulo precisa servir de alerta para todo o Brasil.

A Polícia Civil de São Paulo salvou mais de mil animais que seriam vítimas de práticas de zoosadismo articuladas através de redes sociais, especialmente no Discord. Segundo as autoridades, a plataforma vem sendo utilizada como palco para crimes de violência extrema contra animais, em sua maioria gatos, muitas vezes dentro de servidores privados.

Estamos falando de tortura transformada em conteúdo.

Criminosos utilizam a internet para compartilhar maus-tratos, estimular desafios violentos, disseminar crueldade e expor animais a sofrimento extremo diante de espectadores online.

Isso não pode ser tratado como algo isolado ou restrito à pauta animalista.

O Discord foi originalmente criado para comunicação entre jogadores e grupos de amigos, mas acabou se tornando também um ambiente propenso à atuação de redes criminosas que se aproveitam do anonimato e da dificuldade de fiscalização nas plataformas digitais. Embora a empresa afirme possuir políticas rigorosas de moderação, os casos investigados mostram que a realidade exige respostas muito mais efetivas.

Nós precisamos entender a gravidade disso.

Não estamos falando apenas de maus-tratos contra animais. Estamos falando da banalização da violência dentro da internet, da exposição de adolescentes a conteúdos extremamente cruéis e da existência de grupos que transformam tortura em entretenimento.

Isso não pode ser normalizado.

Hoje, crianças e adolescentes acessam plataformas digitais sem qualquer preparo para lidar com conteúdos violentos, degradantes e criminosos. Muitos desses grupos estimulam desafios, incentivam práticas cruéis e utilizam a violência como forma de engajamento e pertencimento.

A crueldade deixa de ser um ato isolado e passa a funcionar como dinâmica coletiva dentro das redes.

E as plataformas não podem continuar fingindo que não têm responsabilidade sobre isso.

Como Embaixadora Nacional da Defesa Animal do Podemos, acredito que o Congresso Nacional precisa agir com urgência e instalar ainda este ano a CPMI voltada à investigação de crimes cometidos através das plataformas digitais, especialmente aqueles relacionados à disseminação de violência, maus-tratos e conteúdos criminosos online.

Precisamos investigar:

  • grupos organizados que promovem violência e tortura pela internet
  • a circulação de conteúdos de maus-tratos contra animais
  • o impacto desse material sobre adolescentes
  • a responsabilidade das plataformas na moderação de conteúdo
  • as falhas na prevenção e combate a esses crimes digitais

A circulação de violência extrema contra animais em plataformas digitais envolve adolescentes, anonimato e redes organizadas de conteúdo criminoso.

A circulação de violência extrema contra animais em plataformas digitais envolve adolescentes, anonimato e redes organizadas de conteúdo criminoso.Magnific

A CPMI será fundamental para reunir parlamentares, autoridades policiais, especialistas, representantes das plataformas e membros da sociedade civil em torno de soluções concretas.

Não basta mais apenas se indignar.

Precisamos endurecer leis, fechar brechas legais, fortalecer investigações digitais e garantir que criminosos sejam responsabilizados.

Entre as medidas prioritárias está o endurecimento da Lei Sansão, criando agravantes para crimes filmados, transmitidos online ou praticados de forma reincidente.

Quem grava, divulga e transforma sofrimento em espetáculo precisa receber punição proporcional à brutalidade que pratica.

Também precisamos avançar em projetos voltados ao combate aos crimes cibernéticos contra animais e fortalecer a capacitação das forças policiais para rastrear grupos online, preservar provas digitais e identificar autores que hoje se escondem atrás do anonimato das redes.

Outro ponto que não pode mais ser ignorado é a participação de adolescentes nesses ambientes virtuais extremamente violentos. Estamos falando de jovens expostos diariamente à dessensibilização da dor, ao incentivo à crueldade e à normalização de práticas criminosas.

A violência contra animais nunca vem sozinha.

Ela frequentemente está ligada a outras formas de violência social, abuso e comportamento criminoso.

Por isso, esse debate não interessa apenas aos defensores da causa animal. É uma discussão sobre segurança pública, saúde mental, proteção da infância e responsabilidade digital.

A sociedade brasileira não aceita mais crueldade tratada como entretenimento.

Chegou a hora de responsabilizar criminosos, cobrar plataformas digitais e impedir que a internet continue sendo usada como palco para violência e tortura.

A mobilização da sociedade será fundamental para avançarmos na criação da CPMI da Causa Animal, um passo importante para investigar essas atrocidades cometidas contra os animais, responsabilizar os criminosos e impedir que a violência continue sendo disseminada nas plataformas digitais.

Quem transforma sofrimento em conteúdo não pode continuar protegido por uma tela.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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