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Política educacional
9/6/2026 14:00
No mês em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, o Brasil tem razões de sobra para refletir sobre os desafios impostos pela crise climática. As enchentes no Rio Grande do Sul, as secas históricas na Amazônia, as ondas de calor cada vez mais frequentes e a previsão de um novo ciclo de El Niño reforçam uma realidade que já não pode ser tratada como uma ameaça distante. A emergência climática faz parte do presente.
Diante desse cenário, governos em todo o mundo começam a compreender que a resposta não pode se limitar à gestão de desastres. É preciso fortalecer a capacidade de adaptação das sociedades. E isso passa, necessariamente, pela educação.
Recentemente, a comunidade internacional deu um passo importante nessa direção. Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, os países reforçaram o compromisso de ampliar a formação dos estudantes e incorporar o tema de forma estruturada aos sistemas educacionais. A mensagem é clara: enfrentar a crise climática exige não apenas novas tecnologias ou investimentos em infraestrutura, mas também cidadãos preparados para compreender, prevenir e responder aos riscos de um mundo em transformação.
Mas essa agenda tem uma dupla dimensão. Além de formar estudantes capazes de enfrentar os desafios climáticos, é preciso garantir que os próprios sistemas educacionais estejam preparados para funcionar em um contexto de eventos extremos cada vez mais frequentes.
Para o Brasil, essa agenda é especialmente relevante. De um lado, é preciso preparar as novas gerações para compreender e enfrentar os desafios ambientais do século XXI. De outro, é necessário garantir que os sistemas educacionais consigam proteger o direito à aprendizagem mesmo em contextos de emergência climática.
Quando uma enchente interrompe as aulas, quando uma onda de calor inviabiliza o funcionamento de uma unidade escolar ou quando a fumaça das queimadas compromete a saúde de estudantes e professores, o direito à educação também é afetado. E os impactos não são distribuídos igualmente. Crianças e jovens em situação de maior vulnerabilidade costumam ser os mais atingidos, ampliando desigualdades que já marcam a trajetória educacional brasileira.
A experiência recente do país demonstra que não estamos diante de situações excepcionais. Estamos diante de uma nova realidade. Por isso, a pergunta já não é se novos eventos extremos ocorrerão, mas quão preparados estaremos para enfrentá-los.
Nos últimos anos, diferentes organizações, gestores públicos e especialistas têm avançado na construção de estratégias para tornar as escolas mais resilientes. Entre elas estão a adaptação da infraestrutura escolar, a elaboração de protocolos para emergências, a formação de profissionais da educação e a criação de mecanismos que garantam a continuidade da aprendizagem mesmo durante períodos de crise.
Essa agenda precisa ganhar escala nacional.
E esse avanço passa por três dimensões complementares. A primeira é a infraestrutura, garantindo que as escolas estejam preparadas para enfrentar eventos extremos, com instalações seguras, resilientes e adequadas às novas condições climáticas. A segunda é o currículo, incorporando de forma transversal a educação ambiental e climática para que os estudantes compreendam os desafios contemporâneos e desenvolvam competências para atuar diante deles. A terceira é a formação cidadã, fortalecendo valores de responsabilidade coletiva, participação social e compromisso com a sustentabilidade.
Não por acaso, essas três frentes estão contempladas no Objetivo 8 do novo Plano Nacional de Educação, dedicado à Sustentabilidade Socioambiental na Educação. Trata-se de um reconhecimento importante de que a resposta à crise climática exige não apenas adaptação física das escolas, mas também transformação dos processos educativos e fortalecimento da cidadania.
Guias e referências produzidos para apoiar redes de ensino mostram que é possível integrar prevenção, adaptação climática e proteção do direito à educação em uma mesma estratégia. O desafio agora é transformar essas experiências em política pública permanente.
Para o Congresso Nacional, essa é uma oportunidade concreta de liderança. Transformar essa diretriz em realidade significa fortalecer mecanismos de financiamento para infraestrutura escolar resiliente, promover a educação climática nos currículos e apoiar a formação cidadã das novas gerações, preparando o país para os desafios das próximas décadas.
Proteger escolas significa proteger trajetórias de vida. Significa garantir que crianças e jovens continuem aprendendo mesmo diante das adversidades. Significa formar cidadãos capazes de compreender e enfrentar os desafios ambientais do nosso tempo. E significa fortalecer a capacidade da sociedade brasileira de construir respostas coletivas para um futuro que já começou.
A educação não é apenas uma vítima da crise climática. Ela é parte essencial da solução.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].