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Saúde bucal
10/6/2026 13:00
O Brasil ampliou o acesso à Assistência Odontológica nos últimos anos, mas ainda convive com indicadores graves de perda dentária e baixa cultura preventiva. Os números ajudam a dimensionar o problema: mais de 14 milhões de brasileiros já perderam todos os dentes ao longo da vida e outros milhões convivem com perdas dentárias severas.
Um reflexo de um histórico de baixa cultura preventiva, acesso desigual e ausência de cuidado contínuo — esse é talvez o principal desafio da saúde bucal no Brasil. Ainda buscamos o dentista pela dor, e não pelo cuidado contínuo.
A sanção da Lei nº 15.408 representa um marco histórico para a odontologia brasileira ao inserir oficialmente a saúde bucal no Calendário Nacional de Conscientização em saúde, no mês de julho.
A medida também reforça um ponto central: ampliar acesso é fundamental, mas não basta. O Brasil precisa construir uma cultura permanente de cuidado preventivo.
Nos últimos anos, a odontologia suplementar teve papel decisivo na expansão do cuidado odontológico no Brasil. Hoje, o país reúne mais de 35,7 milhões de beneficiários em planos odontológicos, consolidando o segmento como uma das principais portas de acesso à assistência odontológica. Cerca de 74% desses beneficiários estão vinculados a planos odontológicos coletivos empresariais, o que demonstra o papel das empresas na ampliação do acesso à saúde bucal.
Esse avanço está diretamente ligado a um fator importante: acessibilidade. Com ticket médio próximo de R$ 20 mensais, o plano odontológico se consolidou como um dos benefícios de saúde mais acessíveis do país. Em muitos casos, representa o primeiro contato regular do cidadão com atendimento odontológico preventivo, mas o desafio cultural permanece.
O Brasil ainda precisa compreender que prevenção custa menos do que tratamento tardio para as famílias, para as empresas e para o próprio sistema de saúde. Problemas odontológicos não afetam apenas dentes, impactam alimentação, autoestima, aprendizado, produtividade e qualidade de vida. Também estão associados a doenças cardiovasculares, diabetes, complicações gestacionais e outros quadros sistêmicos.
Ignorar a saúde bucal significa ignorar saúde integral.
Por isso, movimentos de conscientização ganham relevância estratégica. Eles ajudam a colocar o tema no cotidiano da população e reforçam uma mensagem simples, mas ainda pouco incorporada no país: prevenir é sempre melhor, menos traumático e mais acessível do que remediar.
O Julho Neon nasceu justamente com esse propósito. Criado pela SINOG há quase seis anos, o movimento surgiu para ampliar o debate sobre prevenção e incentivar uma mudança de mentalidade em relação aos cuidados odontológicos. Agora, ao se tornar parte oficial do Calendário Nacional de Saúde, o tema ganha escala e relevância pública ainda maiores.
Essa talvez seja a principal conquista: fazer a saúde bucal ser entendida como parte essencial da saúde, da dignidade e da qualidade de vida da população brasileira.
O Brasil avançou no acesso à assistência odontológica. Agora, precisa avançar na consciência preventiva.
Porque saúde bucal não pode continuar sendo lembrada apenas na dor. Ela precisa fazer parte da rotina de cuidado, da política pública e da compreensão de que não existe saúde integral sem esse cuidado.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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