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Sistema financeiro
30/6/2026 16:00
A crescente digitalização dos serviços bancários trouxe inegáveis benefícios aos consumidores, permitindo a realização de transferências, pagamentos e investimentos em poucos segundos, diretamente por aplicativos e plataformas eletrônicas.
Contudo, essa evolução tecnológica também ampliou a atuação de criminosos especializados em fraudes digitais, impondo às instituições financeiras um dever cada vez mais rigoroso de proteção dos dados e do patrimônio de seus clientes.
A atividade bancária é considerada uma prestação de serviços submetida às normas do Código de Defesa do Consumidor, por essa razão, as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos causados aos consumidores em decorrência de falhas na prestação dos serviços, independentemente da demonstração de culpa.
Observa-se que a responsabilidade objetiva decorre do chamado risco da atividade econômica, significa dizer que quem aufere lucro com a exploração de determinada atividade deve suportar os riscos inerentes ao negócio e adotar mecanismos eficientes para evitar prejuízos aos consumidores.
No âmbito das transações eletrônicas, esse dever compreende a implementação de sistemas de autenticação seguros, monitoramento de operações suspeitas, mecanismos de confirmação de identidade, bloqueios preventivos e ferramentas capazes de detectar movimentações incompatíveis com o perfil habitual do correntista.
Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça vem consolidando o entendimento de que a segurança das transações eletrônicas não se limita à disponibilização de canais digitais, abrangendo também o dever de monitoramento preventivo das operações realizadas pelos correntistas.
Recentemente, ao julgar o Recurso Especial nº 2.222.059, a Corte Superior reafirmou que as instituições financeiras possuem o dever de adotar mecanismos eficazes para detectar e impedir operações potencialmente fraudulentas, especialmente quando destoarem do padrão habitual de movimentação do consumidor.
Em seu voto condutor, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva consignou que:
"O mesmo ambiente tecnológico que impulsionou essa evolução também se tornou um espaço de vulnerabilidades, exploradas por golpistas cada vez mais sofisticados. Por isso, é fundamental que a tecnologia continue sendo uma aliada não apenas na eficiência dos serviços, mas também na segurança dos usuários. A confiança no sistema financeiro digital depende do equilíbrio entre inovação e proteção. A tecnologia que facilitou o acesso aos bancos deve também ser a principal ferramenta na defesa contra os crimes virtuais. Incumbe às instituições prestadoras desses serviços investir no desenvolvimento de mecanismos inteligentes de prevenção e bloqueio de fraudes, capazes de identificar comportamentos suspeitos e agir rapidamente para evitar prejuízos."
Nesse contexto, a segurança das operações financeiras ultrapassa os limites de uma simples obrigação contratual para assumir a condição de verdadeiro dever jurídico inerente ao exercício da atividade bancária. Ao explorar profissionalmente serviços financeiros e auferir os benefícios econômicos deles decorrentes, as instituições financeiras assumem a responsabilidade de empregar mecanismos adequados de prevenção, monitoramento e controle, aptos a garantir a confiabilidade do sistema e a proteção do patrimônio dos consumidores.
Deste modo, em um mercado cada vez mais digitalizado, a proteção do consumidor não pode depender exclusivamente de sua cautela individual, mas deve ser compartilhada por aqueles que detêm os meios técnicos, a expertise e o dever jurídico de garantir a integridade das transações financeiras.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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