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Meio ambiente

Proteção às florestas e a Lei do Retorno

Avanço do desmatamento, eventos climáticos extremos e perda de biodiversidade reforçam que a conservação das áreas verdes é condição para a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável.

Marília Fanucchi

Marília Fanucchi

20/7/2026 15:00

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O ser humano tem construído as civilizações com interferências cada vez mais profundas no ambiente natural, interferindo nas condições de vida de todos os seres vivos, incluindo a nossa espécie.

Podemos citar exemplos em todos os continentes, algumas mais significativas do que outras, mas todas com supressão de áreas florestais, matas ciliares, campos etc., interferindo diretamente na biodiversidade local pela perda de habitat. Em princípio, os seres humanos construíram as cidades usando as árvores nas construções e geração de energia.

Pouco tempo depois, principalmente após a revolução industrial, os efeitos da mudança da paisagem não foram apenas visuais e começaram a refletir sobre a saúde das pessoas pela qualidade do ar respirado, pela disponibilidade de água e fertilidade do solo.

Poderíamos apontar as consequências do desmatamento como um exemplo da Lei do Retorno, onde cada ação poderia gerar uma reação.

Será um jeito simplista de pensar?

A ciência e o conhecimento adquirido ao longo de anos são capazes de quantificar os prejuízos causados pelo desmatamento: perda da qualidade de vida, escassez de água, problemas de saúde para todos os seres vivos, mudanças expressivas no clima e eventos extremos cada vez mais frequentes.

E, mesmo assim, as florestas e áreas verdes naturais continuam sofrendo ações de destruição dentro e fora das cidades.

Nas áreas rurais, a desculpa é a expansão de áreas cultiváveis, numa agricultura que nem sempre respeita o que a ciência aponta como caminho menos danoso. Nos centros urbanos, a desculpa é a necessidade de construir casas para mais pessoas, ruas para mais carros e dar espaço aos cabos de energia com podas e supressão de árvores que deixam as cidades quentes, impermeáveis e altamente poluídas.

Em ambos os casos, os executores das árvores apontam a compensação pelo corte de seres adultos, por mudas mal plantadas e mal-cuidadas, incapazes de realizar as funções ambientais de suas antecessoras, numa compensação que não compensa.

Arborização urbana, reflorestamento e manejo sustentável são apontados como medidas essenciais para enfrentar a crise climática, proteger a biodiversidade e reduzir impactos sobre a população.

Arborização urbana, reflorestamento e manejo sustentável são apontados como medidas essenciais para enfrentar a crise climática, proteger a biodiversidade e reduzir impactos sobre a população.Magnific

Para além da ação humana, o fenômeno El Niño amplia ainda mais o cenário de catástrofe: secas prolongadas, incêndios florestais e inundações e deslizamentos.

Mas, certamente, esse cenário não pode nos paralisar, tirando de nós a responsabilidade pela mudança possível, utilizando o conhecimento científico para agir, alterar a rota de colisão, não só nos preparando para enfrentar os eventos climáticos extremos, mas também para buscar regular o clima por meio do reflorestamento de áreas desflorestadas e a conservação de áreas verdes em todos os biomas.

Ou seja, realizar ações que impliquem na Lei do Retorno com um retorno diferente no inicialmente citado: melhora da qualidade de vida nos grandes centros urbanos, possibilitar a recarga de água em reservatórios e lençóis freáticos, diminuição de problemas de saúde, recomposição de habitats e aumentos da biodiversidade, adaptação aos eventos extremos e diminuição de catástrofes climáticas.

Neste Dia de Proteção às Florestas a preservação de áreas florestais e a arborização urbana precisam estar presentes no pensamento de governantes responsáveis por seu papel em todos os níveis de governo, na decisão de empresários de todos os setores e de cidadãos que vivem em áreas rurais ou urbanas.

Lutar pela preservação do verde urbano - parques, praças e arborização de ruas e florestas urbanas -, e pelas áreas verdes rurais - matas, campos, bosques e florestas -, deixou de ser militância ambientalista.

A redução de emissões por desmatamento e o manejo sustentável de florestas são essenciais para atrair financiamentos que banquem o custo dessas ações. Recursos esses que precisam ser geridos responsavelmente, com políticas públicas que levem em consideração a ciência, a sociedade e a justiça ambiental.

É uma obrigação de todos nós para continuarmos a habitar o planeta que nós mesmos "deformamos".


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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