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Educação financeira
27/8/2026 15:26
Os brasileiros depositaram R$ 220,6 bi em bets no ano passado, segundo o Ministério da Fazenda. O número de pessoas que fez ao menos uma aposta chegou a 25 milhões. Esses números dão a dimensão do fenômeno das apostas online na vida financeira dos brasileiros.
As bets passaram a consumir uma parcela relevante do orçamento dos brasileiros e os efeitos começam a ser percebidos em diferentes setores da economia. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que a inadimplência associada às apostas tenha retirado R$ 143 bilhões do varejo entre janeiro de 2023 e março de 2026.
Segundo a entidade, o valor equivale às vendas do comércio nos períodos de Natal de 2024 e 2025 somadas.
Mas quem é o apostador? O Raio X do Investidor Brasileiro, da ANBIMA, mostra que a maioria é homem, tem em média 35 anos. Para 39% deles, apostar é uma maneira de tentar ganhar dinheiro rapidamente em momentos de necessidade.
Quando alguém recorre a uma aposta em um momento de dificuldade econômica esperando obter dinheiro rapidamente, estamos falando de algo diferente de entretenimento. Estamos falando também da maneira como essa pessoa compreende risco, probabilidade, investimento e a própria relação com o dinheiro.
O problema é que a lógica das apostas se apoia justamente em uma combinação poderosa: acesso fácil, resposta imediata e expectativa de recompensa. Diferentemente de outras formas de entretenimento, nas bets existe a possibilidade, ainda que remota, de recuperar o dinheiro gasto e até multiplicá-lo. Para quem está sob pressão financeira, essa promessa pode ganhar um peso ainda maior.
É por isso que o avanço das apostas não deve ser analisado apenas como uma mudança de hábito de consumo. Ele também revela como milhões de pessoas estão tomando decisões financeiras em um ambiente cada vez mais complexo, no qual entretenimento, consumo, crédito e expectativa de ganho se misturam na mesma tela.
Diante desse cenário, fica evidente a necessidade de ensinarmos educação financeira aos nossos jovens. Falar abertamente sobre esse tema na sala de aula vai além de ensinar orçamento, poupança ou investimentos, é uma forma de proteção.
Ensinar educação financeira não significa apenas explicar quanto rende uma aplicação ou como funciona um orçamento. Significa ajudar um jovem a entender a diferença entre investir e apostar, entre desejo e necessidade, entre risco calculado e promessa de ganho fácil. Em um mundo em que crédito, consumo, investimentos e bets estão todos a poucos cliques de distância, esse conhecimento se tornou parte da formação para a vida.
Esse aprendizado precisa começar cedo e, para isso, a escola tem um papel decisivo. Mas não basta incluir o tema no currículo: é preciso dar ao professor repertório, informação e ferramentas para transformar conceitos econômicos em situações próximas da vida dos estudantes.
Foi com esse propósito que criamos o TINO Econômico, um jornal para jovens sobre educação financeira, finanças, economia e geopolítica, sempre buscando mostrar como decisões tomadas por governos, empresas e mercados em diferentes partes do mundo podem afetar o nosso cotidiano, o preço dos produtos, o emprego, os investimentos e as escolhas que fazemos com o dinheiro.
Quanto mais conhecimento os jovens tiverem sobre educação financeira, mais preparados estarão para reconhecer promessas falsas de ganho fácil e tomar decisões mais conscientes sobre o dinheiro.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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