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Eleições 2026
31/8/2026 15:00
Nas eleições de 2026, 72 horas é o tempo que separa o recebimento de um recurso da obrigação de informá-lo à Justiça Eleitoral. A regra vale para partidos, candidatas e candidatos, que devem comunicar os recursos financeiros recebidos para o financiamento da campanha nesse prazo. Os dados são posteriormente divulgados na internet.
É dessa janela de transparência que vem o nome 72horas.org, plataforma independente que acompanha a movimentação dos recursos eleitorais a partir dos dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A regra não é apenas uma formalidade. Ela permite acompanhar, durante a própria campanha, como o dinheiro público está chegando às candidaturas — e não apenas descobrir os valores depois que a eleição terminou.
Na atualização do painel realizada em 28 de agosto de 2026, o 72horas.org registrava R$1,817 bilhão em repasses declarados pelas candidaturas. O PL aparecia na liderança, com R$524,5 milhões, seguido pelo PT, com R$320,1 milhões, PP, com R$160,9 milhões, e PSD, com R$140 milhões.
Na sequência estavam União, com R$102,4 milhões; PSOL, com R$87,4 milhões; Republicanos, com R$87,3 milhões; e PSC, com R$81,7 milhões.
Os números mostram uma forte concentração dos recursos declarados entre as maiores legendas, mas também revelam outra dimensão da disputa: nem todas as candidaturas já receberam dinheiro.
13,6 mil candidaturas ainda não declararam recursos
O painel registra 20.769 candidaturas nas eleições de 2026. Dessas, 7.080, ou 34,09%, já haviam declarado recebimento de recursos em 28 de agosto. Outras 13.689, equivalentes a 65,91%, ainda não apresentaram declaração de recebimento.
A situação varia bastante entre os partidos.
O PL tinha 952 candidaturas com recursos declarados, contra 684 sem declaração. No Novo, eram 826 com recursos e 472 sem recursos. O PT registrava 599 candidaturas com recursos e 504 sem declaração.
No PSD, havia 489 candidaturas com recursos e 640 sem declaração. No PP, eram 326 com recursos contra 731 sem declaração. No União, 316 candidaturas haviam declarado recursos e 391 ainda não.
Esses números não significam, necessariamente, que uma candidatura sem declaração não tenha recebido dinheiro. Eles representam a informação disponível na base consultada pelo 72horas.org no momento da coleta.
Como as prestações de contas são dinâmicas, novos lançamentos, transferências e correções podem alterar essa fotografia.
Deputados federais concentram quase R$ 1 bilhão
As campanhas para a Câmara dos Deputados concentram a maior parcela dos repasses registrados.
Até 28 de agosto, candidaturas a deputado federal havia declarado R$975,7 milhões em recursos recebidos.
O PL liderava com R$254 milhões, seguido pelo PT, com R$172,2 milhões, e pelo PP, com R$98,2 milhões.
Na sequência apareciam PSD, com R$75,9 milhões; União, com R$63,1 milhões; Republicanos, com R$50,7 milhões; PSC, com R$50,4 milhões; e PSOL, com R$46,9 milhões.
Em número de candidaturas, a diferença também é expressiva: 2.884 candidatos a deputado federal haviam declarado recebimento de recursos, enquanto 4.841 ainda não apresentavam essa informação.
A fotografia ajuda a dimensionar a desigualdade de acesso ao financiamento durante a campanha, mas não permite, isoladamente, explicar os critérios usados pelos partidos para definir quanto cada candidatura recebe.
Nos governos, PL e PT também lideram
Nas disputas pelos governos estaduais, as candidaturas haviam declarado R$193,5 milhões em repasses.
O PL aparecia novamente na liderança, com R$67,2 milhões, seguido pelo PT, com R$31,3 milhões, e pelo PDT, com R$23 milhões.
PSD registrava R$13,7 milhões; PSDB, R$13,6 milhões; Republicanos, R$13,5 milhões; União, R$13,2 milhões; e PP, R$11,1 milhões.
No mesmo recorte, 98 candidatos a governador haviam declarado recebimento de recursos e 100 ainda não apresentavam essa declaração.
No Senado, PL soma R$ 54,8 milhões
As candidaturas ao Senado haviam declarado R$174 milhões em repasses.
O PL liderava, com R$54,8 milhões, seguido pelo PT, com R$35,9 milhões, e pelo PDT, com R$21,1 milhões, PP aparecia com R$12,4 milhões; PSC, com R$9,7 milhões; União, com R$9,1 milhões; e PSD, com R$8,2 milhões.
Ao todo, 149 candidaturas ao Senado haviam declarado recebimento de recursos, enquanto 169 ainda não apresentavam essa informação.
E nas assembleias legislativas?
Para deputado estadual, os repasses declarados somavam R$405,6 milhões.
O PL liderava novamente, com R$127,4 milhões, seguido pelo PT, com R$43,9 milhões; PSD, com R$41,6 milhões; e PP, com R$39,1 milhões, PSOL registrava R$29,4 milhões; PSC, R$21,4 milhões; Republicanos, R$18,1 milhões; e União, R$16,9 milhões.
Nesse segmento, 3.788 candidaturas haviam declarado recebimento de recursos, enquanto 7.421 ainda não apresentavam essa declaração.
O que 72 horas permite enxergar
A principal diferença do monitoramento feito pelo 72horas.org é o acompanhamento durante a campanha.
A regra das 72 horas cria uma janela de transparência: depois que o recurso é recebido, existe um prazo para que a informação seja encaminhada à Justiça Eleitoral e disponibilizada ao público.
Isso permite acompanhar não apenas quanto dinheiro cada partido recebeu, mas também quanto chegou às candidaturas, para quem foi destinado e em que momento.
É uma diferença importante.
Duas candidaturas podem receber o mesmo valor, mas em momentos completamente diferentes. Quem recebe primeiro têm mais tempo para contratar serviços, produzir material, organizar deslocamentos e estruturar sua campanha.
Por isso, o financiamento eleitoral não deve ser observado somente pelo valor final distribuído. O tempo também importa.
E é justamente essa dimensão que o nome 72horas.org procura traduzir: a cada novo recurso recebido, existe uma janela de até três dias para que essa informação entre no sistema público de acompanhamento eleitoral.
O dinheiro público e as regras de distribuição
O monitoramento também permite acompanhar a distribuição dos recursos entre diferentes grupos de candidaturas.
As regras eleitorais estabelecem critérios específicos para a aplicação dos recursos públicos em candidaturas de mulheres e de pessoas pretas e pardas. O acompanhamento desses valores é especialmente importante porque a distribuição não ocorre necessariamente de uma única vez.
Assim, a fotografia de 28 de agosto não representa o resultado final da distribuição. Ela mostra o que já foi declarado até aquele momento.
Novos repasses poderão alterar os percentuais e os valores registrados nos próximos dias, especialmente diante dos prazos eleitorais que se aproximam.
Uma fotografia em movimento
O Fundo Eleitoral de 2026 movimenta bilhões de reais em recursos públicos. Parte desse dinheiro já chegou às candidaturas. Outra parte ainda não aparece como recebida na base pública acompanhada pelo 72horas.org.
O desafio da transparência é justamente acompanhar esse percurso.
Quanto foi recebido? Quem recebeu? Quanto chegou à candidatura? Quando o recurso apareceu?
A cada atualização, a resposta pode mudar.
Na fotografia de 28 de agosto de 2026, o PL liderava os repasses declarados, com R$524,5 milhões, seguido pelo PT, com R$320,1 milhões. Ao mesmo tempo, quase dois terços das candidaturas ainda não haviam declarado recebimento de recursos.
O próximo retrato poderá ser diferente.
Mas uma coisa permanece: o dinheiro recebido para a campanha tem 72 horas para começar a aparecer nos dados públicos da Justiça Eleitoral.
É essa janela que o 72horas.org acompanha.
Fonte: 72horas.org /Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Dados atualizados em 28 de agosto de 2026, 14h.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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