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Eleições 2022

O problema do Lula é o Lula

Basta ver como alguns colunistas e jornalistas agiram ao acusarem Lula de fazer uma falsa-simetria entre os presidentes Putin (Rússia) e Zelensky (Ucrânia) desandaram a fazer falsas-simetrias entre Lula e Bolsonaro.

Cleber Lourenço

Cleber Lourenço

7/5/2022 | Atualizado às 17:08

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Exame realizado no Hospital Sírio-Libanês indica normalidade na laringe de Lula, que deve retornar a Brasília.  Foto: Ricardo Stuckert

Exame realizado no Hospital Sírio-Libanês indica normalidade na laringe de Lula, que deve retornar a Brasília. Foto: Ricardo Stuckert
Não é que Lula seja um ser superior, isento de erros, quase celestial, na verdade ele erra (e muito) assim como eu, você e qualquer pessoa. Mas há quem exagere na tese de que “Lula estaria elegendo Jair Bolsonaro”. Ok, a sua campanha até o momento não conseguiu alinhar o mais básico: a comunicação, uma disputa por atenção entre seus apoiadores mais próximos virou um verdadeiro “tiroteio” de notas em off na imprensa. E, sim, não acho que falas do ex-presidente sobre a Ucrânia estejam erradas (já falei sobre isso aqui), tampouco como a fala sobre o aborto. Também é inegável o fato de que Lula entra em alguns debates “exóticos” para quem ainda não tem uma comunicação eficiente e definida. O que circula por aí, seja nas ruas, seja nas redes, é mais por conta do tamanho da sua figura na política nacional e paixão dos militantes do que estratégia estruturada. É até cômico que as mesmas pessoas que creditam a vitória de Bolsonaro ao uso massivo das redes sociais (algo em que eu não acredito totalmente) são as que hoje dizem que as redes sociais não são determinantes e que a campanha do Lula não deveria se preocupar com isso. Mas vamos ao que interessa! Independente dos erros em algumas falas ou dos tropeços na comunicação da pré-campanha, já está claro que parte da imprensa e de alguns grupos políticos está frustrada com o naufrágio da caricata terceira via e agora embarca em algo que eu chamo de “bolsonarismo diet”. A entrevista do ex-presidente para a revista Time é um exemplo disso. Basta ver como alguns colunistas e jornalistas agiram ao acusarem Lula de fazer uma falsa-simetria entre os presidentes Putin (Rússia) e Zelensky (Ucrânia) desandaram a fazer falsas-simetrias entre Lula e Bolsonaro. O tema que representa um terço da entrevista como um todo tomou todo o noticiário, com direito a comentarias políticos falando com olhar direcionado para a câmera e apertando os olhinhos para dizerem como Lula é malvado e perverso. Além das notinhas plantadas na imprensa que renderam vistosas manchetes como: “Lula é o maior cabo eleitoral do Bolsonaro”. Quantas vezes você escutou “Bolsonaro irá eleger Lula” após o presidente dizer um de suas inúmeras estultices? Estultices que vão desde chacota com pessoas morrendo asfixiadas pela covid-19 até o mais profundo desdém com os brasileiros e suas dificuldades. Essa fixação nos “erros” fez com que algumas coisas interessantes da entrevista passassem despercebidas, como, por exemplo, o fato de que revista Time disse que Lula estava em um exilio político! Somando-se ao fato de que, na semana passada, a ONU apontou a suspeição de Moro e a perseguição política que Lula sofreu. Reafirmando que é assim que O MUNDO reconhece a atuação do Moro como juiz federal e da Lava Jato: uma farsa. Além disso, essa insistência toda em demonizar Lula faz com que coisas escabrosas em qualquer democracia, aqui, tornem-se coisas corriqueiras. Como a intromissão indevida dos militares no processo eleitoral, ou o fato de que o presidente do país esteja trabalhando paulatinamente para tentar tumultuar as eleições, potencializar a violência política e reduzir a importância da nossa Constituição Federal, enquanto, dia após dia, alarga o alambrado da normalidade democrática. Vejam só como normalizamos e tornamos tolerável coisas que são intoleráveis. Em 2018, Bolsonaro negou a escravidão no Brasil, comparou quilombolas a animais e ameaçou de morte opositores e minorias sociais. Na ocasião, mesmo após declarações deste tipo, Bolsonaro não foi taxado como um extremista, na verdade a imprensa brasileira tratou de Bolsonaro de forma muito cuidadosa e cheia de dedos. Houve até quem dissesse que era muito difícil ter que escolher entre um troglodita antidemocrático e um professor que sempre respeitou a dignidade humana e a democracia brasileira. Outro exemplo disso é o próprio Moro. O ex-tudo defendeu barbaridades como o excludente de ilicitude e sempre esteve ao lado do bolsonarismo. Mesmo sempre acenando para eleitores e teses de extrema-direita, como o pacote anticrime, ainda é tratado como alguém moderado. Sim, o Petáin de Maringá é apresentando como um centrista. E, agora, temos essa falácia absurda protagonizada pelos mesmos que, segundo as suas alegações, teriam garantido a eleição de João Amoêdo (então candidato do partido Novo) ainda no primeiro turno de 2018, tendo em vista a fartura de declarações de pessoas que teriam votado nele, mas que terminou com míseros 2,50% dos votos. Quem adere ao bolsonarismo justificando uma ou outra fala do Lula já não iria votar no petista em hipótese alguma, tampouco é alguém moderado. Só estava buscando um novo Amoêdo para se sentir moralmente superior. Para os insatisfeitos com as falas do Lula não faltam opções no campo da democracia. Ciro e Doria são exemplos essas opções. E não sou eu que digo isso, são as pesquisas! A última pesquisa Ipespe mostra que Lula liderando. Oscilou dentro da margem de erro (-1). A distância entre os dois permanece a mesma. Dos últimos meses. E se você comparar pesquisas de outros institutos verá também não muda muito. Por exemplo, se você comparar todas as pesquisas feitas pela Ipec verá que não mudou muita coisa, a mesma situação quando comparamos as pesquisas do Paraná Pesquisas e assim por diante. O “crescimento” do Bolsonaro é nada além do que a antecipação do segundo turno, tanto é que ele cresce para próximo da quantidade de votos que teria nas pesquisas de segundo turno. Como a terceira via perdeu o seu “charme” extremista com Moro e bolsonaristas Nuttella como Eduardo Leite, os extremistas que orbitavam o grupo voltaram para o extremista-mor da República. Não é que todo o eleitorado de 3ª fosse extremista. Na verdade é havia um monte de extremistas envergonhados no meio. Os verdadeiramente eleitores de centro (e aí que fique claro: não acho que Lula seja um extremista, Lula se encontra na centro-esquerda) estão nos quase 15% que orbitam entre Ciro, Doria e afins. A última pesquisa Ipespe também revelou que a maioria da população não aprovou a decisão do Bolsonaro em conceder perdão a Daniel Silveira. Apenas 29% aprovaram, os outros 56% não aprovaram (15% não responderam). Jair não consegue expandir seu eleitorado. E vejam só como isso só reforça a tese de antecipação do segundo turno. O número de entrevistados que concordam com o indulto ao Daniel é quase o mesmo de eleitores que votariam no Jair no primeiro turno (29% e 31% respectivamente). E, ao que tudo indica, esse endosso ao bolsonarismo não virá de forma tácita e aberta, será mais sutil e discreto. Infelizmente parte da imprensa realmente irá normalizar um agressor contumaz da democracia e da imprensa. Lula fez um governo que foi generoso e cheio de benesses para empresários, bancos e até mesmo militares. Por qual motivo esses setores possuem tanta implicância com o ex-presidente? É o prenúncio de um fenômeno que eu já apontei acima, um movimento que irá nascer após o dia 2 de outubro: o bolsonarismo diet com limão. Não importa o que Lula fala ou deixou de falar. O que me leva a crer que o problema não está nas falas e sim em quem as faz, no caso, o ex-presidente Lula.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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