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E não se diga que não se sabia

Da Constituição de Weimar ao trumpismo, autoritarismos avançam com voto, aplauso e omissão.

Cezar Britto

Cezar Britto

13/1/2026 14:00

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No distante 1919, a Alemanha apresentou ao mundo a Constituição de Weimar. A República por ela instalada permitiu que o povo alemão vivenciasse a plenitude de um Estado Social que florescia naquele rincão da Europa. Acreditava-se que a chamada Era das Constituições Sociais – também impulsionada pela Constituição Mexicana de 1917 – consolidaria a dignidade da pessoa humana, os direitos humanos, a paz e a Democracia como princípios fundamentais da organização política.

Esqueceram, entretanto, de combinar com os déspotas, os que odeiam, os poderosos, os arrogantes, os supremacistas e os exploradores da pessoa. Na Alemanha, eles escolheram um candidato que, sem qualquer disfarce, anunciava que asgaria a Constituição e aboliria o Estado Democrático de Direito. Gostaram dele porque prometia "fazer a Alemanha Grande de novo", ainda que isso exigisse violência, mentiras reiteradas, perseguição à imprensa, fechamento de universidades e aniquilação sistemática do pensamento divergente. Vibraram, inclusive, quando ele afirmou que, eleito, iria matar, torturar, sequestrar, prender, humilhar e desprezar a vida de todos aqueles que não se enquadrassem no ideal ariano.

Eleito, cumpriu o que prometeu. A Alemanha que se dizia destinada à grandeza passou a violar as fronteiras, os tratados internacionais e a soberania de outras de diversas nacionalidades. Países foram invadidos, territórios anexados, povos subjugados e os espólios dos vencidos repartidos entre os gananciosos financiadores da guerra. E, como previamente anunciado, instituiu o Holocausto, ceifando a vida de milhões de judeus, comunistas, opositores políticos, trabalhadores, pessoas com deficiência, ciganos e vários outros grupos vulnerabilizados. E assim, com apoio de grandes grupos econômicos e ampla adesão social, Adolf Hitler iniciou a Segunda Guerra Mundial e espalhou o terror nazista por todos os cantos do planeta.

No distante 1776, uma Revolução Liberal apresentou ao mundo a Independência dos Estados Unidos. As declarações dela derivadas sinalizavam que a liberdade havia encontrado uma forma de governo para chamar de sua. O exemplo estadunidense inspirou outras revoluções e movimentos anticoloniais, como a Revolução Francesa, a Revolução do Haiti e a Inconfidência Mineira. Acreditava-se, assim, que das terras estadunidense não mais brotariam ideais absolutistas, colonialistas ou autoritários.

Promessas de grandeza já abriram caminho para ditaduras, guerras e crimes contra a humanidade.

Promessas de grandeza já abriram caminho para ditaduras, guerras e crimes contra a humanidade.Molly Riley/Casa Branca

Mais uma vez, esqueceram de combinar com os déspotas, os que odeiam, os poderosos, os arrogantes, os supremacistas e os exploradores da pessoa humana. Em duas eleições, escolheram um candidato que, sem máscaras, apresentou uma plataforma abertamente hostil ao Estado Democrático de Direito e à dignidade da pessoa humana, especialmente daqueles que não fossem brancos e ricos. Elegeram ele, também, porque prometia "fazer os Estados Unidos grandes de novo", ainda que para isso exigisse violência, mentiras repetidas, perseguição à imprensa, fechamento de universidades e outras formas de aniquilação do pensamento divergente".

Empossado presidente, Donald Trump passou a cumprir o que prometeu. Sob o slogan indisfarçado Make America Great Again (MAGA), violou normas e tratados internacionais, impôs ao mundo um violento tarifaço, invadiu a Venezuela e sequestrou seu presidente, apreendeu e confiscou petroleiros, cortou verbas das universidades, expulsou entidades defensoras dos direitos humanos, interferiu no Poder Judiciários e relativizou a autonomia dos governadores. E, como previamente anunciado, implementou a perseguição a imigrantes, palestinos, trabalhadores e vários grupos vulnerabilizados. E assim, com apoio de grandes grupos econômicos e parcela expressiva da sociedade estadunidense, passou a espalhar o seu autoritarismo para todos os cantos do planeta, ameaçando invadir ou se apropriar de territórios como México, Canadá, Groelândia e, simbolicamente, de toda a América Latina.

Hoje, o povo alemão sabe que Hitler não foi nazista sozinho, assim como os italianos compreendem que Mussolini não espalhou o fascismo pelo mundo comandando, solitário, um exército. Ambos foram eleitos, apoiados e estimulados pela ampla maioria dos habitantes de seus países, embora a diplomacia internacional insista em personalizar culpa pelo graves crimes cometidos contra a humanidade.

Independentemente das acusações dirigidas ao presidente dos EUA ̶ verdadeiras ou não ̶ é preciso compreender que ele não age isoladamente. Seus atos são aceitos, estimulados e legitimados por uma maioria que apoia, aplaude e o ama o seu líder. Assim como a comunidade internacional – por concordância, medo ou omissão – nada faz. E da mesma forma que ocorrera nos outros países que abraçaram o autoritarismo, todos aqueles que aceitaram a opressão soprada pelos ventos estadunidenses, poderão, no futuro, afirmar: "Trump sou eu". E não poderão alegar, a mesma desculpa com o caso alemão, de que não se sabia do que já se era sabido.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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