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A hora da decisão se aproxima

Crise fiscal, crime organizado e educação exigem respostas profundas e podem redefinir a disputa eleitoral.

Marcus Pestana

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28/3/2026 8:00

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O próximo presidente da República terá que dar um choque transformador no país, se quisermos ter ambições maiores em relação ao futuro do Brasil. Algumas questões estão chegando ao limite do sustentável e exigirão respostas eficazes e profundas.

Cito três. O estrangulamento fiscal atingirá seu ápice no próximo mandato, com o engessamento quase pleno do orçamento constrangendo a capacidade de investimento em ações que poderiam estimular o crescimento acelerado e sustentado, e a permanência de déficits primários e do incômodo crescimento da dívida pública rumo ao arriscado patamar de 100% do PIB, em 2030.

Também o combate ao crime organizado demanda uma virada de mesa. O grau de sofisticação e enraizamento de organizações, como PCC e Comando Vermelho, chegou a nível insuportável. É inaceitável a existência de um verdadeiro Estado paralelo, com leis e instituições próprias, em vastos territórios dominados e expressivo contingente populacional escravizado. O SUSP – Sistema Único de Segurança Pública – precisa deixar de ser apenas uma boa ideia para integrar ações efetivas de enfrentamento e gerar soluções consistentes e duradouras.

Por último, a incompleta revolução educacional. Caminhamos para o 3º. Plano Nacional de Educação (PNE), garantimos vinculação do orçamento setorial às receitas, ampliamos a complementação federal ao FUNDEB de R$ 15,8 bilhões, em 2020, para R$ 70 bilhões este ano, e os resultados, em termos de qualidade do ensino e desempenho de nossas crianças e jovens, permanecem desalentadores e aquém do necessário. Como essa molecada vai chegar ao mercado de trabalho e conviver com IA, tecnologias de informação, robótica, sem o mínimo de proficiência em matemática, língua portuguesa e ciências?

Desafios estruturais pressionam o país enquanto polarização Lula-Bolsonaro pode ser testada por novas candidaturas.

Desafios estruturais pressionam o país enquanto polarização Lula-Bolsonaro pode ser testada por novas candidaturas.Tânia Rêgo/Agência Brasil

Estamos a 6 meses da eleição presidencial. Há uma frase atribuída a Tancredo Neves: "o único prazo que político respeita é o prazo legal". Antes disso, valem balões de ensaio, especulações, blefes, bravatas. Quando chega o prazo legal, parte das cartas têm que ir à mesa. Na próxima semana, esgota-se o prazo de desincompatibilização e de filiação partidária.

Hoje o cenário parece cristalizado por uma polarização solidamente estabelecida entre o lulismo e o bolsonarismo. O país estaria, segundo as pesquisas, decidido e radicalmente dividido entre as candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro. Lula carrega as dores e as delícias de 18 anos do PT no poder. Flávio herda a condução desastrosa da pandemia e a tentativa de golpe contra a democracia. Os dois polos hegemônicos se retroalimentam. Não só a identidade e as convicções movem seus eleitores, mas também a rejeição sectária contra o adversário.

No entanto, outra raposa mineira disse que a política é como as nuvens, mutável e traiçoeira. Já o filósofo alemão cravou: "tudo que é sólido desmancha no ar". Uma grande novidade pode surgir nos próximos dias a partir do posicionamento do PSD. Lançando o bem avaliado e experiente governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para disputar com Flávio os votos da direita, ou projetando o jovem, bem-sucedido e talentoso governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, como símbolo do centro progressista, buscando a construção de uma efetiva terceira via, de olho no apoio de uma parcela expressiva da população, que não suporta mais a polarização que enxerga como radical, estéril e esgotada.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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