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30/6/2020 | Atualizado 10/10/2021 às 17:34

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Ato em defesa da democracia e contra o racismo realizado em Brasília em 7 de junho [fotografo]Mídia Ninja[/fotografo]

Ato em defesa da democracia e contra o racismo realizado em Brasília em 7 de junho [fotografo]Mídia Ninja[/fotografo]
O Movimento Direitos Já! fez um histórico ato virtual suprapartidário no último dia 26 de junho. Apenas três dias depois, a OAB lançou uma campanha pela democracia, assinada por setenta entidades da sociedade civil. >Câmara vai ao STF contra o Senado para votar MPs da pandemia novamente É pouco provável que tantos atores importantes estejam se mobilizando em torno de uma causa fictícia. A democracia está ou não ameaçada? A Frente Democrática já provou sua importância quando impediu a transferência de Lula para Tremembé. Está unida na defesa do jornalismo, vítima cotidiana de agressões. Impediu que o Planalto indicasse “Reitores biônicos” para as universidades federais durante a pandemia. Foi ela que derrotou Guedes e impôs o auxilio emergencial de 600 reais por três meses. O caos econômico e social é o que desejam as milícias bolsonaristas. É uma Frente eleitoral? Claro que não. Participar dela significa se submeter aos ditames de alguns de seus integrantes? Afirmar isso é uma grande bobagem. É fugir da disputa. Muitos atores, descolados da lógica da disputa partidária, militam pela democracia. Vamos deixar que fiquem sob a influência exclusiva dos liberais? Seria um grande equívoco As críticas mais ácidas à construção ampla partem dos que se agarram ao “congelamento da derrota” sofrida no impeachment de Dilma. Por essa visão míope, o Brasil estaria dividido entre golpistas neoliberais e “não golpistas portadores de uma moral superior”. Votaram contra a saída de Dilma o PT, o PDT, o PCdoB e o PSOL. Apenas 136 votos. Vamos ficar chamando todos os outros de traidores da pátria e vagabundos? Num eventual segundo turno em 2022, vamos pedir o apoio deles contra Bolsonaro? Por este raciocínio, o PSB estaria excluído até da Frente de Esquerda. O PDT e o PT estão em guerra. Considerando que o PSOL não participa nem da “Frente PT-PCdoB” Brasil Popular, quem sobraria? Só pode conversar com os liberais se eles aderirem ao impeachment? Existem 19 pedidos no Congresso, por que não andam? É uma baita ilusão achar que a esquerda vai conseguir algo sozinha. A disputa real é dura, não é uma competição de bravura. Além de inconsequente, este discurso não é razoável. Quem fez do banqueiro Henrique Meireles presidente do BC? Quem nomeou o “Chicago Boy” Joaquim Levy ministro da Fazenda? Dialogar com liberal agora é crime? É preciso ter um mínimo de respeito pela memória das pessoas. Todos os partidos e ex-presidentes da República foram convidados para o ato virtual. Não é possível usar o espantalho da “tentativa de isolamento”. Seria mais honesto assumir o isolamento como uma estratégia política. É legítima, apesar de equivocada. É um grave erro comparar a conjuntura atual com a dos anos 80, defendendo a recusa do “novo colégio eleitoral”. Sem entrar no mérito da decisão, vivíamos naquela época um momento de abertura e ascensão da luta democrática. A Constituição Cidadã é produto disto. É o mesmo ambiente e a mesma correlação de forças de hoje? A condenação de Lula é um absurdo. Bolsonaro vai indicar dois ministros para o STF. A situação vai melhorar? A melhor forma de reverter este quadro é ganhando as próximas eleições. Seria bom revisitar o conceito de hegemonia. Exigirá menos fígado e mais frieza. Frente Ampla ou Frente de Esquerda? As duas, concomitantes. Uma para barrar o autoritarismo e ampliar nosso diálogo com a sociedade. A outra para garantir um programa que recoloque o país no rumo do desenvolvimento com justiça social. >Mais textos do colunista Ricardo Cappelli
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