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A escalada retórica extremista de Trump nos dá uma pista do que seria um eventual segundo mandato. Será assustador pagar para ver

Gisele Agnelli

Gisele Agnelli

18/11/2023 16:01

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"Faça a América grande novamente": lema trumpista ganha força mesmo com os problemas judiciais envolvendo o ex-presidente. Foto: Pexels

“Eu sou um orgulhoso negacionista eleitoral” (Donald Trump)

Trump, ao final do primeiro mandato, sepultou de vez uma tradição da política americana: fazer uma transição de poder pacífica. O autoritarismo mostra suas garras quando o sistema de pesos e contrapesos, fundamental sustentáculo da democracia americana, é desafiado pelo ex-líder do Poder Executivo, que, contraintuitivamente, parece ganhar cada vez mais força nas pesquisas eleitorais a despeito de todas as acusações que enfrenta, sendo a principal delas: conspiração por fazer alegações falsas sobre o sistema eleitoral e insurreição, acerca da Invasão do Capitólio, sede do Poder Legislativo Americano, em 6 de janeiro de 2021.

Na semana passada, em campanha em New Hampshire, Trump chamou seus opositores de “vermes”, palavra utilizada por Hitler e Mussolini no intento de desumanizar seus oponentes, entrando aqui definitivamente num léxico narrativo de cunho nazista. O ex-presidente sugeriu ainda que “marxistas, comunistas” representam piores ameaças para a América que países como Rússia ou China. Em outra entrevista, para um website de direita, Trump declarou que os imigrantes “envenenam o sangue do nosso país”, numa clara escalada xenofóbica em relação ao bordão da primeira campanha presidencial de Trump, tachando os imigrantes mexicanos de “traficantes e estupradores”, na melhor linha “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”, haja vista que Trump este ano foi acusado de estupro e condenado por abuso sexual e difamação. Mesmo numa democracia tão bem estabelecida como a norte-americana o autoritarismo é popular. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Público de Pesquisas Religiosas (PPR), quatro em cada dez entrevistados concordam com a ideia de se eleger um líder autoritário no intuito de manter os valores “cristãos” na sociedade. Há realmente raízes profundas antidemocráticas na terra do Tio Sam. A ideologia cristã-nacionalista (que teve início na década de 70) tem sido “revitalizada” em grande parte como uma reação à mudança demográfica em curso nos EUA, cada vez menos branco-cristã. Neste contexto, o bordão utilizado pelo ex-presidente Trump, “make America great again” (MAGA) ("faça a América grandiosa novamente"), responde como uma luva aos valores cristão-nacionalistas, declaradamente racistas, xenofóbicos, antissemitas e patriarcais. A vertente “MAGA” do partido Republicano mostrou sua força este ano num movimento sem precedente na política americana: a derrubada do presidente da Câmara, o republicano Kevin McCarthy e sua substituição por Mike Johnson, apoiado por Trump, e com pauta conservadora nos costumes ainda mais à direita que o próprio ex-presidente. Vale ressaltar aqui que a Câmara atualmente é composta por maioria republicana (O Senado é majoritariamente democrata), o que torna o cargo politicamente importantíssimo, haja vista a capacidade do presidente da casa de estabelecer uma agenda própria e independente da agenda do próprio presidente em exercício, Joe Biden. A escalada retórica extremista de Trump nos dá uma pista do que seria um eventual segundo mandato; um esgarçamento do tecido democrático-institucional até o limite: continuidade de indicações de juízes ultraconservadores para a Suprema Corte; possíveis indicações de aliados políticos ainda mais “leais” da extrema direita; políticas comerciais protecionistas; abandono do suporte americano à Ucrânia e maior foco em deportação em massa de imigrantes ilegais vivendo nos EUA; abandono de políticas de energia limpa estabelecidas por Biden e possível foco na produção de combustíveis fosseis e energia nuclear; diminuição dos fundos federais destinados ao ensino púbico e retorno da política de vouchers para escolas privadas (em sua maioria religiosas), saída do acordo de Paris e perdões presidenciais tanto a alguns dos próprios processos judiciais a que Trump responde; quanto perdão aos envolvidos na insurreição de 6 de Janeiro; ameaças aos demais poderes e perseguições a rivais políticos, com forte tom de revanchismo. Seria realmente assustador pagar para ver até onde a democracia americana resiste.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected]. Leia mais da mesma autora
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