Logo após a vitória da seleção brasileira, por 3 a 0, contra Gana, os deputados deveriam voltar às suas atividades normais. Deveriam. O presidente da Casa, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), havia marcado sessão de votação em plenário esta tarde. Mas, até as 17h, menos de 100 deputados tinham registrado presença - o quorum mínimo para votação é de 257 deputados.
Não foi possível votar os quatro itens que trancavam a pauta. Segundo Aldo, mesmo com o quorum alto da última semana, a Câmara não tem votado projetos por falta de acordo. "O governo tem medo de perder e a oposição de não ganhar", analisou o presidente hoje.
O presidente da Câmara disse que ouviu reclamações de deputados por ter marcado sessão deliberativa - quando há corte nos salários dos faltosos - para hoje, depois do jogo do Brasil. "Ouvi reclamações porque hoje é dia de jogo. Respondi que é dia de jogo e de votação também."
Segundo Aldo, "o campeonato mundial é um acontecimento muito distante do Brasil (geograficamente)", portanto "não pode servir de preposto para nós não termos quórum e votarmos as matérias que estão na ordem do dia".
Pelo corredor das comissões da Câmara, o clima era o mesmo do plenário, o vazio. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que também marcara sessão à tarde, poucos parlamentares registraram presença - o que acabou adiando as votações para amanhã. O único movimento existente era de servidores da Casa que, vez por outra, paravam em frente a uma HDTV (televisão de alta definição) para assistir à vitória do próximo adversário do Brasil, a França, que bateu a Espanha por 3 a 1.
No Senado, a situação é pior ainda. Mesmo com duas medidas provisórias trancando a pauta do plenário, o presidente
Renan Calheiros (PMDB-AL) liberou os colegas senadores esta tarde. Os acessos para o Salão Azul - por onde transitam senadores e assessores - foi fechada.
Até o momento, no entanto, poucos ouviram os apelos de Aldo Rebelo. Apenas 119 deputados registraram presença no plenário. Para que as votações sejam iniciadas são necessários 257. A pauta está trancada por cinco medidas provisórias e quatro projetos de lei com urgência constitucional. Desde março a pauta está trancada.