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Irmão de Celso Daniel diz que PT abafou provas

Congresso em Foco

26/10/2005 | Atualizado às 23:56

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O irmão do prefeito assassinado de Santo André Celso Daniel (PT), Bruno Daniel, disse hoje, na CPI dos Bingos, que nenhum de seus familiares teve acesso aos bens do petista depois do crime. Ele disse que o PT não colaborou para que a família conseguisse ouvir gravações da secretária eletrônica dele, o que poderia auxiliar nas investigações do caso. Bruno participa, nesse momento, de uma acareação na CPI com seu irmão, João Francisco Daniel, e com o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho.



Segundo Bruno, Celso Daniel escrevia bastante e alguns manuscritos dele poderiam trazer informações relevantes para desvendar o assassinato. O depoente afirmou que apenas a namorada do prefeito, Ivone de Santana, além de membros do PT, conseguiam entrar no apartamento dele após o crime. Mesmo assim, não passavam os bens de Celso para a família. "Houve omissão de membros do PT na elucidação do caso Celso Daniel", declarou Bruno.



A senadora Ideli Salvatti (PT-SC) contestou a afirmação. "O PT não tinha como abafar as investigações porque elas estavam sob a responsabilidade do governo do estado, que era de outro partido", disse a petista. A senadora afirmou ainda que os familiares deveriam ter recorrido à Justiça, e não ao partido.



O irmão do prefeito criticou a postura dos petistas, que contestam a tese de que o prefeito assassinado foi torturado antes de morrer. "Concordar com isso significa aceitar que se trata de um crime comum. E aceitar essa tese significa concordar com os depoimentos contraditórios da Ivone, aceitar cópias de depoimentos de presidiários que depois foram desconsiderados e aceitar a não investigação de pessoas que possam estar envolvidos com o caso", afirmou o irmão de Celso Daniel.



Celso Daniel foi assassinado em 2002, quando era prefeito de Santo André. Ele foi seqüestrado depois de sair de um restaurante onde havia jantado e foi encontrado morto no dia seguinte em um matagal. Na época, a polícia considerou a hipótese de crime comum como a mais plausível. Porém, depois das denúncias de caixa dois envolvendo o PT, o caso voltou à tona, sob a suspeita de motivações políticas.
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