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O dia do publicitário

Congresso em Foco

4/8/2005 10:34

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Personagem central da mais grave crise do governo Lula, o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza terá de explicar hoje na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios a procedência dos R$ 500 milhões cuja origem não foi identificada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão do Ministério da Fazenda, ao levantar a movimentação bancária do empresário. De 1999 pra cá, a DNA Propaganda e a SMP&B, agências de Valério, movimentaram cerca de R$ 1,2 bilhão no Bradesco e no Banco do Brasil. As informações constam de relatório em poder da CPI.

Acusado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de ser um dos operadores do suposto esquema de pagamento de mesada a parlamentares da base aliada em troca de apoio ao Planalto nas votações - o chamado mensalão -, Valério terá de explicar ainda sua suposta influência política no governo. Ao tentar minimizar a relação que teria com o publicitário, o líder do PMDB na Câmara, José Borba (PR), disse ontem que se reunia com Valério, juntamente com dirigentes do PT, para tratar da distribuição de cargos na administração federal.

"O que discuti com dirigentes do PT e o sr. Marcos Valério é o que lideranças partidárias discutem hoje e sempre em todos os governos, a nomeação de seus partidários para cargos na administração", disse o líder peemedebista em nota divulgada ontem, momentos antes de se afastar temporariamente da liderança. A declaração de que o publicitário teria participação em decisões de governo abriu um novo capítulo na crise, aproximando o escândalo ainda mais do Planalto.

"Nem mesmo Roberto Jefferson disse que Valério participava das nomeações de cargos", reagiu o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), ao defender que Borba explique suas relações com Valério à Polícia Federal e à CPI dos Correios. A nota irritou o presidente do PMDB, Michel Temer (PMDB-SP), que acusou o líder do partido de tentar atingi-lo, ao insinuar a interferência de Valério na nomeação de um apadrinhado político do deputado paulista para o comando dos Correios.

Os novos indícios de irregularidades surgidos se somam a uma série de questionamentos que levaram à convocação do publicitário pela CPI. Mas a expectativa de parlamentares da oposição e do governo é de que Valério pouco acrescente às investigações. Uma liminar concedida ontem pela ministra Ellen Gracie, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantiu ao publicitário o direito de não ser preso mesmo que não responda às perguntas que possam lhe causar embaraço.

Valério, porém, poderá ficar frente a frente com a sua ex-secretária Fernanda Karina Somaggio, que o acusa de manter ligações escusas com dirigentes do PT. Os depoimentos devem começar a partir das 9 horas. A oposição vai tentar aprovar um requerimento para fazer a acareação entre os dois.

A cada dia o cerco ao publicitário se fecha. Relatório preliminar do Coaf indica que o volume de dinheiro sacado das contas de seus negócios nos últimos dois anos pode passar dos R$ 70 milhões - três vezes mais do que os R$ 20,9 milhões detectados inicialmente. Ele aparece com destaque na lista dos 12 sacadores identificados pelo órgão do Ministério da Fazenda. Valério teria sacado, em dinheiro vivo, R$ 1,19 milhão entre agosto de 2003 e junho de 2004.

O Coaf registra ocorrência de "movimentação de recursos incompatíveis com o patrimônio, atividade econômica ou ocupação profissional e capacidade financeira presumida do cliente".

A Polícia Federal também investiga o enriquecimento do publicitário. Entre 1997 e 2004, o patrimônio dele aumentou 60 vezes. Em sete anos, o valor dos bens declarados pelo empresário à Receita Federal saltou de R$ 230 mil para R$ 14 milhões. A evolução patrimonial de Valério se acentuou em 2002, quando declarou possuir R$ 3,8 milhões. No ano seguinte, o primeiro da gestão petista, os seus bens equivaliam a R$ 6,7 milhões.

A oposição também quer apurar a influência do relacionamento estreito entre Valério e o tesoureiro licenciado do PT, Delúbio Soares, nos negócios do empresário com o governo. Os contratos das empresas dele com estatais federais movimentaram cerca de R$ 500 milhões, desde a posse de Lula. O vínculo dele com o PT ficou realçado no último fim de semana, quando reportagem da revista Veja mostrou que ele foi avalista de um empréstimo de R$ 2,4 milhões do BMG ao PT.

Borba em apuros

Com a declaração do líder do PMDB na Câmara de que o publicitário também participaria das discussões sobre distribuição de cargos, o cerco fecha-se ainda mais sobre o governo e a cúpula petista. Ao tomar conhecimento da nota de Borba, o presidente do partido, José Genoino, transferiu a responsabilidade sobre o assunto para o secretário-geral licenciado. "Quem representava o PT nessas negociações era o Sílvio Pereira", disse. "Discuti cargos e participação no governo com líderes e/ou deputados dos partidos da base aliada", respondeu o secretário.

Ao tentar se defender, Borba pode ter se incriminado. O líder do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), pediu a abertura de processo contra o peemedebista no Conselho de Ética. "O Borba confessou um crime ao dizer que se reunia com dirigentes do PT e Valério para definir cargos públicos que lhe rendiam depois contratos e recursos", acusou o tucano.

Na nota, Borba também admite ter ido, no dia 3 de dezembro de 2003, à agência do Banco Rural, do Brasília Shopping, para fazer uma operação bancária particular. Naquele dia, foram sacados R$ 200 mil da conta da SMP&B, uma das agências de Valério. Segundo Jefferson, o local era um dos pontos de pagamento do mensalão.

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