Os sub-relatores da CPI dos Correios fecharam, nesta quinta-feira, um acordo com o relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), para não apresentar mais nenhum relatório parcial. O último a ser analisado será o do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), da Subcomissão de Movimentação Financeira.
A idéia é reduzir o desgaste causado entre parlamentares da oposição e da base aliada toda vez que uma das sub-relatorias divulga resultados das investigações. Pelo acordo, os sub-relatores vão continuar com as investigações, mas os dados só serão divulgados no texto final da CPI.
O relatório parcial divulgado por Fruet, nesta manhã, causou divergências entre os parlamentares. Os petistas queriam que fosse incluída, no texto, a existência de um caixa dois, alimentado pelo valerioduto, na campanha do senador e ex-presidente tucano Eduardo Azeredo (MG) quando ele concorreu ao governo de Minas Gerais, em 1998.
Fruet afirmou não ter incluído o dado no texto porque a comissão só recebeu quebras de sigilos a partir de 2002 e não tem como comprovar documentalmente irregularidades na campanha de Azeredo. Por isso, o sub-relator afirmou que, se mencionasse o tucano em no relatório, teria de apontar como suspeitas todas as campanhas petistas que, segundo o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, receberam dinheiro de caixa dois.
Os petistas não aceitaram a condição e esvaziaram a reunião da CPI para a votação do relatório parcial. "Eles estão reclamando do que não está no relatório e nem pararam para examinar o que está no texto", reclamou Fruet. "O problema é que eles deixaram para conversar quando o relatório já estava pronto", afirmou o presidente da comissão, senador Delcídio Amaral (PT-SP).
Governistas e oposicionistas tentarão chegar a um acordo até a próxima semana. O impasse desagradou Serraglio. O relator disse que os relatórios parciais têm sido usados para defender interesses políticos. "Ficou claro que houve direções políticas. Imagine quando avançarmos no ano eleitoral", alertou.