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DECISÃO
Congresso em Foco
16/1/2026 | Atualizado às 8:33
Em 2017, Jair Bolsonaro usou a Papuda como ameaça retórica ao repreender o filho Eduardo Bolsonaro por não comparecer a uma votação decisiva na Câmara dos Deputados.
O episódio, registrado em mensagens privadas flagradas pelo fotógrafo Lula Marques no plenário, voltou a circular com forte carga de ironia política: quase uma década depois, é o próprio Bolsonaro quem cumpre pena no complexo penitenciário do Distrito Federal.
Na ocasião, Bolsonaro era deputado federal e disputava a presidência da Câmara. Acabou derrotado com apenas quatro votos, e se irritou ao constatar que não recebeu sequer o voto do filho. "Papel de filho da puta que você está fazendo comigo", escreveu Bolsonaro a Eduardo.
Em seguida, disparou: "Tens moral para falar do Renan? Irresponsável", numa referência ao outro filho. A bronca culminou na frase que atravessaria os anos: "Mais ainda, compre merdas por aí. Não vou te visitar na Papuda".Bolsonaro também insinuou que Eduardo poderia estar envolvido em algo comprometedor fora do plenário.
"Se a imprensa te descobrir aí, e o que está fazendo, vão comer seu fígado e o meu. Retorne imediatamente", escreveu.Eduardo respondeu reconhecendo o erro por ter confundido a data da votação, mas reagiu ao tom do pai: "Quer me dar esporro tudo bem. Vacilo foi meu. Achei que a eleição só fosse semana que vem. Me comparar com o merda do seu filho, calma lá".
À época, a Papuda aparecia apenas como símbolo de punição e desonra, usado em uma discussão familiar tornada pública. Em 2026, o cenário é outro. Jair Bolsonaro cumpre pena no complexo penitenciário, após condenação definitiva pelo Supremo Tribunal Federal, em uma Sala de Estado-Maior do núcleo de custódia da Polícia Militar do Distrito Federal.
Já Eduardo Bolsonaro, hoje fora do país, vive nos Estados Unidos. Ele é réu em processos judiciais e perdeu o mandato de deputado federal, encerrando a trajetória parlamentar iniciada anos antes justamente sob a tutela política do pai.
O episódio de 2017, resgatado agora, expõe um contraste simbólico: o pai que ameaçava não visitar o filho na Papuda tornou-se o preso; o filho repreendido acabou sem mandato, fora do país e respondendo à Justiça.
A troca de mensagens, antes vista como um momento de bastidor, passou a sintetizar a virada de destino de uma família que construiu sua imagem política no discurso de combate ao crime.
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