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DECISÃO

Moraes usa termo de Bolsonaro "colônia de férias" ao mandá-lo à Papuda

Expressão era repetida pelo ex-presidente ao defender rigor contra presos.

Congresso em Foco

16/1/2026 8:35

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Ao responder a críticas da defesa e de aliados de Jair Bolsonaro sobre as condições de sua custódia, o ministro Alexandre de Moraes recorreu a uma expressão amplamente usada pelo próprio ex-presidente ao longo de sua trajetória política: "colônia de férias". Na decisão que trata da transferência de Bolsonaro à Papudinha, Moraes afirmou que, apesar das condições diferenciadas, o ex-chefe do Executivo não cumpre pena em ambiente de lazer ou conforto.

"Essas condições absolutamente excepcionais e privilegiadas não transformam o cumprimento definitivo da pena (…) em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias", escreveu o ministro, ao rebater reclamações sobre tamanho da cela, banho de sol, ar-condicionado, horário de visitas, alimentação e até pedidos para substituição da televisão por uma smart TV com acesso ao YouTube.

Moraes usou termo de Bolsonaro em decisão:

Moraes usou termo de Bolsonaro em decisão: "não é colônia de férias".Arte Congresso em Foco

A escolha da expressão não passou despercebida no meio político. Durante anos, Bolsonaro utilizou a mesma frase para atacar políticas de direitos humanos, criticar decisões judiciais e defender o endurecimento do sistema penal. Em discursos e entrevistas, repetia que "prisão não é colônia de férias" para justificar restrições a presos e condenar qualquer flexibilização no cumprimento de pena.

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Na decisão, Moraes reconheceu que Bolsonaro cumpre pena em condições muito superiores às da maioria dos detentos do país, como cela individual, banheiro privativo, equipe médica permanente, visitas ampliadas e possibilidade de exercícios físicos com privacidade. Ainda assim, afirmou que essas circunstâncias não descaracterizam o regime fechado nem autorizam exigências incompatíveis com a execução penal.

O ministro também associou parte das reclamações públicas a uma tentativa de deslegitimar o Poder Judiciário. Segundo ele, manifestações que descrevem a Sala de Estado-Maior como "cativeiro" ignoram a realidade do sistema prisional brasileiro e buscam criar a percepção de que o ex-presidente estaria submetido a tratamento desumano.

Condenado definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal por crimes contra o Estado Democrático de Direito, Bolsonaro cumpre pena no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

Na prática, a expressão que ajudou a consolidar sua imagem de político punitivista voltou à cena, agora empregada pelo relator de sua execução penal para reafirmar que privilégios não anulam o caráter da punição.

O episódio sintetiza uma inversão simbólica: o político que negava qualquer indulgência a presos passou a ser lembrado, pelo próprio Supremo, de que prisão - mesmo em condições especiais - não é, nem pode ser, uma colônia de férias.

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