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Cinema e política
Congresso em Foco
22/1/2026 | Atualizado às 16:30
Indicado ao Oscar 2026 nas categorias nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator e Melhor Direção de Elenco, o filme O Agente Secreto permite uma leitura que ultrapassa o campo cultural e dialoga com temas centrais da política. Ainda que ambientado no fim dos anos 1970, o filme constrói uma narrativa sobre o funcionamento do Estado, a organização do Poder Público e o papel das instituições na mediação entre autoridade e indivíduo.
A trama acompanha personagens inseridos em estruturas estatais marcadas por hierarquia, protocolos e divisão de funções. O poder não se manifesta por figuras centrais ou líderes visíveis, mas por meio de procedimentos, ordens indiretas e rotinas administrativas. Essa forma de representação desloca o foco da política como disputa entre atores para a política como sistema, operado por instituições.
Um dos aspectos políticos centrais do filme é a hierarquização das decisões. As ações que afetam a vida dos personagens raramente são tomadas por quem executa as ordens. As decisões partem de instâncias superiores, muitas vezes ausentes da cena, reforçando a ideia de um Estado em que o poder circula de cima para baixo, diluindo responsabilidades individuais e concentrando autoridade em níveis distantes da experiência cotidiana.
Outro elemento é a centralidade da segurança como princípio organizador do Estado. A lógica da proteção, da antecipação de riscos e da prevenção orienta escolhas institucionais e define prioridades. Essa racionalidade, comum em políticas públicas de segurança e inteligência, aparece no filme como eixo estruturante da atuação estatal, independentemente de juízos morais sobre seus efeitos.
O filme também aborda a relação entre legalidade e institucionalidade. As ações retratadas não ocorrem à margem das instituições, mas dentro delas, mediadas por normas, documentos e procedimentos formais. O poder se exerce por meios administrativos e burocráticos, revelando como decisões políticas podem ser operacionalizadas por instrumentos técnicos, sem necessidade de discursos públicos ou justificativas amplas.
Há ainda uma reflexão sobre a posição do indivíduo diante do Estado. Os personagens não atuam como sujeitos políticos ativos, mas como peças de uma engrenagem maior. Suas escolhas são condicionadas por regras institucionais, limites hierárquicos e funções previamente definidas. O filme, assim, expõe a assimetria entre o cidadão e o aparato estatal, tema recorrente em debates sobre governança e representação.
O Agente Secreto não se concentra em figuras centrais do regime militar ou em disputas políticas visíveis, mas no funcionamento das estruturas estatais que sustentavam o exercício do poder naquele contexto. O filme sugere que determinadas lógicas institucionais, como a hierarquia rígida, a centralização das decisões e a primazia da segurança, organizam a atuação do Estado independentemente da presença constante de seus dirigentes.
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