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Eleições 2026
Congresso em Foco
23/2/2026 7:00
Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, o deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), líder do Republicanos na Câmara dos Deputados, fez duras críticas à estratégia do PL na escolha de seu pré-candidato à Presidência e à forma como "o bolsonarismo conduz o debate político no país". Para ele, a decisão do partido de lançar um nome ligado à família Bolsonaro não buscou a união da oposição, mas sim a reafirmação de um projeto centrado no clã.
Segundo Coutinho, o PL priorizou a chancela de Jair Bolsonaro em detrimento de um processo de entendimento mais amplo entre os partidos oposicionistas.
"O PL lançou um candidato e foi muito mais na preocupação não de que esse candidato era o candidato de entendimento da oposição, mas sim era um candidato chancelado com o nome Bolsonaro. Isso está claro. Hora nenhuma se teve a preocupação de chamar quem são os pré-candidatos, vamos discutir aqui como é que a gente faz uma aliança para se fortalecer. Não. O meu candidato é esse. Quem quiser que venha."
Para o deputado, a postura do PL revela um projeto de poder restrito à família Bolsonaro, e não ao país. "Os Bolsonaros não estão pensando no Brasil, não estão pensando em oferecer um projeto para o Brasil. Eles querem um projeto familiar para governar o Brasil. É diferente", criticou.
As declarações de Coutinho dialogam com o cenário em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desponta como principal nome do bolsonarismo para a disputa presidencial de 2026, num contexto de forte polarização e de busca, por parte de alguns partidos do centro, de alternativas que se apresentem como mais amplas e agregadoras.
Republicanos como ponte e não como linha auxiliar
Como líder da bancada, Coutinho tem defendido que o partido não seja capturado por um projeto exclusivamente ideológico e mantenha espaço para o diálogo em torno de pautas econômicas e sociais consideradas relevantes para o país.
"Uma coisa que eu estou muito preocupado é de que a gente possa, como vem fazendo, contribuir nos pontos importantes do Brasil", disse o deputado. Ele elogiou o fato de o governo federal, na avaliação dele, não ter adotado uma agenda dominada por pautas ideológicas, o que abre espaço para convergências: "O governo não tem feito pautas ideológicas, isso é importante, porque em muitas delas a gente diverge do governo, mas o que for em prol do governo, da economia, da melhoria da condição de povo, o povo sempre vai contar com a gente."
Coutinho tenta marcar a imagem do Republicanos como um partido pragmático: disposto a votar com o governo em temas considerados estruturantes, mas mantendo independência para criticar ou se afastar em pautas ideológicas e eleitorais. Essa postura tem sido repetida por outras lideranças da sigla, que enxergam na ambiguidade – ora ao lado de Lula, ora da centro-direita – uma forma de ampliar o espaço político em 2026, especialmente nos Estados.
Alianças distintas em Bahia e Pernambuco
Na entrevista, Augusto Coutinho destacou que o Republicanos vive realidades muito diferentes nos Estados, o que exige flexibilidade na definição das alianças para as próximas eleições. Ele citou dois exemplos emblemáticos: Bahia e Pernambuco, Estados estratégicos no tabuleiro de 2026.
Na Bahia, o partido é comandado pelo deputado Márcio Marinho, um dos principais quadros do Republicanos no Nordeste. "O partido na Bahia, liderado por nosso companheiro Márcio Marinho, a gente pleiteia, inclusive, uma cadeira na chapa do Senado para Marinho. E quem é o nosso candidato lá? Antônio Carlos Magalhães Neto, do União, contra o candidato do PT", explicou Coutinho.
Em Pernambuco, o quadro é praticamente o inverso. Ali, o Republicanos se aproxima de forças hoje mais alinhadas ao governo Lula, num arranjo pragmático que reflete o peso político local do prefeito do Recife, João Campos (PSB), e do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos).
"A nossa realidade em Pernambuco é diferente. A gente tem um alinhamento político com João Campos, a gente também pleiteia um assento no Senado com Silvio Costa Filho, mas lá João Campos está alinhado com o PT e Silvinho é ministro de Lula. Então, são situações diferentes", disse Coutinho.
Ao defender a pré-candidatura de Silvio Costa Filho ao Senado e a proximidade com João Campos, o deputado deixa claro que, em seu estado, o Republicanos está disposto a compor com forças ligadas ao Palácio do Planalto, desde que isso fortaleça os projetos locais. Essa lógica, segundo ele, deve prevalecer também em outras regiões.