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GUERRA NO ORIENTE MÉDIO
Congresso em Foco
1/3/2026 | Atualizado às 8:14
O governo do Irã confirmou a morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989, atingido nos bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel. Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, autoridades iranianas afirmaram que a morte "jamais ficará impune" e prometeram retaliação "em escala histórica".
A confirmação encerra horas de versões contraditórias sobre o destino do líder religioso e político, considerado a autoridade máxima da República Islâmica. Mais cedo, Israel e autoridades americanas já haviam declarado que Khamenei fora morto na operação. A mídia estatal iraniana, no entanto, negava a informação.
A morte de Khamenei ocorre em meio à maior ofensiva militar direta contra o território iraniano em décadas. Segundo a Sociedade Crescente Vermelho, ao menos 201 pessoas morreram e 747 ficaram feridas nos ataques, que atingiram 24 das 31 províncias do país.
Entre os alvos está uma escola de meninas na cidade de Minab, no sul do Irã. De acordo com a agência estatal Irna, pelo menos 57 estudantes morreram e 60 ficaram feridas após o prédio ser atingido durante o horário de aula. Autoridades locais afirmam que o número de vítimas pode subir para 85, com dezenas de pessoas ainda sob os escombros.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, classificou o bombardeio como um "crime flagrante" e cobrou ação imediata do Conselho de Segurança da ONU. A Organização das Nações Unidas pediu cessar-fogo imediato. Diversos países, entre eles o Brasil, condenaram a ofensiva.
Por que EUA e Israel atuaram juntos
A ofensiva conjunta reflete a convergência estratégica entre Washington e Tel Aviv em relação ao programa nuclear iraniano e à influência regional de Teerã. Israel considera o avanço nuclear do Irã uma ameaça existencial e, há anos, defende ações preventivas para impedir que o país alcance capacidade militar atômica.
Já os Estados Unidos, aliados históricos de Israel e com bases militares espalhadas pelo Oriente Médio, avaliam que o fortalecimento do Irã amplia riscos à segurança regional, à proteção de aliados árabes e às rotas globais de energia. A ação coordenada também sinaliza uma tentativa de restaurar capacidade de dissuasão diante do que ambos classificam como escalada iraniana, tanto no campo nuclear quanto no apoio a grupos armados na região, como Hezbollah e milícias no Iraque e no Iêmen.
Retaliação e risco de guerra regional
Após a confirmação da morte de Khamenei, a Guarda Revolucionária Islâmica declarou que a resposta será "contínua e proporcional à agressão". O Irã já lançou mísseis e drones contra Israel e contra países que abrigam bases militares americanas, como Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos.
Sirenes de alerta aéreo foram acionadas em várias cidades israelenses. Bases americanas na região entraram em estado máximo de prontidão. Analistas avaliam que a troca direta de ataques rompe o padrão anterior de confronto indireto, marcado por disputas por meio de grupos aliados, e eleva significativamente o risco de uma guerra regional aberta.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a operação teve como objetivo "eliminar uma ameaça de décadas" e impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear. Ele declarou ainda que forças de segurança iranianas deveriam depor armas e sugeriu que a população derrube o regime após o fim dos bombardeios.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, classificou a ofensiva como preventiva e afirmou que o complexo do líder supremo foi destruído, além de comandantes da Guarda Revolucionária e integrantes do setor nuclear terem sido mortos.
Os bombardeios ocorreram dois dias após uma rodada de negociações entre Washington e Teerã sobre os limites do programa nuclear iraniano. O Irã sustenta que sua tecnologia nuclear tem fins pacíficos. Estados Unidos e Israel afirmam que o desenvolvimento representa ameaça estratégica e pode ter finalidade militar.
Crise institucional no Irã
Ali Hosseini Khamenei, nascido em 1939, assumiu o posto de líder supremo em 1989, após a morte de Ruhollah Khomeini, fundador do regime instaurado pela Revolução Islâmica de 1979. Antes, foi presidente do país entre 1981 e 1989.
Como aiatolá, concentrava poderes superiores aos do presidente eleito: nomeava chefes das Forças Armadas, comandava a Guarda Revolucionária, supervisionava o Judiciário, influenciava o Conselho dos Guardiães e definia as diretrizes estratégicas de política externa e nuclear.
A confirmação de sua morte abre a maior crise institucional no Irã desde 1979. Pela Constituição iraniana, a sucessão do líder supremo cabe à Assembleia dos Peritos, órgão clerical responsável por escolher o novo Rahbar. O processo, porém, ocorre em meio a bombardeios, retaliações militares e forte instabilidade interna.
Especialistas avaliam que a disputa pela sucessão pode aprofundar divisões internas no regime e influenciar diretamente o rumo da resposta iraniana aos ataques.
Brasil condena ofensiva
O governo brasileiro condenou oficialmente os bombardeios e manifestou "grave preocupação" com a escalada das tensões. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que os ataques ocorreram em meio a negociações diplomáticas e reiterou que o diálogo é "o único caminho viável para a paz".
"O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil", diz o comunicado.
O Itamaraty informou que acompanha a situação por meio das representações diplomáticas na região e presta assistência à comunidade brasileira.
Impacto global
A morte do líder supremo iraniano, somada à ofensiva militar em larga escala, altera de forma dramática o equilíbrio geopolítico do Oriente Médio. Além do risco de guerra regional, há preocupação com impactos sobre o mercado internacional de energia, cadeias de abastecimento e estabilidade financeira global.
Com o Irã prometendo que a morte de Khamenei "jamais ficará impune" e mantendo ataques de retaliação, a comunidade internacional agora se mobiliza para tentar conter uma escalada que pode ultrapassar as fronteiras da região.
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