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DECLARAÇÃO ELEITORAL
Congresso em Foco
19/3/2026 19:12
A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL) ganhou notoriedade desde a última quarta-feira (18) ao se pintar como pessoa negra no plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo. Apesar disso, ela se declarou como pessoa parda junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nas eleições de 2022, e não como branca, como afirmou em discurso na tribuna.
A declaração como parda está registrada na plataforma DivulgaCandContas, usada pelo TSE para dar transparência às receitas e despesas eleitorais dos candidatos. A classificação racial é feita por autodeclaração, e o registro na plataforma é realizado pelo partido ao qual o candidato pertence.
Ao se declarar como pardo, o candidato passa a contar para o cumprimento das cotas raciais da sigla no acesso ao Fundo Eleitoral.
A plataforma permite que a autodeclaração varie entre eleições. Foi o que ocorreu com a deputada. Em 2020, durante a campanha para vice-prefeita de Barrinha (SP), ela havia se declarado branca.
No plenário, Fabiana Bolsonaro afirmou se reconhecer como branca durante seu pronunciamento. Na fala, defendeu que, ao se pintar com tinta escura, não incorpora as dificuldades vividas por uma pessoa negra. 'Vocês estão vendo: eu sou uma mulher branca, eu tive os privilégios de uma pessoa branca em todo o decorrer da minha vida', declarou.
Discurso na Alesp
Fabiana Bolsonaro se maquiou com base escura na Alesp na quarta-feira em protesto contra a eleição da deputada Erika Hilton (Psol-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos das Mulheres na Câmara dos Deputados. Em seu discurso, disse que, assim como se apresentar como pessoa negra não lhe daria a vivência do racismo, a congressista não conheceria a realidade das mulheres por ser uma pessoa trans.
O caso foi denunciado ao Ministério Público pela deputada estadual Ediane Maria. Parlamentares também apresentaram representação ao Conselho de Ética contra Fabiana Bolsonaro por ataques à identidade de gênero de pessoas transexuais e pela prática de 'blackface, historicamente associada à ridicularização de pessoas negras.
Nesta quinta-feira (19), Erika Hilton comentou em suas redes sociais a autodeclaração da deputada como parda ao TSE. 'A racistinha fez blackface no registro eleitoral. Ela é uma farsa ambulante que ajudou seu partido a cumprir as cotas de candidaturas negras e tirou o espaço de uma mulher negra, que ela mesma finge querer proteger. E isso, assim como o blackface, é crime', afirmou.
Segundo Erika Hilton, o caso será levado à Justiça Eleitoral.
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