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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
29/3/2026 | Atualizado às 12:00
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu ao discurso do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), principal fórum da direita trumpista nos Estados Unidos, e acusou o parlamentar e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, de atuarem contra os interesses nacionais. Em publicação no X, Gleisi chamou os dois de "vendilhões da pátria" e disse que ambos fizeram "juras de subserviência a Donald Trump" ao espalhar "mentiras sobre o Brasil".
Os vendilhões da pátria não tomam jeito. Flavio Bolsonaro e seu irmão Eduardo, foragido da Justiça, estavam neste sábado nos EUA fazendo juras de subserviência a Donald Trump e espalhando mentiras sobre o Brasil. Eles nem conseguem disfarçar que seu projeto é entregar o país aos.
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) March 28, 2026
A reação da ministra veio após Flávio pedir, em discurso no Texas, que os Estados Unidos e o "mundo livre" exerçam "pressão diplomática" sobre o Brasil para que as eleições de 2026 sejam, segundo ele, "livres e justas", com base em "valores de origem americana". Pré-candidato à Presidência, o senador afirmou que não quer "interferência" estrangeira no pleito, mas defendeu que atores internacionais acompanhem de perto o processo eleitoral brasileiro, monitorem a liberdade de expressão nas redes sociais e pressionem as instituições do país.
Na mensagem publicada nas redes, Gleisi afirmou que os irmãos Bolsonaro "nem conseguem disfarçar que seu projeto é entregar o país aos interesses estrangeiros". Também associou a família do ex-presidente Jair Bolsonaro ao agravamento da crise social e sanitária no país. "Imaginam que o povo brasileiro esqueceu que essa família levou o país para o Mapa da Fome, destruiu nossa economia e é responsável pela morte de centenas de milhares de vítimas da covid", escreveu.
O discurso de Flávio na CPAC teve forte conteúdo político e ideológico. O senador atacou o presidente Lula, disse que o petista e o PT são "abertamente antiamericanos", acusou o governo brasileiro de se alinhar à China e afirmou que Lula teria atuado para evitar que facções criminosas brasileiras fossem classificadas como organizações terroristas nos Estados Unidos.
"Bolsonaro 2.0"
Flávio também procurou se apresentar como herdeiro político do pai. No palco, declarou que recebeu de Jair Bolsonaro a missão de disputar a Presidência em 2026 e disse que, se eleito, será um "Bolsonaro 2.0", "muito melhor" do que o primeiro governo. Ao encerrar a fala, afirmou esperar voltar ao evento no ano que vem "como presidente do Brasil".
Além dos ataques a Lula, o senador acenou ao público conservador americano com uma proposta de aproximação estratégica entre Brasil e Estados Unidos. Disse que o país pode se tornar parceiro preferencial de Washington na área de minerais críticos, especialmente terras raras, e sugeriu que um eventual governo seu alinharia o Brasil aos interesses geopolíticos dos EUA no fornecimento de insumos estratégicos para a indústria tecnológica, a inteligência artificial e o setor de defesa.
Vídeo para o pai
Eduardo Bolsonaro também esteve no evento e chamou o irmão ao palco. Ele vive há mais de um ano nos Estados Unidos e teve o mandato de deputado federal cassado por excesso de faltas em dezembro. O ex-deputado gravou a entrada e o discurso do irmão no palco para, segundo ele, mostrar ao pai. Bolsonaro está em prisão domiciliar em Brasília e, conforme determinação do ministro Alexandre de Moraes, não pode acessar plataformas digitais, seja por meio próprio, seja por intermédio de terceiros.
Na publicação em que rebateu a participação dos irmãos na conferência, Gleisi ainda afirmou que eles "conspiraram com os EUA para impor o tarifaço contra nosso país" e concluiu com um ataque direto à família Bolsonaro: "Tal pai, tal filho: o negócio deles é mentir e desafiar a democracia e a Justiça."
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