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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
31/3/2026 7:00
Com atos políticos para celebrar novas filiações e ampliar a vitrine do partido, o PL transformou a janela partidária em operação de crescimento na Câmara. Até agora, ganhou 15 deputados e perdeu 4, com saldo positivo de 11. Na outra ponta, o União Brasil lidera as baixas, com 16 saídas e saldo negativo de 12. O PT, por sua vez, atravessou a janela quase sem abalos: perdeu apenas uma deputada suplente em exercício.
Os dados são de levantamento do Congresso em Foco que revela que ao menos 70 deputados trocaram de partido desde 5 de março, quando foi aberta a janela partidária, que se encerra na próxima sexta-feira (3). Isso significa que, até lá, deputados federais e estaduais podem trocar de legenda sem correr o risco de perder o mandato por infidelidade partidária. Ou seja, os números ainda podem mudar.
O saldo parcial da janela mostra um rearranjo desigual entre as siglas. Depois do PL, os melhores resultados são os de PP e Podemos, com ganho líquido de três deputados cada. PSD, PSDB e PSB aparecem na sequência, com saldo positivo de dois. Também ficaram no azul, até agora, MDB, Missão, PCdoB e PV. No campo das perdas, além do União Brasil, os piores desempenhos são os do Avante e do PDT, com saldo negativo de quatro cada, seguidos por Republicanos e PRD, com menos três.
PL transforma filiações em propaganda para Flávio
O crescimento do PL não se deu apenas no balcão das negociações partidárias. A legenda procurou dar dimensão pública às adesões, com eventos organizados para anunciar a chegada de novos deputados e reforçar a imagem de expansão do partido. O movimento foi conduzido pelo presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, e pelo senador Flávio Bolsonaro, num esforço para transformar a janela em demonstração de força política e de capacidade de atração para 2026. Foi assim, por exemplo, na cerimônia de filiação do senador Sergio Moro (PL-PR), na qual também se filiou a deputada Rosângela Moro, esposa dele, que trocará também de domicílio eleitoral neste ano. Eleita por São Paulo há quatro anos, concorrerá agora pelo Paraná.
O partido repete, em escala menor, o movimento registrado na janela de 2022, quando consolidou sua posição como principal força da Câmara. Agora, volta a atrair deputados de diferentes Estados e legendas e amplia sua margem como maior bancada da Casa, chegando até o momento a 104 deputados.
Entre os nomes citados no levantamento estão Alfredo Gaspar (AL), que deixou o União Brasil, além de Coronel Assis (MT), Padovani (PR), Carla Dickson (RN) e Nicoletti (RR), que também migraram para o PL. Mesmo com baixas para PSDB, Podemos e PRD, o saldo do partido segue amplamente positivo.
União Brasil concentra as perdas
Se o PL transformou a janela em expansão, o União Brasil aparece como o partido mais atingido pelo troca-troca. As 16 saídas superam com folga as quatro entradas e produzem a maior perda líquida entre todas as legendas. Entre as saídas, está a do deputado Danilo Forte (CE), nome influente da bancada, que deixou a sigla reclamando da falta de apoio para disputar a vaga em aberto para o Tribunal de Contas da União. Segundo aliados, ele deve migrar para o PSDB e apoiar a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao governo do Ceará.
O resultado expõe a dificuldade da sigla em reter quadros num momento em que as negociações regionais pesam mais do que a coesão nacional. Em vários Estados, o partido perdeu espaço para legendas com projetos mais competitivos para 2026 ou com maior capacidade de oferecer palanques para disputas majoritárias.
A sigla aguarda a confirmação da federação com o PP pelo Tribunal Superior Eleitoral. Se confirmada, a federação União Progressista terá de atuar como se fosse um único partido pelos próximos quatro anos. Essa aliança pode trazer frutos por um lado, mas também tem criado dificuldade em alguns Estados. O veto do PP, por exemplo, foi responsável pela saída de Moro e Rosângela.
A perda de nomes para o PL, para o PSDB e para outras siglas reforça a leitura de que o União Brasil entrou na janela sem a mesma capacidade de retenção de outros partidos de centro e direita. O saldo final, ao menos até agora, é de esvaziamento.
PT atravessa a janela sem abalos
Num ambiente de intensa movimentação, o PT passou quase intacto pela janela partidária. Até aqui, o partido perdeu apenas uma deputada, que ocupa o mandato como suplente em exercício. Em compensação, não ganhou nenhuma cadeira até o momento. E não há expectativa de que a bancada ganhe reforço nos próximos dias.
O dado contrasta com o desempenho de siglas médias e de centro, mais expostas às pressões regionais e às negociações para 2026. Também sugere que, ao menos neste momento, o partido do presidente Lula preservou sua coesão interna e não entrou no circuito principal do troca-troca na Câmara.
Estados expõem a geografia do troca-troca
Em números absolutos, São Paulo lidera, com dez deputados que já mudaram de partido. Minas Gerais vem em seguida, com oito. Ceará, Goiás, Paraná e Rio de Janeiro aparecem com cinco cada. Proporcionalmente, porém, o movimento é mais intenso em Mato Grosso e Roraima, onde três dos oito deputados de cada bancada já trocaram de legenda. Isso equivale a 37,5% do total.
A tendência é de novas mudanças até o fim do prazo. Mas o quadro político já está claro: até aqui, o PL foi o partido que melhor converteu a janela em expansão de poder na Câmara, com direito a cerimônia para exibir reforços. O União Brasil, por sua vez, sai deste momento como a sigla mais atingida pelo esvaziamento.
Mais bancada, mais dinheiro, mais poder
A disputa por deputados federais está longe de ser apenas simbólica. A eleição para deputado federal é estratégica para os partidos porque dela depende boa parte de sua força institucional e financeira nos quatro anos seguintes. É o desempenho nessa disputa que serve de base para a distribuição do fundo partidário e de parte relevante do fundo eleitoral, além de influenciar o acesso à propaganda partidária e o cumprimento da cláusula de desempenho, que condiciona o funcionamento pleno das legendas no Congresso.
O tamanho da bancada eleita para a Câmara também pesa no poder político de cada sigla, ao ampliar sua capacidade de formar liderança, ocupar espaços na estrutura legislativa e ganhar protagonismo nas negociações parlamentares.
Janela também reorganiza 2026
O troca-troca não se explica apenas pela lógica nacional. Em muitos casos, deputados mudam de legenda para buscar um palanque mais competitivo nos Estados ou espaço em disputas majoritárias, como governo e Senado. A janela funciona, assim, como uma prévia das alianças de 2026.
Esses movimentos mostram que a janela, embora trate formalmente da eleição proporcional, funciona também como ensaio para a disputa por governos estaduais e vagas no Senado. Em muitos casos, a troca de sigla tem menos a ver com identidade partidária e mais com posição no tabuleiro regional.
O Plenário vazio da Câmara, provocado pelo cancelamento das sessões desta semana, contrasta com o corre-corre nos diretórios partidários até a próxima sexta-feira. O número de trocas ainda deve subir nos próximos dias. De acordo com levantamento do Congresso em Foco, ao menos 121 dos 513 deputados federais trocaram de partido na janela partidária de 2022, entre 3 de março e 1º de abril.
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