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JANELA PARTIDÁRIA
Congresso em Foco
6/4/2026 | Atualizado às 16:58
A janela partidária redesenhou o mapa das bancadas na Câmara: PL e Podemos lideraram os ganhos, enquanto o União Brasil amargou a maior debandada. Levantamento exclusivo do Congresso em Foco identificou ao menos 122 trocas de partido entre 5 de março e 3 de abril, com um fluxo dominante de saída do União Brasil em direção ao PL e ao Podemos, num rearranjo movido por cálculo eleitoral, disputas regionais e brigas por espaço nos diretórios.
Os números resumem bem esse movimento. O PL ganhou 20 deputados e perdeu 9, fechando a janela com saldo positivo de 11. O Podemos teve o mesmo desempenho líquido: 14 entradas, três saídas e ganho de 11 cadeiras. Já o União Brasil terminou como o maior perdedor: recebeu 11 deputados, mas viu 25 saírem, com saldo negativo de 14. Também encolheram de forma expressiva o PDT, que perdeu sete deputados, e o MDB, que ficou com saldo negativo de 5. No campo dos ganhos, além de PL e Podemos, avançaram PSB, com quatro parlamentares a mais, e o Republicanos, com um acréscimo de três.
O PT se manteve estável. O partido do presidente Lula viu a deputada Luizianne Lins (CE) se transferir para a Rede após 37 anos de filiação. Já a suplente Elisângela Araújo (PT-BA), que deixou o mandato no fim da semana passada, migrou para o PSB. Em compensação, a bancada ganhou Paulo Lemos (AP), egresso do Psol.
O levantamento considerou informações oficiais no portal da Câmara, nas páginas de partidos políticos e dos próprios parlamentares que anunciaram as mudanças. O saldo oficial, porém, só deve ser confirmado nos próximos dias. Ou seja, novas mudanças ainda podem ser contabilizadas. O número apurado é praticamente o mesmo registrado na janela partidária há quatro anos, quando foram efetuadas 121 trocas.
Para onde a janela apontou
O maior fluxo no troca-troca partidário foi do União Brasil para o PL. O partido presidido por Antonio Rueda perdeu nove representantes para a legenda comandada por Valdemar Costa Neto. O União também viu cinco deputados migrarem para o Podemos e outros cinco para o Republicanos.
Esses fluxos mostram que a janela foi menos um movimento ideológico amplo e mais um rearranjo prático para a eleição. Em muitos Estados, deputados buscaram partidos com mais controle sobre os diretórios, maior previsibilidade sobre as chapas e mais espaço na montagem de alianças locais. Em outros casos, a troca serviu para ajustar o palanque regional a candidaturas de governador ou senador, ou para escapar de disputas internas que ameaçavam a sobrevivência eleitoral.
O que está por trás dos rearranjos
A saída em massa do União Brasil em direção ao PL indica, em vários casos, a busca por um campo mais nítido à direita e por estruturas mais coesas em Estados onde o PL chega a outubro com mais densidade eleitoral. Já as migrações para o Podemos sugerem um movimento mais pragmático: deputados que deixaram legendas grandes em busca de melhor posição relativa em partidos menores, porém mais organizados localmente ou mais abertos à negociação.
O avanço do PSB às custas do PDT também ajuda a contar a história da janela. O fluxo do PDT para o PSB aparece como um sintoma do enfraquecimento regional do pedetismo e do esforço socialista de ocupar espaços onde passou a oferecer melhores condições de disputa. Da mesma forma, os movimentos entre MDB, PSD, PSDB e Republicanos revelam a persistência de um mercado de centro e centro-direita altamente regionalizado, em que a força da sigla nacional importa menos do que o arranjo em cada estado.
A janela não mexeu apenas no tamanho das bancadas. Ela reposicionou grupos internos, reabriu disputas por comando partidário nos estados e ajustou a Câmara à lógica da eleição de outubro. Em muitos casos, a troca de legenda foi o passo necessário para encaixar o deputado num projeto mais viável, seja para renovar o mandato, seja para disputar outro cargo, seja para se alinhar a um novo bloco regional de poder.
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