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DISPUTA EMBARALHADA

Lula e Flávio Bolsonaro empatam no 2º turno, aponta Meio/Ideia

Petista lidera o 1º turno estimulado, mas disputa segue aberta: mais da metade dos eleitores diz que ainda pode mudar o voto, e custo de vida e endividamento aparecem como temas centrais para 2026.

Congresso em Foco

8/4/2026 | Atualizado às 9:35

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A pesquisa Meio/Ideia de abril mostra um cenário aberto para a sucessão presidencial de 2026. No principal recorte do levantamento, Lula (PT) aparece em empate técnico com Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno: o senador marca 45,8% das intenções de voto, e o presidente, 45,5%. A diferença de 0,3 ponto percentual está dentro da margem de erro de 2,5 pontos, o que indica uma disputa embolada entre os dois principais polos da corrida eleitoral.

Veja a íntegra dos resultados da pesquisa.

Pesquisa Meio/Ideia mostra cenário indefinido para a eleição presidencial, faltando seis meses para o primeiro turno.

Pesquisa Meio/Ideia mostra cenário indefinido para a eleição presidencial, faltando seis meses para o primeiro turno.Ricardo Stuckert/PR e Edilson Rodrigues/Agência Senado | Montagem Congresso em Foco

No primeiro turno estimulado, porém, Lula segue numericamente à frente. O petista tem 40,4%, contra 37% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado (PSD) aparece em terceiro lugar, com 6,5%, seguido por Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), com 3% cada, enquanto Aldo Rebelo (DC) soma 0,6%. Brancos e nulos são 1%, e 8,5% dizem não saber em quem votariam. Na espontânea, em que o eleitor responde sem lista de nomes, Lula marca 32,6%, Flávio Bolsonaro 19,4% e Jair Bolsonaro é citado por 6%; Romeu Zema aparece com 4,1% e Caiado, com 2,6%. O dado mais expressivo, nesse bloco, é o tamanho do eleitorado ainda indefinido: 25,3% não sabem responder.

Os principais números da pesquisa:

1º turno (estimulada)

  • Lula: 40,4%, ante 40,3% em março (+0,1 ponto percentual).
  • Flávio Bolsonaro: 37%, ante 35,1% em março (+1,9 p.p.).
  • Ronaldo Caiado: 6,5%, ante 5,2% em março (+1,3 p.p.).
  • Romeu Zema e Renan Santos: 3% cada; Aldo Rebelo tem 0,6%. Os indecisos somam 8,5%, ante 7,2% em março (+1,3 p.p.).

2º turno

  • Lula x Flávio Bolsonaro: 45,5% a 45,8% para Flávio — cenário de empate técnico. Em março, era 47,4% a 45,3%. Ou seja: Lula caiu 1,9 p.p. e Flávio subiu 0,5 p.p..
  • Lula x Ronaldo Caiado: 45% a 39% para Lula. Em março, era 46,5% a 37,5%. Variação: Lula -1,5 p.p.; Caiado +1,5 p.p..
  • Lula x Romeu Zema: 44,7% a 38,7% para Lula. Em março, era 46,1% a 38%. Variação: Lula -1,4 p.p.; Zema +0,7 p.p..
  • Lula x Renan Santos: 45% a 26,4% para Lula. Em março, era 47% a 24,8%. Variação: Lula -2 p.p.; Renan +1,6 p.p..
  • Lula x Aldo Rebelo: 46% a 22,6% para Lula. Em março, era 47,4% a 19%. Variação: Lula -1,4 p.p.; Aldo +3,6 p.p..

Possibilidade de mudança

O próprio levantamento sugere que há muito voto em disputa. Segundo a pesquisa, 51,4% dos entrevistados afirmam que ainda podem mudar de candidato até a eleição, contra 48,6% que dizem já estar decididos. A volatilidade é especialmente alta entre os eleitores da direita: 60,4% dos que hoje declaram voto em Flávio Bolsonaro dizem que ainda podem mudar de escolha. Entre os eleitores de Caiado, esse percentual sobe para 69,4%. Já entre os de Lula, a taxa de oscilação é bem menor, de 26,6%, indicando uma base mais consolidada.

Nos demais cenários de segundo turno, Lula leva vantagem sobre os adversários testados. Contra Ronaldo Caiado, vence por 45% a 39%; diante de Romeu Zema, por 44,7% a 38,7%; contra Renan Santos, por 45% a 26,4%; e, contra Aldo Rebelo, por 46% a 22,6%. Ainda assim, a pesquisa mostra que Caiado tenta se firmar como alternativa mais competitiva no campo conservador: além do terceiro lugar no primeiro turno, ele tem rejeição de 20,4%, bem abaixo da de Lula, que chega a 44,2%, e da de Flávio Bolsonaro, de 37,5%.

Flávio lidera entre homens e evangélicos

O empate entre Lula e Flávio no segundo turno também reflete divisões sociais e religiosas bastante marcadas. Entre os homens, Flávio lidera por 50,4% a 43,1%; entre as mulheres, Lula vence por 47,7% a 41,5%. No recorte religioso, o senador do PL tem ampla vantagem entre evangélicos, por 57% a 37,4%, enquanto Lula abre larga diferença entre eleitores sem religião, por 66% a 20,1%. Entre católicos, há praticamente empate: 45,5% para Lula e 45,1% para Flávio.

A pesquisa traz más notícias para o governo Lula fora do terreno estritamente eleitoral. Para 51,5% dos entrevistados, o presidente não merece um novo mandato; 45% dizem que ele merece continuar. Na avaliação da gestão, 51% desaprovam a forma como Lula conduz o governo, e 45% aprovam. Quando a pergunta é sobre avaliação geral da administração, 46,4% classificam o governo como ruim ou péssimo, 32,2% como ótimo ou bom, e 19% como regular.

Economia e segurança pública

As áreas em que o governo enfrenta maior desgaste são justamente aquelas mais ligadas à vida cotidiana do eleitor. Na economia, a avaliação negativa soma 44,6%, contra 28,1% de positiva. Na segurança pública, o saldo é ainda pior: 53,9% classificam a atuação do governo como ruim ou péssima, ante 18,9% de ótimo ou bom. Na saúde, a avaliação negativa chega a 42%, e, na educação, a 40,9%. O diagnóstico do levantamento é que o custo de vida e o endividamento devem pesar fortemente na decisão de voto em 2026.

Os números reforçam essa leitura. Para 70,4% dos entrevistados, o custo de vida aumentou no último ano. Para 30%, aumentou muito; na avaliação de 40,4%, aumentou, mas não muito. Em relação ao endividamento, 40% afirmam que sua situação piorou em comparação com 2025, enquanto 42% dizem que ela ficou igual. Quando questionados sobre o peso desses temas na hora de escolher o próximo presidente, 38% respondem que custo de vida e dívidas serão muito importantes, e 36,7% dizem que serão importantes, embora menos do que outros assuntos. Somados, são 74,7% dos eleitores atribuindo centralidade ao aperto no orçamento doméstico.

Judiciário e anistia

Em temas políticos e institucionais, o levantamento mostra um país dividido, mas com alguns sinais claros. Para 42,5%, a maior ameaça à democracia brasileira hoje é a concentração de poder no Judiciário. Já sobre uma eventual anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, 41% se declaram contra qualquer tipo de perdão, enquanto 32% defendem anistia ampla, inclusive para Bolsonaro, e 21% apoiam anistia apenas para os participantes de menor escalão. Em outra frente, 52% afirmam que as eleições brasileiras devem ser decididas pelos próprios brasileiros, sem pressão estrangeira.

Registrada no TSE sob o protocolo BR-00605/2026-BRASIL, a pesquisa Meio/Ideia ouviu 1.500 eleitores com 16 anos ou mais, por telefone, entre 3 e 7 de abril. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

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