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CPI DO CRIME ORGANIZADO
Congresso em Foco
8/4/2026 | Atualizado às 15:21
A CPI do Crime Organizado ouviu nesta quarta-feira (8) o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a atuação da instituição no caso Banco Master e sobre a relação da autoridade monetária com o empresário Daniel Vorcaro. Galípolo concentrou seu depoimento na defesa da atuação técnica da autarquia no caso Banco Master. Ele afirmou que o sigilo de oito anos imposto aos documentos da liquidação extrajudicial segue norma interna do BC e foi mantido para resguardar a segurança jurídica do processo e evitar questionamentos futuros.
Questionado sobre sua relação com ministros do Supremo Tribunal Federal, Galípolo negou ter tratado do Banco Master com Alexandre de Moraes. Segundo ele, as conversas com o ministro e outros integrantes da Corte se limitaram aos efeitos da Lei Magnitsky, por envolverem risco sistêmico e informações protegidas por sigilo bancário e financeiro.
Assista ao depoimento de Galípolo à CPI:
Galípolo também detalhou a reunião no Palácio do Planalto com o presidente Lula, Daniel Vorcaro, ministros e auxiliares do governo. De acordo com seu relato, os representantes do Master alegavam perseguição do mercado, mas Lula teria dito que o assunto não cabia à Presidência da República e deveria ser tratado tecnicamente pelo Banco Central, sem interferência política.
Sobre a situação financeira do banco, o presidente do BC disse que o Master já enfrentava crise de liquidez desde janeiro de 2025. Segundo ele, a venda de novas carteiras chamou a atenção da fiscalização ainda no início do ano, e, no momento da liquidação, a instituição tinha em caixa apenas 10% do valor necessário para honrar seus compromissos naquele dia. Galípolo acrescentou que não há auditoria nem sindicância que atribua culpa a Roberto Campos Neto na condução do caso.
Na mesma oitiva, Galípolo pediu apoio aos senadores para aprovar a PEC 65/2023, que amplia a autonomia do Banco Central. Ele argumentou que a medida é necessária para reforçar a capacidade de supervisão da autoridade monetária, com mais tecnologia, transparência e pessoal. O depoimento ocorreu no mesmo dia em que Roberto Campos Neto faltou pela terceira vez à CPI, que entra agora na reta final e tenta fechar seu relatório na próxima semana.
A audiência com Galípolo ocorre em um momento decisivo para a comissão, que busca consolidar seu diagnóstico sobre suspeitas envolvendo o sistema financeiro e possíveis conexões com organizações criminosas antes do encerramento dos trabalhos.
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