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COMPLIANCE ZERO
Congresso em Foco
16/4/2026 | Atualizado às 7:31
A Polícia Federal prendeu nesta quinta-feira (16), em Brasília, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, em mais uma fase da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes financeiros e organização criminosa em negócios ligados ao Banco Master. Um advogado investigado no caso, Daniel Monteiro, também foi preso em São Paulo. Ao todo, a operação cumpre dois mandados de prisão preventiva e sete de busca e apreensão no Distrito Federal e na capital paulista.
Segundo a investigação, a nova etapa da operação busca aprofundar apurações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro para o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos. Informações reunidas pela PF e encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal apontam que a suposta propina destinada a Paulo Henrique Costa teria sido viabilizada por meio de uma operação de aquisição de imóveis. As defesas dos presos, de acordo com as informações disponíveis até o momento, ainda não haviam se manifestado.
Paulo Henrique Costa comandou o BRB desde 2019, indicado pelo então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e esteve à frente das negociações envolvendo o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. O BRB, banco público controlado pelo governo do DF, tornou-se peça central no caso por ter sido o principal interessado na compra do Master e por ter realizado operações financeiras agora sob investigação.
Negociação barrada pelo BC
A negociação foi apresentada, à época, como uma alternativa para evitar a quebra da instituição privada, mas acabou barrada pelo Banco Central, que entendeu não haver viabilidade econômico-financeira no negócio e apontou risco excessivo para o banco público. Além da tentativa de aquisição, a PF investiga a compra, pelo BRB, de carteiras de crédito consideradas problemáticas do Master.
O foco dos investigadores é apurar se houve falhas ou irregularidades nos processos de análise, aprovação e governança das operações. Conforme os autos, Costa defendeu a compra do Master como uma solução para a crise da instituição privada, mas, em depoimento, negou que o objetivo do BRB fosse salvar o banco de Daniel Vorcaro. Também afirmou que a operação de compra de carteiras foi "técnica" e que a proposta final excluía R$ 51 bilhões em ativos e passivos.
A crise no BRB se agravou após a aquisição de ativos do Master. De acordo com o atual presidente da instituição, Nelson Antônio de Souza, o banco precisará fazer provisionamento de cerca de R$ 8,8 bilhões. Os ativos comprados, classificados como saudáveis pelo Master, foram avaliados em R$ 21,9 bilhões pela própria instituição. Paulo Henrique Costa já havia sido afastado do cargo em novembro de 2025 por decisão judicial, no âmbito das fases anteriores da investigação.
Esta é a quarta fase da Operação Compliance Zero. A etapa anterior, deflagrada em 4 de março, levou à prisão de Daniel Vorcaro. Agora, a PF concentra esforços em rastrear o caminho do dinheiro que teria sido usado para pagar propina e em identificar responsabilidades pela operação que expôs o BRB a prejuízos bilionários.
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