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DISCURSO NA ESPANHA

Lula cobra Trump, Putin e Xi por paz e faz mea-culpa da esquerda

Em Barcelona, presidente defende mobilização global pela democracia, ataca a paralisia do Conselho de Segurança da ONU e admite que governos progressistas se desgastam quando abandonam seu programa para agradar mercado e empresariado.

Congresso em Foco

18/4/2026 | Atualizado às 16:24

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O presidente Lula usou neste sábado (18), em Barcelona, uma vitrine internacional para combinar cobrança às grandes potências, defesa da democracia e autocrítica ao campo progressista. Na 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global, disse que o encontro precisa inaugurar uma articulação permanente contra o avanço da extrema direita e a erosão do multilateralismo.

Lula durante a 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global, realizada na Feira de Barcelona.

Lula durante a 1ª Reunião da Mobilização Progressista Global, realizada na Feira de Barcelona.Ricardo Stuckert/PR

"O que nós estamos fazendo aqui é o começo de um movimento que tem que agir todo santo dia, durante toda semana, todo mês e durante 365 dias por ano, para que a gente restabeleça a coisa mais sagrada no mundo, que é a democracia e o multilateralismo", afirmou.

Ao longo do discurso, Lula tentou recolocar a desigualdade no centro do debate político. "A desigualdade não é um fato, é uma escolha política. O que faz de nós progressistas é escolher a igualdade", disse, ao defender que a esquerda volte a falar de emprego, renda, serviços públicos e bem-estar social sem se submeter ao discurso econômico dominante.

Cobrança às potências

O trecho mais contundente da fala foi dirigido ao Conselho de Segurança da ONU. Lula afirmou que a instituição criada para preservar a paz fracassou diante da escalada dos conflitos. "A querida Nações Unidas, que foi criada depois da Segunda Guerra Mundial, com cinco membros permanentes para cuidar da paz, para cuidar da cordialidade, da fraternidade, se transformaram em cinco senhores de guerra", declarou.

Em seguida, apelou diretamente aos líderes dos países com assento permanente no Conselho: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido. Citou nominalmente Donald Trump, Xi Jinping, Vladimir Putin, Emmanuel Macron e o primeiro-ministro britânico e cobrou uma reação imediata. "Pelo amor de Deus, cumpram com as suas obrigações de garantir a paz no mundo, convoquem uma reunião e parem com essa loucura de guerra porque o mundo não comporta mais", afirmou.

Lula também voltou a defender a reforma da governança internacional, com mudanças no Conselho de Segurança, no Banco Mundial, no FMI e na OMC. Segundo ele, o Sul Global continua pagando a conta de guerras e crises que não provocou. "Os senhores da guerra jogam bombas em mulheres e crianças, gastam em armas bilhões de dólares que poderiam ser usados para acabar com a fome, resolver o problema energético e o problema da saúde", disse.

Autocrítica ao progressismo

No plano ideológico, Lula fez uma das autocríticas mais duras do discurso. Reconheceu que a esquerda avançou na pauta dos direitos, mas não conseguiu enfrentar o modelo econômico dominante. "O projeto neoliberal prometeu prosperidade e entregou fome, desigualdade e insegurança. Provocou crise atrás de crise. Ainda assim, nós subimos a ortodoxia. Temos sido os gerentes das mazelas do neoliberalismo", afirmou.

Na sequência, admitiu que governos progressistas muitas vezes se elegem com um programa e governam com outro. "Governos de esquerda ganham as eleições com discurso de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende agora que o outro lado se apresente como antissistema", disse.

Lula ainda atribuiu parte do desgaste da esquerda às concessões feitas ao mercado. "Muitas vezes nós fomos vítimas da nossa inocência política. [...] A gente vai tentando agradar o mercado. A gente vai tentando agradar o empresário. E o que acontece é que nós vamos ficando desmoralizados", declarou.

Bilionários e ultradireita

O presidente também tentou recolocar a concentração de renda no centro da disputa política. "O nosso papel é apontar o dedo para os verdadeiros culpados. Um punhado de milionários concentra a maior parte da riqueza mundial. Eles querem que as pessoas acreditem que qualquer um pode chegar lá. Alimentam a falácia da meritocracia, mas chutam a escada para que outros não tenham a mesma oportunidade de subir", afirmou.

Na mesma linha, acusou esse grupo de aprofundar desigualdades e deformar o debate público. "Pagam menos impostos ou nada, exploram o trabalhador, destroem a natureza, manipulam algoritmos", disse. Para Lula, foi nesse ambiente que a ultradireita prosperou, espalhando desinformação e escolhendo mulheres, negros, imigrantes e a população LGBTQIA+ como alvos preferenciais.

Ao trazer o tema para o caso brasileiro, voltou a dizer que a ameaça golpista foi concreta. "O risco que a extrema-direita representa à democracia não é retórico, é real. No Brasil, ela planejou um golpe de Estado, orquestrou uma trama que previa tanque na rua e assassinato do presidente eleito, do vice-presidente e do presidente da Justiça Eleitoral", afirmou.

Democracia e vida real

Lula insistiu que a democracia não pode se resumir à formalidade institucional. "A democracia não é um destino, é uma construção cotidiana. Ela precisa ir além dos votos e trazer benefícios concretos para a vida das pessoas. Não é democracia quando um pai não sabe onde tirar seu próximo prato de comida. Não há democracia quando um neto perde seu avô na fila de um hospital", disse.

Na mesma linha, associou crise democrática e precariedade social. "Não há democracia quando uma mãe passa horas em um ônibus lotado e não consegue dar um beijo de boa noite nos seus filhos. Não há democracia quando alguém é discriminado pela cor da sua pele, quando a mulher morre apenas pelo fato de ser mulher", acrescentou.

Biografia e convocação final

Na parte final, Lula recorreu à própria trajetória para sustentar a mensagem. Lembrou a infância pobre, a migração para fugir da fome, o trabalho na fábrica e a descoberta da política a partir da ausência de representantes dos trabalhadores no Congresso. "Eu saí de uma região muito pobre no meu país, com um milhão de brasileiros, para não morrer de fome. Fui comer pão pela primeira vez com 7 anos de idade. [...] Eu descobri que dentro do Congresso Nacional não existia representante do povo trabalhador", afirmou.

Ao recordar a chegada à Presidência, apresentou a própria biografia como fruto da democracia. "Graças à democracia, pela primeira vez no país, o Brasil elegeu um operário presidente da República sem diploma universitário, apenas com curso técnico. E eu queria ser eleito para provar que a inteligência não está ligada à quantidade de anos de universidade", disse.

Aos 80 anos, Lula encerrou em tom pessoal, sem abandonar a convocação política. "Eu digo para vocês que eu me sinto hoje igual quando eu tinha 50 anos de idade. Porque eu tenho uma causa. A minha causa é a democracia. A minha causa é a liberdade. A minha causa é a igualdade", afirmou. Antes, resumiu o espírito da fala: "Quero paz, amor e fraternidade. Minha arma é o argumento, a razão. Precisamos ter caráter, honestidade e decência para respeitar os direitos de todos".

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