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Lula sobe o tom após EUA pedirem saída de delegado: "Reciprocidade"

Presidente afirmou que o Brasil pode adotar medida semelhante contra um agente americano se ficar comprovado abuso no caso do delegado da PF Marcelo Ivo de Carvalho, alvo de ação dos EUA após atuar na prisão de Alexandre Ramagem.

Congresso em Foco

21/4/2026 | Atualizado às 9:55

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O presidente Lula afirmou nesta terça-feira (21) que o Brasil poderá adotar uma medida de reciprocidade contra os Estados Unidos após o governo americano pedir a saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo de Carvalho, envolvido na detenção do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), na Flórida. Segundo o presidente, o caso ainda precisa ser esclarecido, mas, se houver abuso contra o policial brasileiro, o governo reagirá.

"Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa", declarou Lula a jornalistas em Hannover, na Alemanha. O presidente também afirmou que o Brasil não aceitará "ingerência" nem "abuso de autoridade" por parte de autoridades americanas.

Lula tomou conhecimento da decisão do governo dos Estados Unidos na Akemnha, onde está em viagem oficial.

Lula tomou conhecimento da decisão do governo dos Estados Unidos na Akemnha, onde está em viagem oficial.Ricardo Stuckert/PR

A declaração eleva o tom da resposta do Planalto a um episódio que abriu nova frente de atrito diplomático entre Brasília e Washington em torno do caso Ramagem. A fala de Lula veio após o governo Donald Trump determinar que o delegado brasileiro deixe o território americano.

EUA miram delegado da PF

Na segunda-feira (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental, ligado ao governo dos Estados Unidos, informou que pediu a saída de um "funcionário brasileiro" do país. Sem citar nomes, o órgão afirmou em publicação na rede X que a autoridade tentou "contornar pedidos formais de extradição" para promover "perseguições políticas" em território americano.

A identidade do alvo da medida foi confirmada pela Embaixada dos Estados Unidos no Brasil. Trata-se de Marcelo Ivo de Carvalho, delegado da PF que atuava em Miami junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA, o ICE. Nomeado para a função em março de 2023, ele teve a permanência prorrogada até agosto deste ano. Entre suas atribuições estava a identificação e a prisão de foragidos da Justiça brasileira em território americano.

Itamaraty contesta versão americana

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, contestou a versão apresentada pelos americanos. Segundo ele, a notícia "não tem fundamento" e o governo brasileiro aguarda esclarecimentos das autoridades dos Estados Unidos. Vieira ressaltou que o delegado trabalhava em conjunto com autoridades americanas em Miami e que sua função era conhecida.

Na mesma linha, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que Marcelo Ivo está há mais de dois anos nos Estados Unidos exercendo a atividade. Segundo ele, a PF ainda não havia sido formalmente comunicada da decisão do governo americano.

O elo com a prisão de Ramagem

O episódio está diretamente ligado à prisão de Alexandre Ramagem. Ex-diretor da Abin no governo Bolsonaro, ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos de prisão na ação penal da trama golpista, perdeu o mandato e passou a viver nos Estados Unidos. Em dezembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio de pedido formal de extradição do ex-deputado ao governo americano.

Ramagem foi preso pelo ICE e solto dois dias depois. Segundo a Polícia Federal, a detenção ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos. A corporação informou que o ex-deputado foi localizado em Orlando e é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação por crimes como organização criminosa armada, tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

Para as autoridades americanas, porém, a atuação do delegado brasileiro pode ter buscado contornar os mecanismos formais de cooperação jurídica e de extradição. Foi essa suspeita que embasou a decisão de pedir sua saída do país e que agora alimenta a reação do governo Lula.

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