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ECONOMIA VERDE

Lula defende agro e energia limpa em feira na Alemanha

Na abertura da feira de Hannover, presidente diz que o Brasil pode ajudar a Europa a descarbonizar sua indústria e critica barreiras aos biocombustíveis.

Congresso em Foco

19/4/2026 | Atualizado às 20:43

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O presidente Lula defendeu neste domingo (19), em Hannover, na Alemanha, uma aproximação mais forte entre Brasil e Europa em torno da transição energética, da neoindustrialização e da inovação tecnológica. Ao abrir a Hannover Messe, considerada a maior feira industrial do mundo, Lula afirmou que o Brasil pode contribuir diretamente para a competitividade europeia no novo cenário energético.

"O Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir custos de energia e descarbonizar sua indústria. Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos", afirmou o presidente, ao lado do chanceler alemão, Friedrich Merz.

Lula durante cerimônia de Abertura da Feira Industrial de Hanôver. Galeria do Palácio de Herrenhausen, Alemanha.

Lula durante cerimônia de Abertura da Feira Industrial de Hanôver. Galeria do Palácio de Herrenhausen, Alemanha.Ricardo Stuckert/PR

Recado à Europa

No discurso, Lula também criticou o que chamou de "narrativas falsas" sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira e atacou restrições impostas aos biocombustíveis. "É preciso combater narrativas falsas a respeito da sustentabilidade da nossa agricultura. Criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é contraproducente tanto do ponto de vista ambiental quanto do energético", disse.

A fala foi apresentada como parte da estratégia do governo para vender o Brasil como potência industrial verde e parceira confiável em um cenário internacional marcado por instabilidade geopolítica. Segundo o Planalto, a viagem busca ampliar a visibilidade internacional do país, reforçar sua imagem como destino de investimentos, tecnologia e negócios e consolidar parcerias em áreas como defesa, mudanças climáticas, infraestrutura, inteligência artificial, bioeconomia e energia.

Biocombustíveis, hidrogênio e minerais

Lula associou esse discurso externo à agenda econômica interna. Disse que o Brasil colocou em marcha um "robusto programa de neoindustrialização", tendo como motores a economia verde e a indústria 4.0. Também afirmou que o país quer atrair parcerias com transferência de tecnologia, inclusive na exploração de minerais estratégicos para a transição energética e a transformação digital.

"Com apenas 30% do potencial mineral mapeado, nosso país já detém a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terras raras e a terceira de níquel. Esses insumos devem ser instrumentos de desenvolvimento econômico e social. Não repetiremos o papel de meros exportadores de commodities minerais", declarou.

Ao detalhar o potencial energético brasileiro, Lula ressaltou a dimensão da matriz renovável do país. "Dispomos de matriz elétrica 90% limpa e temos potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo. Essa trajetória consistente em energias renováveis fortaleceu nossa segurança energética. O Brasil é um dos países menos afetados pela atual crise de oferta de petróleo", afirmou.

O presidente também lembrou que o país já adota mistura de 30% de etanol na gasolina e de 15% de biodiesel no diesel, além de produzir biocombustíveis "de forma sustentável, sem comprometer o cultivo de alimentos ou derrubar florestas".

Emprego e inteligência artificial

Lula também ligou inovação tecnológica à proteção do trabalho. Disse que a inteligência artificial aumenta a produtividade, mas alertou para os riscos de seu uso sem limites éticos e para o impacto das novas tecnologias sobre os trabalhadores.

"A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais", afirmou em um dos trechos mais duros do discurso. Depois, dirigindo-se a empresários, cientistas e pesquisadores, fez um apelo: "Poucas vezes, quando eu vejo falar em inteligência artificial, eu ouço falar numa pessoa chamada trabalhador. Se a inteligência artificial causar o bem que nós queremos que cause para o desenvolvimento dos países, é preciso que nós lembremos que, por trás de cada gênio, de cada invenção, tem um ser humano. Se ele não tiver mercado de trabalho, o mundo só tende a piorar".

Lula aproveitou ainda para defender o fim da escala 6x1. "Queremos pôr fim à jornada de trabalho seis por um, para permitir que o trabalhador tenha dois dias de descanso semanal e usufrua dos ganhos de produtividade alcançados pela indústria", disse.

Guerra, petróleo e multilateralismo

Em outra frente, o presidente usou a tribuna da feira para criticar o cenário internacional. Voltou a classificar como "maluquice" a guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã e afirmou que o mundo vive uma contradição ao gastar trilhões de dólares em conflitos enquanto ainda não resolveu problemas básicos da humanidade.

"Não é possível que nós estejamos gastando 2 trilhões e 700 bilhões de dólares em guerra e nada para acabar com a fome no planeta", disse. Em seguida, cobrou responsabilidade dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU: "É de se perguntar ao presidente Trump, ao presidente Putin, ao presidente Xi Jinping, ao presidente Macron e ao primeiro-ministro do Reino Unido: para que serve o Conselho de Segurança da ONU? Por que vocês não se reúnem e não param com essas guerras?".

Ao abordar os efeitos do conflito no Oriente Médio, Lula afirmou que as guerras têm consequências econômicas diretas sobre a vida cotidiana. "Flutuações no preço do petróleo encarecem a energia e os transportes. A escassez de fertilizantes afeta a produção agrícola e aumenta a insegurança alimentar. São os mais vulneráveis que pagam o preço da inflação dos alimentos", declarou.

O presidente também defendeu uma "refundação" da Organização Mundial do Comércio e criticou o ressurgimento do protecionismo. Segundo ele, "o protecionismo ressurge como resposta falaciosa para problemas econômicos e sociais complexos".

Mercosul-UE e agenda na Alemanha

Lula aproveitou a viagem para reforçar a aposta do governo no acordo entre Mercosul e União Europeia. "Daqui a menos de duas semanas, entrará em vigor o acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de habitantes, com PIB agregado de 22 trilhões de dólares. Mais comércio e mais investimentos significam novos empregos e oportunidades dos dois lados do Atlântico", afirmou.

A agenda de Lula na Alemanha inclui ainda fórum empresarial, consultas intergovernamentais de alto nível e encontros voltados a inovação, sustentabilidade, geopolítica, indústria de defesa e inteligência artificial. Para o governo, a Alemanha é um dos principais interlocutores do Brasil na Europa e parceiro central em cooperação técnico-financeira, agenda climática e transição energética.

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alemanha barreiras comerciais energia verde Europa biocombustíveis Agro energia limpa meio ambiente Lula indústria

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