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Economia

Galípolo: BC descumpriu meta de inflação em 4 dos últimos 6 anos

Presidente do Banco Central diz que país exige esforço monetário maior do que economias semelhantes.

Congresso em Foco

19/5/2026 | Atualizado às 15:17

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (19) que o Brasil mantém taxas de juros historicamente mais altas do que países considerados pares econômicos, mas, apesar disso, a inflação segue superando a meta estabelecida pela autoridade monetária.

A declaração foi feita durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Ao comentar os resultados da política monetária recente, Galípolo destacou que o Banco Central precisou reconhecer formalmente o descumprimento da meta de inflação em quatro dos últimos seis anos.

"Quando a gente olha o resultado da política monetária, estou comparando desde 2020, percebemos que só não houve uma carta aberta – que é quando o Banco Central tem que comunicar ao Ministério da Fazenda que não conseguiu cumprir a meta – em 2020 e em 2023. Ou seja, nesses seis anos, quatro anos, o Banco Central não cumpriu a meta."

Pelas regras do regime de metas, o BC é obrigado a prestar esclarecimentos formais sempre que a inflação ultrapassa a faixa de tolerância definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Galípolo observou ainda que os episódios de descumprimento não envolveram apenas desvios em relação ao centro da meta, mas também estouros da banda superior estabelecida para o índice.

Juros acima de países pares

Durante a audiência, o presidente do Banco Central reconheceu que o Brasil convive historicamente com taxas de juros mais altas do que as praticadas por países considerados pares econômicos.

Segundo ele, a combinação entre juros elevados e inflação persistente levanta dúvidas sobre o funcionamento dos mecanismos de transmissão da política monetária no país.

Debate sobre política monetária

Galípolo afirmou que o debate precisa avançar para entender por que o Brasil necessita de um aperto monetário mais intenso para produzir efeitos semelhantes sobre a inflação. Segundo ele, mesmo diante de uma política monetária restritiva, a inflação frequentemente permanece acima da meta estabelecida.

O presidente do BC também indicou que fatores estruturais da economia brasileira podem reduzir a eficiência da política de juros, exigindo taxas mais altas para conter a demanda e controlar as expectativas inflacionárias.

Atualmente, o sistema de metas prevê inflação de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Quando o índice oficial supera esse intervalo, o presidente do Banco Central deve encaminhar carta pública ao Ministério da Fazenda explicando as razões do descumprimento e as medidas previstas para reverter o quadro.

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