Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Eleições 2026

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosRadarEleições 2026
  1. Home >
  2. Notícias >
  3. Senadora liga Renan Calheiros aos casos BMG e Master: "mesma história"

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

CASO MASTER

Senadora liga Renan Calheiros aos casos BMG e Master: "mesma história"

Dra. Eudócia aponta ligação entre o Banco Master, o antigo escândalo dos consignados do INSS e suspeitas de 2007 que rondaram o senador emedebista quando ele presidia o Senado.

Congresso em Foco

29/5/2026 16:06

A-A+
COMPARTILHE ESTA NOTÍCIA

A crise do Banco Master fez o senador Renan Calheiros (MDB-AL) reencontrar um fantasma antigo: as suspeitas que cercaram o Banco BMG, o crédito consignado do INSS e a influência política sobre um mercado bilionário alimentado pela folha de aposentados e pensionistas. Da tribuna do Senado, a senadora Dra. Eudócia Caldas (PSDB-AL) fez na terça-feira (26) uma acusação frontal contra o conterrâneo. Chamou Renan de "pai da fraude do consignado do INSS", disse que ele age como "advogado de Daniel Vorcaro", controlador do Banco Master, e anunciou que vai colher assinaturas para criar uma CPI BMG-Master.

No mesmo dia, Eudócia protocolou representações na Procuradoria-Geral da República, na Polícia Federal, no Supremo Tribunal Federal e no Ministério Público Federal. A senadora pediu a reabertura de apurações relacionadas ao BMG e ao INSS. Para Eudócia, o colapso do Master, as denúncias de descontos indevidos no INSS e o antigo caso BMG não são histórias paralelas. São, segundo ela, partes de uma mesma engrenagem: bancos, operadores do consignado, dinheiro de aposentados, fundos de previdência e personagens políticos que reaparecem quando a conta chega.

Renan no comando

A acusação ganha peso porque Renan não acompanha o caso de longe. Ele preside a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado e também a subcomissão criada para tratar do Banco Master. É, ao mesmo tempo, fiscal político do caso e autor de projeto que obriga o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a cobrir integralmente perdas de regimes próprios de previdência e entidades de previdência complementar que aplicaram recursos no conglomerado do Master.

É aí que Eudócia finca a faca política: o senador que se apresenta como investigador do escândalo seria, na visão dela, parte da história que precisa ser investigada. "Renan Calheiros está se comportando como o verdadeiro advogado de Daniel Vorcaro", afirmou. Em seguida, anunciou que pedirá a reabertura de apurações sobre o BMG e defenderá a inclusão de Renan nas investigações relacionadas ao consignado do INSS.

O documento de 2007

O passado invocado pela senadora remonta a 2004, quando o BMG avançou rapidamente no mercado de crédito consignado para aposentados e pensionistas. O negócio era simples e poderoso: empréstimos descontados diretamente do benefício previdenciário, com risco baixo para o banco e impacto direto sobre a renda de quem depende do INSS para viver.

Renan preside hoje a CAE e a subcomissão que apura o caso Master, instalada dentro do colegiado.

Renan preside hoje a CAE e a subcomissão que apura o caso Master, instalada dentro do colegiado.Carlos Moura/Agência Senado

As suspeitas ganharam corpo em 2007, quando o advogado Bruno de Miranda Lins, ex-genro do lobista Luiz Carlos Garcia Coelho, apontado à época como próximo de Renan, prestou depoimento à Polícia Federal. Na ocasião, Lins acusou Renan e o então senador Romero Jucá (MDB-RR) de atuarem para favorecer o BMG nas operações de crédito consignado a aposentados e pensionistas. Segundo o relato publicado à época, Renan teria passado a "dar as cartas" no PMDB depois de assumir a presidência do Senado. O senador havia sido padrinho de casamento do advogado.

Na versão de Lins, o caminho do dinheiro passava pelo BMG, por saques em espécie e por Garcia Coelho, seu então sogro. O advogado relatou ter retirado valores milionários no banco e entregado recursos ao lobista. Também afirmou que minutas de normas do INSS teriam circulado antes de serem formalizadas, numa dinâmica que, segundo a denúncia, colocaria o banco privado dentro da engrenagem regulatória que deveria controlá-lo.

As sacolas de dinheiro

O trecho mais corrosivo da denúncia era físico: dinheiro vivo em sacolas. Lins descreveu entregas em espécie, incluindo R$ 150 mil a Carlos Bezerra, ex-presidente do INSS, em um quarto de hotel em Brasília, e R$ 50 mil a um diretor da Dataprev numa casa no Lago Sul. A maior transação, segundo o relato, teria ocorrido em Belo Horizonte. Lins disse ter retirado nas dependências do BMG uma sacola com R$ 3 milhões em dinheiro vivo, que, de acordo com sua versão, seria destinada ao grupo político de Renan Calheiros. Outros dois saques, de R$ 2,5 milhões cada, teriam sido feitos em Brasília para o próprio Garcia Coelho.

As declarações integraram o Inquérito 2475, no Supremo Tribunal Federal, aberto a partir de desdobramentos do mensalão para apurar fraudes em convênios do INSS. O caso reuniu dezenas de volumes, interceptações e quebras de sigilo. As investigações em relação ao senador foram arquivadas. Ainda assim, o depoimento deixou uma sombra persistente: a suspeita de que o consignado, desde a origem, cresceu sob a influência de operadores, lobistas e políticos capazes de transformar o contracheque do aposentado em negócio de alta rentabilidade.

A cadeira perdida

Na época dessas denúncias, Renan não era um senador qualquer. Era presidente do Senado. Em 2007, enfrentou uma sequência de acusações por quebra de decoro que corroeu sua autoridade, paralisou a Casa e quase lhe custou o mandato. O Conselho de Ética chegou a aprovar relatório pela cassação em uma das representações contra ele.

Renan acabou absolvido pelo Plenário em uma votação apertada no primeiro processo, mas a crise não arrefeceu. Em dezembro daquele ano, cercado por novas representações e já afastado da presidência, renunciou ao comando do Senado. Salvou o mandato, mas perdeu a cadeira. É esse histórico que torna mais explosiva a ofensiva de Eudócia: o personagem agora encarregado de esquadrinhar o Master é o mesmo que, vinte anos antes, viu seu poder ruir sob acusações ligadas a empreiteira, laranjas, influência no INSS e suspeitas envolvendo o BMG.

O elo com o Master

A ponte entre o velho BMG e o novo Master passa por Márcio Alaor de Araújo, ex-vice-presidente do BMG e nome conhecido no setor de consignados. Depois de atuar no banco mineiro, Alaor reapareceu no ecossistema do Banco Master, ligado à área de benefícios e consignados.

Na CPMI do INSS, o advogado Eli Cohen afirmou que o BMG estaria associado a fraudes em consignados desde 2005 e citou Alaor em supostos esquemas envolvendo beneficiários do INSS. O BMG repudiou as acusações; Alaor nega irregularidades e não há condenação contra ele nesses fatos. Ainda assim, a história réune elementos que a entrelaçam. Antes, o BMG; agora, o Master. No centro do esquema, o consignado. Na ponta frágil, aposentados e pensionistas.

O socorro contestado pelo BC

Outro ponto citado pela senadora é o projeto de lei 2502/2026, de autoria de Renan. A proposta prevê cobertura integral do FGC para depósitos de regimes próprios de previdência e entidades de previdência complementar de estados, municípios e Distrito Federal no conglomerado Banco Master. O texto chama atenção por mirar uma situação concreta e por beneficiar fundos expostos a papéis do banco de Daniel Vorcaro.

A proposta foi criticada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Ele alertou que o FGC foi concebido para proteger investidores de varejo, não investidores profissionais ou institucionais. Para Galípolo, ampliar o mecanismo para cobrir tíquetes maiores pode distorcer a finalidade do fundo e desequilibrar a relação entre risco e retorno no sistema financeiro.

Renan alegou que sua atuação busca proteger aposentados e pensionistas, cobrar explicações do Banco Central e responsabilizar quem permitiu o colapso do Master. Mas Eudócia vê contradição. Para ela, Renan usa a cadeira de presidente da CAE e sua influência no Senado para defender uma saída que preserva interesses ligados ao Master e empurra a conta para o sistema. Para Eudócia, o Senado precisa encarar a hipótese de que o escândalo do Master não começou no Master; e de que o velho caso BMG talvez ainda não tenha acabado. "É a mesma história", sustenta.

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

Banco Master Dra. Eudócia sistema financeiro BMG Daniel Vorcaro Renan Calheiros crédito consignado Caso Master Banco Central

Temas

Congresso

LEIA MAIS

VÍDEO

Lula enfrenta Alcolumbre e diz que vai indicar Messias novamente

VÍDEO

Lula interrompe vaia a senador opositor e cobra respeito de eleitores

ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA

Comissão na Câmara aprova uso do nome religioso em órgãos públicos

NOTÍCIAS MAIS LIDAS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES