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VAZAMENTOS
Congresso em Foco
2/6/2026 | Atualizado às 14:28
Novo vazamento do portal Intercept Brasil com mensagens extraídas do celular do proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, revela que o banqueiro estabeleceu o patrocínio do filme Dark Horse como prioridade financeira no primeiro semestre de 2025. A orientação aos seus operadores foi dada após uma cobrança do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
As mensagens revelam um pedido de Flávio ao empresário Thiago Miranda, seu intermediário no contato com Vorcaro, para que cobrasse do banqueiro um pagamento pendente ao roteirista do filme baseado na campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018. "Sei que você não tem ingerência lá, mas vale uma cobrada lá pra que tenham um prazo final pra fazer", disse o senador.
A cobrança foi encaminhada em janeiro de 2025 ao controlador do Master, que prometeu agilizar o pagamento. Nos dias seguintes, o banqueiro passou a acompanhar pessoalmente o assunto e questionou repetidamente seu cunhado e operador financeiro, Fabiano Zettel, sobre o andamento dos repasses.
As conversas mostram que, ao descobrir que o projeto sequer estava entre as prioridades financeiras em processamento, Vorcaro determinou que o filme passasse a ser tratado como o desembolso mais importante. Em uma das mensagens, ele afirma que o projeto era "o mais importante disparado" e que não poderia haver novas falhas nos pagamentos.
Zettel também confirmou ao cunhado o valor combinado para os repasses ao filme: dez parcelas de US$ 2,5 milhões. O montante total foi cotado à época em R$ 134 milhões para a produção de Dark Horse.
Vazamentos anteriores
Flávio Bolsonaro enfrenta uma crise de imagem desde o início de maio, quando começaram os primeiros vazamentos envolvendo a participação de Daniel Vorcaro no custeio da obra cinematográfica, gravada nos Estados Unidos. O primeiro deles foi um áudio enviado pelo parlamentar ao banqueiro em novembro de 2025, também cobrando recursos para o filme.
O congressista se defendeu afirmando que se tratava de um patrocínio privado a uma produção privada, em uma época em que ainda não existiam suspeitas sobre a fraude no Banco Master.
Dias depois, o Intercept divulgou novas mensagens e documentos que apontam que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, radicado nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, estaria entre os gestores financeiros da produção. Ele também teria orientado Vorcaro sobre como encaminhar o dinheiro aos Estados Unidos sem atrair a atenção dos serviços alfandegários.
Os vazamentos também indicam que as transferências teriam sido realizadas por meio de fundos de investimento ligados a aliados de Eduardo. Ele nega ter recebido os valores. A Polícia Federal investiga se o patrocínio ao filme teria servido como ferramenta para custear a permanência do ex-deputado nos Estados Unidos, onde articulou junto ao governo local a imposição de sanções contra autoridades brasileiras.
Efeito eleitoral
Desde o início dos vazamentos, o desempenho de Flávio Bolsonaro em pesquisas eleitorais entrou em queda. A mais recente, do instituto Real Time Big Data, indicou derrota em segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pelo Planalto: o pré-candidato do PT aparece com 45% de intenções de voto, contra 40% do nome do PL. Até então, os dois estavam em empate técnico, com Flávio na dianteira.
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