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VAZAMENTO

Planilha expõe pagamentos de US$ 10,6 mi de Vorcaro para Dark Horse

Documentos vazados pelo Intercept detalham datas, valores e cronogramas do contrato de patrocínio do Banco Master ao filme de Bolsonaro.

Congresso em Foco

9/6/2026 15:37

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Em novo vazamento publicado nesta terça-feira (9), o portal Intercept Brasil divulgou documentos trocados entre o proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seus interlocutores diretos. O material detalha planos de pagamento e repasses realizados para a produção do filme Dark Horse, que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.

Os documentos também revelam a participação de um dos fundos de investimento ligados ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro como destinatário de um dos repasses. O valor e a data da transferência coincidem com o cronograma registrado na documentação.

Cronograma revela que valor enviado foi menos da metade do combinado com Daniel Vorcaro.

Cronograma revela que valor enviado foi menos da metade do combinado com Daniel Vorcaro. Rubens Cavallari/Folhapress

Material vazado

O plano de financiamento de Dark Horse foi registrado em uma planilha intitulada "Funding Schedule". O documento, compartilhado entre operadores do Banco Master, prevê pagamentos de US$ 23,9 milhões entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. A planilha também registra repasses já realizados, que somam US$ 10,6 milhões entre fevereiro e maio de 2025.

Também foram divulgadas mensagens de agosto de 2025 entre o empresário Thiago Miranda, apontado como intermediário da família Bolsonaro, e Daniel Vorcaro. Nas conversas, Miranda menciona a planilha e informa que havia duas parcelas em atraso e uma terceira prestes a vencer. Vorcaro responde: "Segunda fazemos duas".

Na sequência, o controlador do Banco Master cobra de seu cunhado e assistente, Fabiano Zettel, uma solução para as parcelas pendentes. Zettel responde que iria "para cima do mineiro", apelido atribuído a Antônio Carlos Freixo Júnior, executivo ligado à Entre Investimentos e Participações.

A reportagem também divulgou um comprovante de transferência internacional de US$ 2 milhões realizada em 13 de fevereiro de 2025 para o Havengate Development Fund LP, fundo controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. A Entre Investimentos e Participações aparece como remetente da operação.

O Grupo Entre se manifestou sobre o caso e afirmou que "realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro". A empresa declarou ainda estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sobre os repasses.

Confira a planilha:

Valores foram enviados em seis parcelas entre fevereiro e maio de 2025.

Valores foram enviados em seis parcelas entre fevereiro e maio de 2025.Reprodução/Intercept Brasil

Vazamentos de Dark Horse

A família Bolsonaro enfrenta uma crise de imagem desde o início de maio, quando começaram os primeiros vazamentos envolvendo a participação de Daniel Vorcaro no custeio da obra cinematográfica, gravada nos Estados Unidos. O primeiro deles foi um áudio enviado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro em novembro de 2025, também cobrando recursos para o filme.

O congressista se defendeu afirmando que se tratava de um patrocínio privado a uma produção privada, em um período em que ainda não existiam suspeitas sobre a fraude no Banco Master.

Dias depois, o Intercept divulgou novas mensagens e documentos que apontam que Eduardo Bolsonaro, radicado nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, estaria entre os responsáveis pela gestão financeira da produção. Segundo a reportagem, ele também teria orientado Vorcaro sobre formas de encaminhar recursos aos Estados Unidos sem chamar a atenção dos serviços alfandegários.

Os vazamentos também indicam que as transferências teriam sido realizadas por meio de fundos de investimento ligados a aliados de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado nega ter recebido os valores. A Polícia Federal investiga se o patrocínio ao filme teria sido utilizado para custear sua permanência nos Estados Unidos, onde articulou junto ao governo local a imposição de sanções contra autoridades brasileiras.

Desde o início dos vazamentos, o desempenho de Flávio Bolsonaro nas pesquisas eleitorais tem apresentado queda. A mais recente, realizada pelo instituto Real Time Big Data, apontou derrota em segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma eventual disputa pelo Planalto. O pré-candidato do PT aparece com 45% das intenções de voto, ante 40% do nome do PL. Até então, os dois estavam em empate técnico, com Flávio Bolsonaro numericamente à frente.

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