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Quaest: Caso Master e tarifaço dos EUA desgastam Flávio Bolsonaro

Pesquisa mostra maioria crítica a pedido de financiamento a Daniel Vorcaro e maior adesão à narrativa de Lula sobre tarifas impostas por Trump.

Congresso em Foco

10/6/2026 | Atualizado às 9:20

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A piora de Flávio Bolsonaro (PL) na pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) aparece associada a dois focos de desgaste para o senador: o caso envolvendo Daniel Vorcaro e o Banco Master e a disputa de narrativa sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. No confronto direto de segundo turno, Flávio caiu de 41% para 38% em um mês, enquanto Lula subiu de 42% para 44%.

O primeiro ponto de pressão vem do caso Master. Segundo a Quaest, 55% dos entrevistados dizem já saber das conversas e negociações entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. A pesquisa informou aos eleitores que notícias recentes apontam áudios, encontro e repasses de cerca de R$ 61 milhões que ligam o senador ao ex-banqueiro e a um filme sobre Jair Bolsonaro, caso hoje investigado pela Polícia Federal.

Veja a nova pesquisa.

Flávio e Donald Trump posaram para foto durante visita do senador ao presidente dos Estados Unidos. Decisões anunciadas após encontro desgastaram presidenciável do PL.

Flávio e Donald Trump posaram para foto durante visita do senador ao presidente dos Estados Unidos. Decisões anunciadas após encontro desgastaram presidenciável do PL.Reprodução/redes sociais

Maioria vê erro de Flávio

Quando questionados se Flávio acertou ou errou ao pedir financiamento a Vorcaro para o filme sobre Jair Bolsonaro, 65% responderam que ele errou e deveria ter evitado. Apenas 17% disseram que o senador acertou e que "não há nada demais". Outros 18% não souberam ou não responderam.

O dado é especialmente relevante porque a avaliação negativa extrapola o campo lulista. Entre eleitores independentes, 67% dizem que Flávio errou. Na direita não bolsonarista, 53% têm a mesma avaliação. Mesmo entre bolsonaristas, o resultado é dividido: 42% dizem que ele acertou e 42% afirmam que ele errou.

A pesquisa também mostra que 60% dos entrevistados consideram que as conversas entre Flávio e Vorcaro levantaram suspeitas sobre atitudes ilegais. Outros 19% veem as conversas como normais, e 21% não souberam ou não responderam. Em outra pergunta, 58% dizem considerar que Flávio pode estar escondendo um possível envolvimento ilegal no caso Banco Master, contra 27% que afirmam que ele não está envolvido.

Impacto eleitoral limitado; desgaste amplo

A relação com Vorcaro não muda a disposição de voto de todos os eleitores, mas reforça resistências. Metade dos entrevistados afirma que as notícias não alteram sua posição porque já não votaria em Flávio. Outros 26% dizem que continuam iguais e ainda votariam no senador. Para 12%, as revelações diminuem a vontade de votar nele; para 6%, aumentam.

O diretor da Quaest, Felipe Nunes, avaliou que a piora no cenário eleitoral de Flávio se apoia em três fatores combinados: o aumento, de 9% para 16%, da parcela que considera a família Bolsonaro uma das mais afetadas pelo escândalo do Banco Master; a percepção majoritária de que o senador errou ao pedir financiamento a Vorcaro; e a suspeita, captada pela pesquisa, de que Flávio possa estar escondendo algum envolvimento ilegal no caso.

Trump e tarifas

O segundo eixo de desgaste envolve a agenda de Flávio com Donald Trump e as tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros. De acordo com a Quaest, 50% dos entrevistados dizem já saber do encontro entre Flávio e Trump. Sobre a decisão do governo americano de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, 63% afirmam ter conhecimento.

A pauta tem apoio quando tratada como decisão brasileira: 60% defendem que o Brasil classifique organizações criminosas como PCC e CV como terroristas. O cenário muda quando a iniciativa parte dos Estados Unidos. Nesse caso, o eleitorado se divide: 45% são favoráveis e 45% contrários à classificação pelo governo americano.

O levantamento também mostra preocupação com os efeitos econômicos das medidas dos EUA. Para 53% dos entrevistados, punições financeiras relacionadas à classificação de grupos criminosos como terroristas podem prejudicar bancos e empresas brasileiras. Além disso, 55% dizem acreditar que as novas tarifas impostas por Trump aos produtos brasileiros podem prejudicar sua vida ou a de sua família.

Narrativa de Lula prevalece

Na disputa direta de versões sobre o tarifaço, Lula leva vantagem. A Quaest perguntou com quem o eleitor concorda mais: 47% dizem concordar com Lula, que acusa Flávio de ter pedido o novo tarifaço contra o Brasil; 35% concordam com Flávio, que nega a acusação e afirma ter pedido a Trump para não impor novas tarifas. Outros 18% não souberam ou não responderam.

A vantagem de Lula se repete quando a pergunta trata da motivação das tarifas. Para 46%, faz mais sentido a versão do presidente de que as novas taxas são uma retaliação ao Pix. Para 36%, prevalece a explicação de Flávio de que as tarifas resultam de declarações de Lula contra os Estados Unidos. Outros 10% não concordam com nenhum dos dois, e 8% não souberam ou não responderam.

A disputa também alcança o campo simbólico do patriotismo. Para 47% dos entrevistados, Lula representa melhor o discurso de defesa dos interesses do Brasil. Flávio é citado por 37%. Outros 10% dizem que nenhum dos dois representa melhor esse discurso, e 6% não souberam ou não responderam.

Felipe Nunes avaliou que a agenda com Trump não trouxe boas notícias para Flávio. Na avaliaão do diretor da Quaest, embora a maioria defenda que PCC e Comando Vermelho sejam tratados como organizações terroristas pela lei brasileira, a sociedade se divide quando a classificação parte do governo americano. Nunes também afirmou que a narrativa de Lula sobre o tarifaço e sobre uma possível retaliação ao Pix tem hoje mais aderência do que a versão apresentada por Flávio.

A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e realizada pela Quaest entre 5 e 8 de junho. Foram ouvidas 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-07661/2026.

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