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ELEITORAL
Congresso em Foco
23/6/2026 | Atualizado às 13:05
A desistência de Kim Kataguiri e Paulo Serra da disputa pelo governo de São Paulo pode produzir um efeito raro na política paulista: uma eleição praticamente plebiscitária entre dois campos principais e com chances reais de definição já no primeiro turno.
Os dois pré-candidatos somavam 10% das intenções de voto na pesquisa Quaest mais recente. Kim aparecia com 5%, mesmo percentual atribuído ao tucano Paulo Serra. Com a saída de ambos, parte desse eleitorado tende a migrar para Tarcísio de Freitas (Republicanos), líder das pesquisas, enquanto outra parcela pode se dispersar entre candidaturas menores ou indecisos.
O movimento ocorre em um momento especialmente favorável ao governador. Na última sondagem da Quaest, Tarcísio registrava 38%, contra 26% de Fernando Haddad (PT). A diferença de 12 pontos já colocava o atual governador em posição confortável para a campanha.
Redução da dispersão eleitoral
Mais importante que a vantagem sobre Haddad é a redução da dispersão eleitoral. Quanto menos candidatos competitivos houver, menor tende a ser o percentual de votos desperdiçados em candidaturas sem chances reais de vitória.
A matemática eleitoral ajuda a explicar o fenômeno. Para vencer no primeiro turno, um candidato precisa obter mais da metade dos votos válidos. Em cenários muito pulverizados, esse objetivo costuma ser difícil. Quando a disputa se concentra em dois ou três nomes relevantes, a barreira torna-se mais acessível.
Foi exatamente o que aconteceu em 2022. Naquele ano, Tarcísio recebeu 42,3% dos votos válidos no primeiro turno. Fernando Haddad obteve 35,7%. Rodrigo Garcia, então governador e candidato à reeleição, ficou com 18,4%.
Se os votos de Rodrigo Garcia não tivessem existido ou tivessem migrado majoritariamente para Tarcísio, a disputa poderia ter sido resolvida ainda na primeira etapa da eleição.
O cenário atual apresenta algumas semelhanças. A retirada de candidaturas intermediárias reduz o espaço para uma terceira via de centro-direita e favorece a concentração dos votos em torno do governador.
Um terceiro nome
Por isso, a movimentação também aumenta a pressão sobre a esquerda para lançar um nome capaz de ultrapassar o patamar tradicional do PT em São Paulo. Nos bastidores, aliados defendem a entrada de Márcio França (PSB) na disputa. Mais do que vencer Tarcísio, o objetivo seria criar uma candidatura com musculatura suficiente para impedir que o governador alcance a maioria absoluta dos votos válidos.
A lógica é simples: se um terceiro nome conseguir algo entre 10% e 15% dos votos, torna-se mais difícil para Tarcísio ultrapassar a linha dos 50% ainda no primeiro turno.
Nesse contexto, o segundo turno ganharia relevância não apenas para a eleição paulista, mas também para o cenário nacional. Uma campanha adicional de quatro semanas em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, serviria como vitrine para o campo oposicionista e anteciparia debates que devem marcar a disputa presidencial de 2026.
A saída de Kim Kataguiri e Paulo Serra, portanto, vai além das estratégias individuais de dois políticos que decidiram concorrer à Câmara dos Deputados. Ela altera a geometria da disputa paulista e aproxima um cenário que, até poucos meses atrás, parecia improvável: a possibilidade de o governador encerrar a eleição antes mesmo de novembro.
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