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Copa do Mundo

Eduardo Girão associa derrota do Brasil na Copa ao avanço das bets

Senador afirmou que o Brasil se tornou um "paraíso das casas de apostas" e defendeu restrições ao setor.

Congresso em Foco

6/7/2026 15:51

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O senador Eduardo Girão (Novo-CE) atribuiu a eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo a fatores que, segundo ele, vão além do desempenho esportivo. Em discurso virtual no Senado, o parlamentar afirmou que a derrota para a Noruega reflete problemas estruturais do país, criticou a influência das casas de apostas no futebol brasileiro e voltou a defender restrições ao setor. Para Girão, o resultado deve servir de alerta para que Congresso, Executivo e Judiciário revejam suas prioridades.

Girão disse compartilhar a frustração dos brasileiros com a eliminação e afirmou que o desfecho era previsível. "Essa tragédia, para mim, já estava anunciada. Nunca me convenceu, não apenas pelo futebol, mas principalmente pelo extracampo. Acho que nada acontece por acaso, tudo está relacionado", declarou. O senador comparou o resultado à derrota por 7 a 1 para a Alemanha, na Copa de 2014, e afirmou que o revés para a Noruega tem "cara de 7 a 1".

O principal alvo das críticas foi o mercado de apostas esportivas. Segundo o senador, o Brasil se transformou em um "paraíso das casas de apostas", enquanto países como a Noruega adotam regras mais rígidas para publicidade do setor e mecanismos de proteção contra o endividamento da população.

Girão afirmou que a ampla presença das bets no futebol brasileiro compromete a relação entre a seleção e os torcedores e responsabilizou a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) por aceitar patrocínio de empresas do segmento. "O Brasil virou o paraíso das casas de apostas, que afastam o torcedor do futebol", disse. Na avaliação do parlamentar, a entidade tem responsabilidade pelos impactos sociais provocados pela expansão das apostas.

O senador criticou a escolha do italiano Carlo Ancelotti para comandar a seleção brasileira. Embora tenha afirmado não fazer críticas pessoais ao treinador, Girão disse que o país deveria ser dirigido por um técnico brasileiro. "Nós somos o país do futebol. Para que trazer gente de fora? É nossa essência, é nossa identidade", afirmou. Como exemplo, citou o ex-jogador Felipe Luís, elogiando sua trajetória profissional e o fato de não fazer publicidade para empresas de apostas.

Neymar também foi alvo de críticas do senador. O senador afirmou que o fato de o camisa 10 promover empresas do setor simboliza uma inversão de valores no futebol brasileiro. "Você vê um Neymar fazendo propaganda de aposta. Não me comove o choro dele no final", declarou. Para Girão, a reação do jogador após a eliminação evidenciou "a desarmonia" da seleção e de um país que, em sua avaliação, "preferiu as apostas, a jogatina, o desespero do seu público".

Por fim, Girão pediu que o Congresso aprove projetos para endurecer as regras sobre as bets e lembrou que votou contra a regulamentação do setor. O senador afirmou que a expansão das apostas tem retirado recursos da economia produtiva e prejudicado milhares de brasileiros. "Vamos aprovar os projetos para acabar com isso. Isso está acabando com os brasileiros, está acabando com o Brasil", declarou.

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