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TARIFAÇO
Congresso em Foco
8/7/2026 9:50
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nesta terça-feira (7) uma nota em que critica duramente a participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na audiência pública promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), responsável por discutir a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros.
Segundo o Palácio do Planalto, Flávio foi o único brasileiro inscrito no debate que não se posicionou contra o tarifaço, optando apenas por defender o adiamento da medida, postura que o governo classificou como tendo "claro objetivo eleitoreiro".
"O senador optou por sugerir o seu adiamento, com claro objetivo eleitoreiro", afirma a nota.
Na manifestação, o governo acusa Flávio de não contestar as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para investigar o Brasil e de acabar validando as acusações feitas por Washington.
"Em vez de rebater as alegações infundadas do governo norte-americano para taxar o Brasil, o senador optou por legitimar os resultados de uma investigação injusta contra empresários e trabalhadores do nosso país", diz o texto.
O Planalto também afirma que o senador não negou que sua família e aliados tenham contribuído para a origem da crise comercial.
"O senador não negou que a campanha promovida por sua família e seus aliados esteve na origem do tarifaço contra o Brasil", afirma a nota.
Caso Master
Um dos principais ataques do governo diz respeito à menção feita por Flávio ao caso Master durante sua exposição na audiência.
Segundo a nota, o senador citou o escândalo sem mencionar que, na avaliação do governo, ele teve origem durante a gestão de Jair Bolsonaro.
O Planalto também afirma que Flávio omitiu sua própria relação com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
"Ao citar o caso Master, maior esquema de corrupção da história do país, omitiu sua origem vinculada ao governo de Jair Bolsonaro. Também esqueceu de mencionar seus próprios vínculos com Daniel Vorcaro, para quem pediu mais de R$ 130 milhões para, segundo ele alega, produzir um filme sobre o seu pai."
Pix e redes sociais
A nota também critica a posição apresentada por Flávio em relação ao Pix e à regulação das plataformas digitais.
Segundo o governo, o senador teria mudado de discurso sobre o sistema de pagamentos instantâneos.
"Ao contrário do que o senador Flávio Bolsonaro e sua família defenderam ao longo do último ano, ele agora tenta mudar o discurso e passar a imagem de que defende o Pix. Mesmo assim, propõe subordinar o Pix aos interesses norte-americanos."
O governo ainda acusa o parlamentar de defender a revogação de normas brasileiras voltadas ao combate à violência contra mulheres e à circulação de conteúdos criminosos nas redes sociais.
Defesa das negociações
Na nota, o governo afirma que mantém negociações permanentes com os Estados Unidos desde julho de 2025 para tentar reverter as tarifas impostas aos produtos brasileiros.
Segundo o Planalto, enquanto Flávio participava da audiência pública, representantes dos ministérios do Desenvolvimento, da Justiça, das Relações Exteriores e do próprio Palácio do Planalto estavam reunidos com técnicos do USTR em busca de uma solução para o impasse comercial.
Ao encerrar a manifestação, o governo diferencia oposição política de atuação contra os interesses nacionais.
"Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à Pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro", conclui a nota.
Veja a íntegra.
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