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Eleições 2026

Primeiras-damas saem dos bastidores e entram na disputa pelo poder

A combinação entre atuação pública, redes sociais e articulação política fortalece uma nova geração de candidatas.

Congresso em Foco

9/7/2026 7:00

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A figura da primeira-dama deixou de estar restrita às agendas protocolares e às ações de representação.

Em diferentes estados, esposas de governadores, prefeitos e outras lideranças políticas passaram a ocupar espaço permanente na comunicação de governos, na articulação institucional e na aproximação com diferentes segmentos da sociedade.

A atuação em programas sociais continua sendo uma das principais marcas desse grupo, especialmente em iniciativas voltadas à infância, às mulheres, às famílias e à população em situação de vulnerabilidade.

Ao longo dos mandatos dos maridos, muitas delas conquistaram visibilidade pública, ampliaram o contato com lideranças locais e consolidaram uma imagem própria junto ao eleitorado.

Nos últimos anos, a expansão das redes sociais acelerou esse processo.

A participação frequente em vídeos, agendas públicas e conteúdos de bastidores tornou essas mulheres personagens centrais da comunicação política, ajudando a humanizar governos e campanhas e fortalecendo sua presença para além do papel tradicional de primeira-dama.

Esse cenário abriu espaço para projetos eleitorais próprios. Em 2026, diversas primeiras-damas e esposas de lideranças políticas devem disputar vagas no Legislativo, em um movimento que reúne nomes de diferentes partidos e regiões do país e reflete uma nova etapa da participação feminina na política institucional.

A atuação em programas sociais, nas redes sociais e nas campanhas impulsiona novas candidaturas femininas para 2026.

A atuação em programas sociais, nas redes sociais e nas campanhas impulsiona novas candidaturas femininas para 2026.PL/ Flickr / Reprodução com Arte Congresso em Foco

Da visibilidade à candidatura

A transição da atuação institucional para a disputa eleitoral não acontece da mesma forma em todos os casos. Algumas construíram projeção por meio de programas sociais; outras ganharam espaço na comunicação digital ou na articulação política dos grupos dos quais fazem parte.

Há ainda aquelas que acumularam experiência em cargos administrativos antes de anunciar a intenção de concorrer.

Apesar das trajetórias distintas, todas têm em comum a tentativa de converter a exposição conquistada ao longo dos últimos anos em uma identidade política própria. Confira quem são as principais mulheres que já aparecem no cenário eleitoral de 2026.

Senado, Câmara e assembleias legislativas estão entre os cargos disputados pelas primeiras-damas.

Senado, Câmara e assembleias legislativas estão entre os cargos disputados pelas primeiras-damas.PL/ Flickr / Reprodução com Arte Congresso em Foco

Michelle Bolsonaro

Entre os nomes cotados para 2026, Michelle Bolsonaro é a figura de maior projeção nacional. Esposa de Jair Bolsonaro e ex-primeira-dama da República, ela é tratada pelo Partido Liberal como principal nome para disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal.

Ao longo dos últimos anos, Michelle consolidou sua imagem como uma das principais lideranças do bolsonarismo entre mulheres e evangélicos.

A força desse capital político voltou a ficar evidente recentemente, quando um vídeo publicado por ela nas redes sociais foi interpretado como uma tentativa de reforçar sua influência justamente junto aos segmentos em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrenta maior dificuldade de crescimento.

Pouco depois, Michelle anunciou que deixaria a presidência do PL Mulher.

Embora tenha atribuído a decisão a questões familiares, a saída ocorreu em meio ao desgaste provocado pela crise interna no partido e alimentou especulações sobre os próximos passos de sua trajetória política.

Mesmo fora do comando do PL Mulher, Michelle continua sendo tratada pela legenda como um de seus principais ativos eleitorais para 2026.

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Gracinha Caiado

Em Goiás, Gracinha Caiado deixou de ser apenas uma figura ligada aos programas sociais do governo estadual para assumir um papel de destaque na articulação política do grupo liderado pelo seu marido, o ex-governador e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD).

Cotada para disputar uma das vagas ao Senado pelo União Brasil, Gracinha tem como principais ativos a experiência acumulada durante os anos em que atuou como primeira-dama e a proximidade com prefeitos e lideranças do interior goiano.

O cenário também é favorável nas pesquisas.

Levantamento do Paraná Pesquisas, divulgado na segunda-feira (6), aponta Gracinha na liderança da corrida ao Senado em Goiás, com 35,1% das intenções de voto. Em seguida aparecem o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO), com 25,8%, e o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), com 21,2%

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Marina Candia

Em Alagoas, Marina Candia deu um passo além das especulações e lançou oficialmente sua pré-candidatura à Câmara dos Deputados.

Esposa do ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao governo de Alagoas, João Henrique Caldas (JHC), ela ganhou projeção durante a campanha de reeleição do marido e ampliou a presença em agendas voltadas à saúde, à assistência social e à infância.

O lançamento da pré-candidatura foi marcado por um adesivaço em Maceió, que reuniu apoiadores e lideranças políticas. Na ocasião, Marina afirmou que pretende construir um mandato voltado à representação feminina e à ampliação da destinação de recursos federais para Alagoas, com atenção especial às áreas de saúde e políticas públicas voltadas às mulheres.

Nas redes sociais, Marina também consolidou uma comunicação própria, mesclando ações institucionais, projetos sociais e momentos da rotina familiar.

A estratégia fortaleceu sua imagem pública e ampliou seu alcance para além da capital alagoana, tornando-a uma das principais apostas do grupo político de JHC para as eleições de 2026.

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Regina Nunes

Em São Paulo, Regina Nunes oficializou a sua pré-candidata a deputada estadual.

Esposa do prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP), ela construiu sua imagem pública principalmente por meio da defesa da causa animal, participando de campanhas de adoção, ações de proteção e eventos voltados ao bem-estar dos animais.

Ao longo dos últimos anos, essa agenda se consolidou como sua principal bandeira.

O anúncio da pré-candidatura marca um novo passo em sua trajetória pública e reforça a estratégia do grupo político do prefeito de ampliar sua representação na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A aposta é transformar a visibilidade construída em ações sociais e na atuação ao lado da gestão municipal em um projeto eleitoral próprio.

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Virginia Mendes

No Mato Grosso, Virginia Mendes oficializou a pré-candidatura à Câmara dos Deputados pelo União Brasil.

Ao longo dos anos em que atuou como primeira-dama do estado, ganhou projeção à frente de programas voltados às mulheres, às crianças e às famílias em situação de vulnerabilidade, consolidando sua imagem na área social.

Sua candidatura integra o projeto político do grupo liderado por Mauro Mendes (União Brasil-MS), hoje pré-candidato ao Senado, em uma estratégia para ampliar a representação da legenda no Congresso Nacional.

A campanha, no entanto, deverá ser conciliada com um rigoroso acompanhamento médico. Virginia foi diagnosticada, em 2014, com doença renal policística, condição que levou à retirada dos dois rins e à realização de transplantes.

Em 2022, enfrentou um câncer no pâncreas e, três anos depois, recebeu o diagnóstico de fibromialgia. Apesar do histórico de saúde, afirma que pretende manter a pré-campanha, ainda que em um ritmo compatível com as orientações médicas.

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Sandra Cavalcante

No Ceará, Sandra Cavalcante, conhecida como Sandrinha, é pré-candidata a deputada federal pelo Podemos.

Pedagoga de formação, ela deixou, no fim de março, o cargo de chefe de gabinete da Prefeitura de Juazeiro do Norte para se dedicar ao projeto eleitoral.

Esposa do prefeito Glêdson Bezerra (Podemos), Sandra ganhou protagonismo durante a gestão municipal ao coordenar iniciativas como o programa "A Prefeitura no Seu Bairro", voltado à aproximação entre a administração e a população.

A experiência na gestão e a participação nas principais agendas do governo ajudaram a consolidar seu nome dentro do grupo político.

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Natália Boulos

Embora não ocupe o posto de primeira-dama, Natália Szermeta Boulos integra o grupo de esposas de lideranças políticas que se preparam para disputar as eleições de 2026.

Casada com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, ela anunciou a pré-candidatura à Câmara dos Deputados pelo PSOL.

Advogada, secretária de Organização do PSOL e liderança histórica do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Natália afirma ter mais de duas décadas de atuação nos movimentos sociais.

Seu nome foi indicado por organizações como o MTST, Fogo no Pavio e Povo pelo Povo para representar o campo dos movimentos populares na disputa eleitoral.

A expectativa do partido é que a candidatura ajude a manter o desempenho da legenda nas eleições proporcionais e contribua para ampliar a bancada do PSOL na Câmara, em um cenário em que Guilherme Boulos não deve disputar novamente uma vaga de deputado federal.

Antes da pré-candidatura, Natália também presidiu a Fundação Lauro Campos e Marielle Franco, instituição de formação política vinculada ao partido.

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Um caminho já percorrido

Embora o número de primeiras-damas cotadas para disputar as eleições de 2026 chame atenção, a estratégia de transformar a visibilidade adquirida ao lado de lideranças políticas em carreira própria não é novidade.

No Ceará, um dos exemplos mais consolidados é o da prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar (PSD-CE).

Em seu quinto mandato, ela iniciou a vida pública ao lado do ex-vice-governador e presidente estadual do PSD, Domingos Filho, mas construiu uma trajetória própria e se tornou uma das principais lideranças políticas do interior cearense.

Patrícia também integra uma das famílias mais influentes da política cearense: é mãe do deputado federal Domingos Neto (PSD-CE), que exerce o quarto mandato na Câmara dos Deputados.

Sua trajetória ilustra como a projeção conquistada inicialmente ao lado de uma liderança política pode evoluir para uma carreira com identidade própria e influência eleitoral consolidada.

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A consolidação política depende da construção de uma identidade própria, processo que muitas das pré-candidatas de 2026 buscam repetir.

À medida que as campanhas se tornam mais personalizadas e digitais, o papel das primeiras-damas também muda.

Se antes elas apareciam como coadjuvantes das gestões, hoje ocupam espaço cada vez maior na comunicação política e, em muitos casos, chegam ao próximo ciclo eleitoral como protagonistas de projetos próprios.

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