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ELEIÇÕES 2026
Congresso em Foco
31/7/2026 | Atualizado às 11:07
A pouco mais de duas semanas do prazo final para o registro das candidaturas, MDB e PL aparecem à frente na corrida pelas 54 cadeiras do Senado em disputa neste ano. Levantamento do Congresso em Foco, com base nas pesquisas disponíveis mais recentes até esta quinta-feira (30), coloca candidatos das duas legendas em 21 das 54 posições de liderança mapeadas, considerando os dois maiores percentuais de cada Estado e do Distrito Federal.
O MDB lidera o ranking partidário, com 11 posições, seguido pelo PL, com dez. O PT tem sete; o PP, seis; PSB e União Brasil, quatro cada; e o Republicanos, três.
A conta considera os dois candidatos numericamente mais bem colocados no cenário principal de cada unidade da Federação. Os demais nomes alcançados pela margem de erro continuam na disputa e aparecem na relação completa que acompanha a reportagem, mas não ampliam o universo de 54 posições usado no ranking partidário.
Veja, por região, os candidatos que encabeçam as pesquisas para as duas vagas em disputa em cada Estado e no DF. Passe a seta ou busque por nome para ver o quadro completo:
O resultado não representa uma projeção de cadeiras. As pesquisas foram realizadas por institutos, métodos e períodos diferentes. Além disso, as convenções seguem até 5 de agosto, e os partidos terão até as 19h de 15 de agosto para pedir o registro das candidaturas. Até lá, nomes e alianças ainda podem mudar.
MDB tem presença mais espalhada
A liderança do MDB é sustentada por candidaturas competitivas em diferentes regiões. O partido aparece numericamente à frente com nomes como Renan Calheiros, em Alagoas; Eduardo Braga, no Amazonas; Roseana Sarney, no Maranhão; Helder Barbalho, no Pará; Marcelo Castro, no Piauí; e Alvaro Dias, no Paraná.
A legenda também ocupa a segunda posição numérica em Mato Grosso, Paraíba, Roraima, Rio Grande do Sul e Tocantins. Sua força está na presença pulverizada e em políticos conhecidos, muitos com longa trajetória no Senado ou nos governos estaduais.
O PL soma dez posições em oito unidades da Federação. Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni ocupam as duas primeiras colocações. Em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar estão no grupo da frente, ao lado de Nelsinho Trad. O partido também lidera com Fernando Máximo, em Rondônia, e Eduardo Gomes, no Tocantins.
Os dois partidos apresentam perfis distintos. O MDB se apoia principalmente em lideranças estaduais tradicionais, enquanto o PL concentra força em candidaturas associadas à direita e ao bolsonarismo, com possibilidade de conquistar as duas vagas em alguns Estados.
O PT aparece em terceiro, com sete posições. Seu melhor cenário está na Bahia, onde Rui Costa e Jaques Wagner ocupam os dois primeiros lugares com vantagem. A legenda também lidera em Minas Gerais, com Marília Campos, e integra o grupo da frente no Amapá, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte.
O PP soma seis posições. Dois de seus nomes mais bem colocados, Gladson Cameli e Antonio Denarium, porém, chegam ao período de registro sob questionamentos jurídicos. Gladson foi condenado pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, e Denarium teve a inelegibilidade confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Ambos podem pedir registro, mas dependem de decisões que afastem ou suspendam os impedimentos para obter o deferimento das candidaturas.
Reeleição não garante favoritismo
Dos 54 senadores em fim de mandato, 34 sinalizam intenção de concorrer à reeleição, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar. Os atuais ocupantes das cadeiras contam com maior exposição, estrutura política, relações com prefeitos e acesso a emendas, mas as pesquisas mostram que essa vantagem não é uniforme.
Entre os senadores testados, Renan Calheiros, Eduardo Braga, Randolfe Rodrigues, Jaques Wagner, Cid Gomes, Leila Barros, Veneziano Vital do Rêgo, Humberto Costa, Marcelo Castro, Ciro Nogueira, Styvenson Valentim e Eduardo Gomes aparecem nas duas primeiras posições numéricas de seus Estados. Márcio Bittar também ocupa a segunda colocação no Acre.
Vanderlan Cardoso, Weverton Rocha, Carlos Viana, Nelsinho Trad, Carlos Portinho e Confúcio Moura estão tecnicamente empatados ou próximos da disputa pela segunda vaga. Em Sergipe, Rogério Carvalho e Alessandro Vieira permanecem no bloco competitivo, mas sem liderar.
Outros enfrentam situação mais difícil. Eudócia Caldas, Plínio Valério, Lucas Barreto, Angelo Coronel, Soraya Thronicke, Carlos Fávaro e Esperidião Amin aparecem, nos cenários considerados, fora das duas primeiras posições e sem empate técnico direto com os líderes.
A comparação é parcial: nem todos os senadores que cogitam a reeleição foram incluídos nas pesquisas mais recentes, e alguns dos nomes testados ainda podem ser retirados pelas convenções.
Disputas seguem emboladas
Apesar da dianteira partidária de MDB e PL, grande parte das vagas permanece aberta. O cenário mais fragmentado está no Rio Grande do Sul, onde Manuela DÁvila (Psol), Germano Rigotto (MDB), Paulo Pimenta (PT), Marcel van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL) aparecem tecnicamente empatados na disputa pelas duas cadeiras.
No Paraná, Alvaro Dias (MDB) lidera, mas Alexandre Curi (PSD), Deltan Dallagnol (Novo), Gleisi Hoffmann (PT) e Filipe Barros (PL) estão dentro da margem de erro na corrida pela segunda vaga.
Em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PL), Capitão Contar (PL) e Nelsinho Trad (PSD) aparecem tecnicamente empatados pelas duas cadeiras. Goiás também tem um líder mais destacado, Gracinha Caiado (União), e diferentes candidaturas na disputa pela segunda vaga.
No Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos) e Benedita da Silva (PT) ocupam as duas primeiras posições numéricas, mas Carlos Portinho (PL), Pedro Paulo (PSD) e Márcio Canella (União) permanecem próximos.
Também há cenários abertos no Piauí, onde Marcelo Castro (MDB), Ciro Nogueira (PP) e Júlio César (PSD) disputam as cadeiras; em Alagoas, com Renan Calheiros (MDB) na frente e Arthur Lira (PP) e Alfredo Gaspar (PL) próximos; e no Rio Grande do Norte, onde quatro candidatos aparecem dentro da margem de erro.
Os casos mostram que a liderança individual nem sempre significa domínio das duas vagas. Em vários Estados, um candidato conseguiu se destacar, mas a segunda cadeira permanece aberta.
Duplas se destacam
Em outros locais, dois candidatos abriram vantagem sobre o restante do pelotão. Na Bahia, Rui Costa e Jaques Wagner colocam o PT nas duas primeiras posições. No Amapá, Rayssa Furlan (Podemos) e Randolfe Rodrigues(PT) aparecem à frente de Lucas Barreto (PSD).
Na Paraíba, João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB) lideram, seguidos por Nabor Wanderley (Republicanos). Como a pesquisa permitia a indicação de dois candidatos, os percentuais ultrapassam 100% e não podem ser comparados diretamente com levantamentos que reduzem os resultados a uma escala de 100%.
Em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni colocam o PL em posição de disputar as duas cadeiras. Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) encabeçam a pesquisa em São Paulo, enquanto Leila Barros (PDT) e Michelle Bolsonaro (PL) aparecem à frente no Distrito Federal.
A possibilidade de um partido conquistar as duas vagas aparece com maior nitidez na Bahia, em Santa Catarina e em Mato Grosso do Sul. No primeiro Estado, o PT tem vantagem com Rui Costa e Jaques Wagner. Nos dois últimos, o PL busca a dobradinha, embora enfrente empate técnico em Mato Grosso do Sul.
Eleger os dois senadores de uma mesma unidade da Federação permite ao partido ampliar rapidamente sua bancada. A estratégia, porém, exige coordenação para que os eleitores distribuam os dois votos entre candidatos aliados.
Como ler os números
Os institutos adotam formatos diferentes para medir a eleição ao Senado. Alguns apresentam separadamente o primeiro e o segundo votos. Outros somam as duas escolhas, fazendo o total ultrapassar 100%, ou reduzem o resultado consolidado a uma escala de 100%.
Os percentuais devem, portanto, ser usados para comparar candidatos dentro de cada Estado, e não para formar um ranking nacional de votação individual. A fotografia mostra quais partidos e candidaturas chegam à reta final das definições em melhor posição, mas não antecipa a composição do Senado a partir de 2027. A disputa ao Senado é tratada como prioritária tanto pelo atual governo quanto pela oposição devido ao protagonismo da Casa na aprovação de autoridades e na abertura de processos de impeachment contra ministros de Estado e de tribunais superiores.
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