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JUDICIÁRIO

Daniel Silveira não violou cautelar em vídeo com Portinho, diz defesa

Advogados sustentam que ex-deputado não autorizou divulgação nem participou da edição ou da postagem do conteúdo publicado pelo senador.

Congresso em Foco

31/7/2026 10:17

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A defesa do ex-deputado Daniel Silveira declarou ao STF que a participação em vídeo publicado pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ) não violou a cautelar que proíbe o uso de redes sociais. Segundo os advogados, Silveira não solicitou a gravação, não autorizou sua divulgação nem teve controle sobre a publicação.

O ministro Alexandre de Moraes havia concedido prazo de 48 horas para que a defesa explicasse o episódio. No vídeo publicado no X, Silveira parabeniza Portinho pelo trabalho e declara apoio ao senador. Moraes apontou que a proibição de utilizar redes sociais é uma das condições impostas ao ex-deputado para o cumprimento da pena em regime aberto, e a violação pode resultar no retorno ao regime fechado.

Silveira cumpre pena em regime aberto, ficando proibido de acessar redes sociais.

Silveira cumpre pena em regime aberto, ficando proibido de acessar redes sociais. Reprodução

Na resposta apresentada ao STF, os advogados sustentaram que a gravação ocorreu por iniciativa exclusiva de Portinho e foi divulgada somente no perfil do senador.

Silveira não teria participado da edição, da elaboração da legenda ou da escolha do momento em que o conteúdo foi publicado. Para a defesa, essas circunstâncias afastam tanto o uso direto quanto o uso indireto de plataformas digitais pelo ex-deputado. "Manifestação pressupõe intenção deliberada de comunicar ideias, opiniões, posicionamentos ou convocações ao público", sustentam.

A defesa também argumentou que a breve fala de Silveira teve "caráter de cortesia" e não constituiu pedido de votos, convocação de apoiadores ou divulgação de posicionamentos ao público.

Os representantes do ex-parlamentar destacaram que a decisão que autorizou a progressão ao regime aberto não proibiu cumprimentos, conversas privadas, fotografias ou registros ocasionais feitos por terceiros. A interpretação contrária, alegaram, ampliaria a restrição para condutas que não foram expressamente vedadas.

Os advogados acrescentaram que Silveira vem trabalhando, estudando e cumprindo o recolhimento domiciliar e as restrições previstas para fins de semana e feriados. Ao final, pediram que Moraes reconheça a inexistência de violação e esclareça que a cautelar não alcança interações sociais registradas por terceiros. Alternativamente, solicitaram uma audiência para que o ex-deputado explique pessoalmente as circunstâncias do episódio.

Entenda o caso

Moraes pediu explicações à defesa na última terça-feira (28) depois que Silveira apareceu em um vídeo publicado por Portinho no X, no qual parabenizou o senador pelo trabalho e declarou apoio a ele.

O ministro apontou que o ex-deputado está proibido de utilizar redes sociais como uma das condições para o cumprimento da pena em regime aberto. Após a determinação, Portinho retirou a gravação de seu perfil para evitar prejuízos à situação jurídica de Silveira.

Daniel Silveira cumpre pena após ter sido condenado a oito anos e nove meses de prisão por ameaça ao Estado Democrático de Direito e coação no curso do processo em 2022. Na época, quando ainda era deputado, havia insinuado a violência contra ministros da Suprema Corte, além de ter violado publicamente restrições impostas durante o andamento da ação penal.

Processo: EP 32-DF

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Daniel Silveira Carlos Portinho eleições 2026 Alexandre de Moraes STF

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