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CORRIDA PRESIDENCIAL

Os cinco recados de Lula ao oficializar a candidatura à reeleição

Na convenção que oficializou sua candidatura, presidente prometeu "briga" com as emendas parlamentares, defendeu novo equilíbrio entre Executivo e Legislativo e apresentou prioridades para um eventual quarto mandato.

Congresso em Foco

2/8/2026 17:20

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A convenção nacional do PT que oficializou neste domingo (2) a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à reeleição também serviu para antecipar o tom da campanha. Em um discurso de mais de uma hora, o presidente falou diretamente à militância, aos partidos aliados, ao Congresso e a governos estrangeiros.

O trecho mais contundente foi dirigido ao Legislativo. Lula criticou o crescimento das emendas parlamentares e a perda de atribuições do Executivo, prometendo enfrentar o tema caso conquiste o quarto mandato. Também apresentou como prioridades a educação, a população idosa, a defesa nacional, o controle brasileiro sobre minerais estratégicos e a unidade da esquerda. No pronunciamento, o petista também destacou a preservação da soberania nacional como um dos pilares de sua eventual nova gestão.

Lula destacou a defesa da autonomia durante seu discurso na convenção que oficializou sua candidatura à reeleição pelo PT.

Lula destacou a defesa da autonomia durante seu discurso na convenção que oficializou sua candidatura à reeleição pelo PT.Bia Borges/Ofotográfico/Folhapress

1. Ao Congresso: "Vai ter briga com emenda parlamentar"

Lula afirmou que pretende rediscutir o equilíbrio de forças entre Executivo e Legislativo. Segundo o presidente, o avanço do Congresso sobre o Orçamento e sobre atribuições tradicionalmente reservadas ao Palácio do Planalto provocou uma "inversão" que precisa ser corrigida.

Ele também criticou o volume de recursos destinados ao fundo partidário e contrapôs esse dinheiro às restrições enfrentadas pelo Executivo para financiar políticas públicas.

"Eu quero que vocês saibam que a minha quarta Presidência é para mudar muita coisa nesse país. Vai ter briga com emenda parlamentar. Vai ter briga com o papel que hoje tem o Poder Legislativo."

Na sequência, Lula reclamou da aprovação, pelo Congresso, de projetos que criam universidades federais e da redução do espaço presidencial na indicação de integrantes de agências reguladoras, do Cade e de tribunais.

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"Eu não posso permitir que o presidente da República vá perdendo os seus direitos. O presidente vai perdendo o direito de indicar agência, vai perdendo o direito de indicar a Suprema Corte, vai perdendo o direito de indicar o Cade. Daqui a pouco, qual é o direito que tem o presidente da República? Nenhum."

O petista ressaltou que pretende conduzir a disputa dentro das regras institucionais e pediu a eleição de uma bancada aliada numerosa.

"A gente vai ter que discutir. Eu quero todo mundo eleito, porque vai ter que ter briga democrática para a gente dar uma mudada nesse país."

2. À esquerda: defesa nacional não pode ser tabu

Lula também cobrou da esquerda uma mudança de postura em relação às Forças Armadas e à política de defesa. Ele reconheceu a existência de resistência provocada pelo período da ditadura militar, mas sustentou que as dimensões territoriais e as riquezas naturais brasileiras exigem capacidade de proteção.

"Eu quero pedir para a esquerda, para mulheres e homens, parar com essa bobagem de achar que a gente não tem que ter preocupação com a defesa. Esse país tem 16,8 mil quilômetros de fronteira seca, tem 8 mil quilômetros de fronteira marítima, tem a maior floresta tropical do planeta, 12% da água doce do mundo e uma riqueza mineral que a gente ainda não sabe quanto tem."

O presidente defendeu investimentos na indústria de defesa, em novas tecnologias e na produção nacional de equipamentos, como drones para o monitoramento das fronteiras.

"Eu quero estar preparado para a paz, não é para a guerra. Quero estar preparado para ninguém ousar se fazer de besta conosco. Se a gente não estiver seguro, qualquer dia alguém se mete a besta conosco."

3. Às potências: terras raras são patrimônio brasileiro

A soberania sobre terras raras e minerais críticos foi outro eixo do discurso. Esses recursos são usados na fabricação de baterias, semicondutores, equipamentos eletrônicos e sistemas militares.

Lula afirmou que o país não deve se limitar a extrair e exportar matéria-prima. Para ele, o Brasil precisa controlar também a transformação industrial e o desenvolvimento das tecnologias associadas aos minerais.

"Eu vou levar muito a sério esse negócio de terras raras e minerais críticos. Tem muita gente metendo o dedo no nosso nariz, tem muita gente metendo o dedo na nossa terra. Isso vai parar. Isso é um patrimônio do povo brasileiro. Quem tem que lucrar com isso é o povo brasileiro."

Ao citar diretamente China, Estados Unidos e França, disse que a exploração dos recursos deverá permanecer sob controle nacional.

"Nós temos que utilizar nossa capacidade de investimento, de conhecimento científico e tecnológico para sermos donos de explorar, transformar e usar. Nem chinês, nem americano, nem francês vão meter o dedo nas nossas terras raras."

4. Aos eleitores: educação e idosos entram nas prioridades

Ao tratar das propostas para um novo mandato, Lula colocou a educação entre suas principais prioridades. O presidente defendeu um planejamento de longo prazo e criticou a dependência de recursos sujeitos a cortes anuais no Orçamento.

"Eu sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel da educação nesse país. A gente não vai poder ficar chorando atrás da miséria que sobra do Orçamento. Vai ter que aprovar uma coisa especial para garantir que, em dez anos, a gente resolva o problema da educação, porque sem educação a gente não chegará aonde tem o direito de chegar."

Lula também prometeu criar uma política voltada à população idosa, com espaços públicos de convivência, atividades físicas, cultura e lazer. Segundo ele, o envelhecimento da população exige uma resposta do Estado para pessoas que vivem isoladas ou sem apoio familiar.

"Eu quero pagar uma dívida com os idosos desse país. Nós precisamos criar um programa para o idoso, não para ele ficar trancado. Queremos que tenha um lugar em que possa nadar, dançar, ler, ver filme, caminhar, fazer o que quiser, até namorar e encontrar uma parceira."

5. Aos aliados: menos disputa interna e campanha baseada em entregas

Lula pediu que os partidos aliados reduzam as disputas internas e concentrem esforços na eleição. Para o presidente, a esquerda precisa reunir suas diferentes posições em torno de um programa comum.

"É preciso que a gente pare de brigar. É preciso que a gente pare de achar que a verdade está no nosso partido. A verdade está na nossa capacidade de unir todas as nossas verdades e construir uma verdade para todos nós trabalharmos juntos e ganhar essa eleição."

O petista também orientou a militância a defender as entregas do governo e a não se deixar influenciar pelas pesquisas eleitorais neste início de campanha.

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"Não fique preocupado com pesquisa, nem se estiver bom, nem se não estiver bom. A guerra não começou. O campeonato não começou. Ele vai começar agora. Nós temos time, nós temos futebol, nós temos o que entregar e nós temos argumento."

No fim da fala, Lula disse que pretende adotar uma postura mais incisiva em um eventual quarto mandato. Foi nesse momento que recorreu à expressão "Lulinha porreta".

"Nesse quarto mandato, vocês vão ver: eu não quero o Lulinha paz e amor. Eu quero o Lulinha porreta. Eu quero o Lulinha que vai fazer o que a gente ainda não fez. Porque o básico nós já cuidamos. Agora é a hora de dar um salto de qualidade."

Lula encerrou o discurso convocando os apoiadores para o lançamento da campanha nas ruas, marcado para 16 de agosto, no Estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Também afirmou que a eleição definirá o modelo de país que pretende entregar ao sucessor após um eventual quarto mandato.

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