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Eleições
Congresso em Foco
16/8/2026 15:01
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) abriu oficialmente sua campanha à Presidência da República neste domingo (16), em Copacabana, no Rio de Janeiro, com um discurso centrado em segurança pública, críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio subiu ao palanque acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e participou do ato usando um colete à prova de balas.
No palanque, Flávio buscou confrontar um dos temas explorados por Lula na disputa eleitoral, a defesa da soberania nacional.
O candidato do PL relacionou o conceito ao controle territorial e ao avanço de organizações criminosas, além de voltar a defender uma política mais dura contra facções.
O ato reuniu entre 7,8 mil e 9,9 mil participantes por volta das 11h30, momento em que o evento atingiu seu pico de público, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, em conjunto com a ONG More in Common.
O levantamento foi feito durante a mobilização na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Segurança e disputa pela soberania
Ao tratar da segurança pública, Flávio questionou o controle do Estado sobre áreas dominadas pelo crime organizado. "Quem tem soberania aqui no Complexo do Alemão? O governo ou o Comando Vermelho?", afirmou.
O senador também criticou a política externa do governo Lula. Segundo ele, o Planalto entra em conflito com governos estrangeiros, mas não demonstra a mesma disposição no enfrentamento à criminalidade dentro do país.
Flávio voltou a defender que facções criminosas sejam enquadradas como organizações terroristas. A proposta é rejeitada pelo governo Lula, que aponta riscos à soberania brasileira e possíveis consequências econômicas e jurídicas decorrentes desse tipo de classificação.
Ataques a Lula
A ofensiva contra o presidente ocupou parte central do discurso. Ao falar em Copacabana, um dos principais redutos de manifestações bolsonaristas no Rio, Flávio afirmou que Lula "não pode pisar em Copacabana porque é odiado pelo povo".
O candidato também prometeu reduzir gastos e cargos em uma eventual gestão e ampliou as críticas ao governo federal. "Hoje, o resto do Brasil olha para Brasília com nojo", declarou.
As afirmações foram feitas sem que Flávio detalhasse, durante o discurso, quais medidas pretende adotar para reduzir despesas em um eventual governo.
Bolsonaro como referência
A escolha de Copacabana para a estreia oficial reforçou o vínculo da campanha com a base política construída pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ato reuniu dirigentes e candidatos do Partido Liberal, entre eles o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto; o líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ); o candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar; e o candidato ao governo do Rio,Douglas Ruas.
Além dos ataques ao adversário e das propostas para a segurança pública, o evento mostrou que a imagem de Jair Bolsonaro seguirá como um dos principais elementos da campanha de Flávio.
Uma gravação antiga de Jair Bolsonaro foi reproduzida durante o discurso. No áudio, o ex-presidente afirma que seus apoiadores têm "o poder de mudar o mundo e transformar o nosso Brasil" e exalta valores como patriotismo, fé e família.
Bolsonaro diz ainda que seu sonho é o mesmo de seus apoiadores, fala no dever de "produzir a felicidade" e afirma que, com Deus e o apoio de "brasileiros de verdade", seria possível superar os obstáculos.
Flávio também reconheceu diretamente a comparação com o pai. Ao falar sobre a missão de liderar o campo bolsonarista na eleição presidencial, disse ser "difícil comparar o filho do Pelé com o Pelé" e afirmou ter aceitado a tarefa que lhe foi passada por Bolsonaro.
A campanha adotou o slogan O Brasil vai vencer, em uma tentativa de recuperar elementos nacionalistas associados às campanhas anteriores do ex-presidente.
A estreia em Copacabana colocou dois elementos no centro da estratégia inicial de Flávio: a tentativa de manter mobilizada a base construída por Jair Bolsonaro e a aposta na segurança pública como uma das principais linhas de confronto com Lula durante a campanha presidencial.
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