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CASO MASTER
Congresso em Foco
5/9/2026 | Atualizado às 11:10
A federação Psol-Rede apresentou à Câmara uma representação por quebra de decoro parlamentar contra Nikolas Ferreira (P-MG) e pede a cassação do mandato do deputado. A iniciativa ocorre após a divulgação de áudios nos quais o parlamentar recorre ao banqueiro Daniel Vorcaro para tratar de interesses de um ex-assessor ligados a um ativo de mineração.
A representação pede a abertura de processo disciplinar no Conselho de Ética e a perda do mandato caso as denúncias sejam confirmadas. A federação também solicita o depoimento de Vorcaro e uma eventual acareação com Nikolas se houver contradições entre as versões.
Veja a representação contra Nikolas.
Os áudios foram divulgados pelo ICL Notícias. Em uma conversa de 30 de março de 2025, Nikolas procura Vorcaro para tratar de uma demanda de Thiago Rodrigues de Faria, seu advogado e ex-assessor de gabinete, relacionada à liberação de ativos minerários. O deputado envia o contato de Thiago.
Em outra gravação, Nikolas se desculpa com Vorcaro por publicações críticas ao Banco Master e diz que não sabia, na ocasião, que a instituição pertencia ao banqueiro. A representação também cita mensagens nas quais Vorcaro teria dito ter bancado voos privados do parlamentar.
"Esse Nikolas, eu banquei todos os voos dele", disse o banqueiro, segundo conversa revelada pelo ICL Notícias. Em 2022, Nikolas utilizou um jatinho de Vorcaro durante a caravana "Juventude pelo Brasil", que percorreu Minas Gerais em busca de votos para Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial.
Psol vê quebra de decoro
Para a federação, os episódios justificam uma investigação sobre a natureza da relação entre Nikolas e Vorcaro, possíveis benefícios recebidos pelo parlamentar e eventual uso do mandato para atender interesses privados. A representação sustenta que as condutas podem configurar quebra de decoro e comprometer a credibilidade da Câmara.
O líder do Psol na Câmara, Tarcísio Motta (RJ), afirmou que as revelações precisam ser investigadas.
"É impressionante como os autoproclamados paladinos da ética sempre aparecem quando se levanta o tapete das relações promíscuas entre poder econômico e poder político. Nikolas Ferreira passou anos fazendo discursos moralistas, mas agora precisa responder sobre sua proximidade com Daniel Vorcaro e os favores revelados pelas investigações", declarou.
A representação pede que a Mesa da Câmara encaminhe o caso ao Conselho de Ética. Se admitida, poderá resultar na abertura de processo disciplinar contra Nikolas.
Relatório falso
Nikolas minimizou sua relação com Vorcaro e afirmou não haver ilegalidade nas conversas divulgadas. Nas redes sociais, o deputado compartilhou um suposto relatório da Polícia Federal que, segundo ele, indicaria que nada havia sido constatado contra si no caso.
Posteriormente, a PF negou a autoria do documento, que teria sido produzido com uso de inteligência artificial. O episódio levou o deputado Rogério Correia (PT-MG) a pedir à corporação a abertura de um inquérito para investigar a produção e a divulgação do arquivo falso atribuído à PF. Nikolas alegou que não sabia que o relatório era falso.
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