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Congresso em Foco
10/9/2026 16:33
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência da República, tornou a negar nesta quinta-feira (10) a existência de irregularidades no financiamento de "Dark Horse", filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2018, e atribuiu a operação da Polícia Federal contra a produtora a uma tentativa de interferência na disputa eleitoral.
"Não tem absolutamente nada de errado com esse filme, não tem um centavo de dinheiro público, eu já cansei de falar. Pode revirar do avesso, de cima pra baixo, de trás pra frente, de um lado para o outro, de ponta cabeça, aqui não vai ter nada", declarou.
Para Flávio, a investigação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF, foi uma resposta à melhora do desempenho de sua campanha. "Qual o fundamento dessa operação? Político. Flávio Bolsonaro ultrapassou o Lula nas pesquisas oficiais do próprio Lula. Então, eu tô muito tranquilo com relação a isso, eu tenho a convicção que a gente vai ganhar essa eleição."
Veja a fala:
Ação da PF
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira a Operação Make Up para investigar a origem e a movimentação dos recursos usados na produção de "Dark Horse". Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Ferreira da Gama, produtora do longa.
A ação cumpre 49 mandados de busca e apreensão contra 22 pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal. Não foram expedidos mandados de prisão. A operação foi autorizada por Dino e é realizada em parceria com a Controladoria-Geral da União.
A PF apura o possível emprego irregular de emendas parlamentares e de outros recursos públicos destinados a entidades e empresas ligadas à produtora. Segundo os investigadores, parte dos valores teria sido direcionada a empresas subcontratadas sem comprovação da efetiva prestação dos serviços.
Levantamentos financeiros identificaram movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas investigadas. A apuração envolve suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.
Duas frentes de investigação
Há duas investigações no STF relacionadas ao financiamento de "Dark Horse". A relatada por Dino se concentra no possível uso de dinheiro público e em demais indícios de uso irregular de emendas parlamentares pela que produz o filme.
Outra, sob responsabilidade do ministro André Mendonça, apura repasses feitos pelo banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, a pedido de Flávio Bolsonaro.
Mensagens e um áudio divulgados pelo The Intercept Brasil mostraram Flávio cobrando de Vorcaro recursos para o projeto. Segundo a reportagem, o ex-banqueiro repassou ao menos R$ 61 milhões em 2025. O dinheiro teria sido enviado a um fundo nos Estados Unidos administrado por um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).
Na quarta-feira (9), Mendonça homologou a colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro. Dono da Entre Investimentos, ele afirmou ter realizado, a pedido de Vorcaro, sete repasses ao fundo Havengate, nos Estados Unidos.
As transferências ocorreram entre janeiro e setembro de 2025 e somaram US$ 12,333 milhões, cerca de R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro daquele ano. Segundo o colaborador, a solicitação inicial era para remessas de aproximadamente US$ 24 milhões, mas apenas sete operações foram realizadas.
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