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Justiça Eleitoral

Nunes Marques manda tirar deepfake de Flávio deitado no colo de Trump

Publicação combina imagens manipuladas e música sobre tarifaço contra o Brasil.

Congresso em Foco

23/9/2026 15:04

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O ministro Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a retirada de um vídeo criado com inteligência artificial que mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deitado no colo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Na montagem, o norte-americano acaricia a cabeça do parlamentar em uma cena que, segundo a decisão, reproduz um afago em um animal de estimação.

A liminar, assinada em 24 de agosto, atende a um pedido do PL e estabelece prazo de 24 horas para a remoção do conteúdo no Instagram, incluindo eventuais reproduções associadas.

Nunes Marques também proibiu os responsáveis pela publicação de divulgar novamente o vídeo, sob pena de fixação de multa e adoção de outras medidas.

A ação foi apresentada contra os responsáveis pelos perfis @brasilforadacaverna, @eutocomlula e @lulaversoficial, que compartilharam o material em uma publicação conjunta em 10 de julho.

O partido sustenta que o vídeo configura propaganda eleitoral antecipada negativa contra Flávio, então pré-candidato à Presidência.

Para Nunes Marques, o aviso de uso de inteligência artificial não afasta a proibição eleitoral de deepfakes.

Para Nunes Marques, o aviso de uso de inteligência artificial não afasta a proibição eleitoral de deepfakes.Rosinei Coutinho/STF

Montagens fazem referência a tarifas

O vídeo reúne imagens manipuladas e uma música intitulada "Tarifa Cativa", cuja letra faz referências à imposição de tarifas ao Brasil, à eleição de outubro e a uma eventual derrota para Lula.

Além da cena no colo de Trump, Flávio aparece com um terno estampado com a bandeira dos Estados Unidos.

Outra montagem mostra o senador ao lado de Eduardo Bolsonaro, ambos com roupas semelhantes, segurando um cartaz de agradecimento ao presidente norte-americano.

O material também inclui uma imagem de Trump com dois homens que vestem camisetas com as marcas Visa e Mastercard e seguram um cartaz com a palavra Pix riscada. Em outra cena, o presidente dos Estados Unidos e Flávio correm atrás de um avião prestes a decolar.

Para o PL, a publicação atribui ao senador comportamentos e manifestações inexistentes, com o objetivo de desqualificá-lo pessoal e politicamente.

Aviso de inteligência artificial não afasta irregularidade

Na análise preliminar, Nunes Marques entendeu que o vídeo se enquadra na proibição eleitoral de uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas.

A técnica permite criar ou manipular digitalmente imagens e vozes em conteúdos de áudio e vídeo.

O ministro citou precedente do TSE segundo o qual o uso dessa ferramenta com finalidade eleitoral é suficiente para caracterizar a irregularidade da propaganda, independentemente da comprovação de potencial para enganar o eleitor.

Embora a publicação apresentasse o rótulo "Informação de IA", Nunes Marques considerou que a sinalização não atendia às exigências da regulamentação eleitoral e não afastava a proibição.

"Não constitui exceção à proibição objetiva de uso de deepfake", escreveu o ministro sobre a identificação do conteúdo como produzido por inteligência artificial.

O relator também avaliou que a permanência do material na internet permitiria sua disseminação contínua, com alcance indeterminado e possibilidade de comprometer a regularidade do debate eleitoral.

Plataforma deve identificar responsável

Além de remover o vídeo, a plataforma deverá fornecer os dados cadastrais necessários à identificação dos responsáveis pelo perfil @lulaversoficial e comprovar as providências adotadas.

Nunes Marques determinou a citação dos representados para apresentação de defesa e, depois, a manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral.

Também ordenou que a liminar fosse submetida ao referendo do colegiado na sessão seguinte à assinatura.

A decisão ressalta que a análise é preliminar e não antecipa um julgamento definitivo sobre a regularidade da publicação.

Leia a íntegra da decisão.

Processo: 0601417-22.2026.6.00.0000

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flavio bolsonaro deepfake Nunes Marques inteligência artificial tarifaço Donald Trump

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